Livros que li em 2009

Seguindo a trilha de alguns amigos de outros blogs, resolvi publicar uma lista com os livros que li em 2009 e que indico para os irmãos.

Não ameis o mundo (Watchman Nee)

Neste livro, o irmão Nee nos apresenta o mundo como uma entidade espiritual por trás das coisas visíveis, uma força que sempre deve ser considerada. Ele trata com o impacto desta força sobre o cristão e do cristão sobre ela, com a conflitante exigência que lhe é feita de separação e envolvimento, de “estar no mundo” sem “ser do mundo”, e com o destino do homem em Cristo de “ter domínio”. Nesta difícil relação crente-mundo, o refrigério mútuo surge como uma forma de recebermos dos irmãos o frescor da comunhão com Deus, mesmo depois de um árduo dia de trabalho. Nee também aborda de forma insistente como o cristão deve lidar com o dinheiro, uma das mais fascinantes armas do mundo.

A difícil doutrina do amor de Deus (D.A. Carson)

O renomado teólogo D.A. Carson traz uma discussão relevante e original sobre a doutrina do amor de Deus. De todos os atributos divinos, o amor de Deus parece ser o menos contestado; porém Carson nos mostra que esta é a grande dificuldade de compreendermos tal doutrina de forma bíblica. Analisando tudo o que a Escritura diz acerca do amor de Deus, D.A. Carson nos leva ao fato de que tal amor precisa ser compreendido em todas as suas facetas, que são estas: a) o amor intra-trinitariano de Deus; b) o amor de Deus por todos os homens, que faz chover sobre maus e bons, que dá vida, respiração e tudo o mais; c) o amor de Deus pelos Seus eleitos, um amor redentivo que impulsiona todo o drama da salvação e da morte expiatória de Jesus Cristo; e d) o amor de Deus pelos fiéis, o amor que é derramado na medida da nossa obediência à Sua Palavra. Embora seja uma abordagem original e, muitas vezes, inquietante e desafiadora, creio que é exatamente isto que torna o livro de Carson tão relevante e indispensável a todos aqueles que desejam uma compreensão bíblica do grande amor de Deus.

O plano de Deus para a redenção (Mary E. McDonough)

A autora traz uma explanação do plano redentivo de Deus desde a eternidade até a experiência vitoriosa dos crentes que se apropriam da vida de Cristo e andam no Espírito. O grande mérito de McDonough é nos mostrar a redenção como uma mudança de esfera, de Adão para Cristo, e como a comunicação da natureza divina no espírito do crente. Porque somos participantes de Cristo em posição, podemos andar em uma experiência vitoriosa de vida espiritual. Todavia, recomendo cautela na leitura deste livro, uma vez que a autora aborda alguns pontos doutrinários de maneira não muito clara, o que pode trazer confusão. Os próprios editores frisam isto em algumas notas de rodapé ao longo da obra.

As três formas de unidade das igrejas reformadas (Editora Os Puritanos)

Este livro traz três dos mais importantes símbolos da igreja à época da Reforma: A Confissão Belga (1561), o Catecismo de Heidelberg (1563) e os Cânones de Dort (1619). Embora eu não concorde com tudo em que criam os reformados (e muitos ainda creem), especialmente no que concerne ao batismo infantil, é admirável o zelo daqueles crentes pela total submissão às Escrituras, bem como a ênfase dada à obra de Cristo em contraste com a depravação total do homem. Outro detalhe interessante a ser observado é a forma reverente, o temor com que aqueles antigos calvinistas ensinavam doutrinas difíceis como a eleição – bastante diferente do que muitos fazem hoje, especialmente na internet, tratando com desdém os opositores e falando de coisas celestiais como quem discute coisas terrenas e profanas. Que possamos aprender com nossos irmãos do passado!

Deliberadamente Igreja (Mark Dever & Paul Alexander)

Mark Dever teve a “inusitada” idéia de usar a Bíblia para formar e guiar a igreja que pastoreia, num mundo em que as igrejas estão sempre em busca de um novo método que promova crescimento explosivo. Dever defende que é possível alcançar crescimento numérico mantendo o fiel padrão das Escrituras. Mais do que isso, seu argumento é que este é o único crescimento que agrada a Deus, pois provém Dele mesmo! O livro é bastante agradável de ler, uma vez que o autor simplesmente relata como ele tem aplicado os princípios bíblicos à vida diária da igreja. Fala sobre as responsabilidades e virtudes que o pastor deve ter; sobre o culto inteiramente regulado pela Palavra de Deus; sobre a importância de uma liderança plural (presbitério) e como implantar tal liderança valorizando sobretudo o caráter do líder. O principal trunfo do livro é não vender a sua metodologia como “A metodologia”, como se todas as práticas da igreja fossem as melhores possíveis. Ao contrário, Dever enfatiza os princípios bíblicos e mostra que é possível vivenciá-los no dia-a-dia de uma igreja saudável.

Não basta ler a Bíblia, é preciso compreendê-la!

É certo que o benefício da leitura precisa chegar à alma através do entendimento. Deve haver conhecimento de Deus antes de poder haver amor a Deus; deve haver conhecimento das coisas divinas, conforme são reveladas, antes de podermos desfrutar delas. Devemos procurar descobrir, dentro das limitações das nossas mentes finitas, o que Deus pretende ao dizer isso, e o que Ele pretende ao dizer aquilo; de outro modo, podemos chegar a beijar o Livro, sem termos amor ao conteúdo; e a reverenciar a letra, sem termos a verdadeira devoção ao Senhor que nos fala através dessas palavras. Você nunca obterá consolo para a alma através daquilo que não entende, nem achará orientação para sua vida naquilo que você não compreende; nenhuma lição prática para o seu caráter pode advir daquilo que não é entendido por você.

Charles Spurgeon, Como ler a Bíblia

II Congresso Missionário (Resumo): “George Whitefield – O Grande Evangelista Do Século XVIII”

Síntese do sermão proferido pelo Pr. Gaspar de Souza no II Congresso Missionário Água da Vida, em 12 de dezembro de 2009.

Texto de partida: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” (Hebreus 13.7)

GEORGE WHITEFIELD – O GRANDE EVANGELISTA DO SÉCULO XVIII

Uma Breve Biografia

Whitefield nasceu em 16/12/1714, na cidade de Gloucester, Inglaterra. Seu pai morreu quando ainda tinha 2 anos. Já aos 17, Whitefield entra para a Universidade de Pembroke, Oxford.

Desde muito cedo, Whitefield desenvolvera uma vida de devoção e boas obras. Em Oxford, ele conhece os irmãos John e Charles Wesley e entra para o “Clube Santo”. Apesar disso, George Whitefield reconheceria mais tarde que até aquele momento ainda não fora verdadeiramente salvo.

De fato, a conversão de Whitefield foi dolorosa e demorada. Ele se angustiava porque a sua aparente devoção não produzia o gozo, a certeza da salvação que é o testemunho interior do Espírito na vida dos regenerados. Whitefield chegou muitas vezes ao desespero, passando noites inteiras orando na neve para ver se alcançava a salvação. Mas foi certa vez, quando entrou no seu quarto, caiu na cama e fez uma simples oração: “Tenho sede!”, que Whitefield pela primeira vez experimentou o gozo da salvação.

Com 21 anos, em 1736, Whitefield foi ordenado pastor e pregou seu primeiro sermão. Já em 1737, um avivamento irrompeu em Bristol e Londres. Whitefield então tornou-se extremamente popular e multidões vinham para ouvi-lo pregar o Evangelho.

Com 24 anos, rejeitado pelas igrejas, George Whitefield iniciou suas pregações ao ar livre, atraindo multidões.

O ministério de Whitefield abarcou tanto a Inglaterra (e outros países europeus) como as colônias inglesas na América do Norte. Ao todo, foram 13 viagens à América.

George Whitefield tinha uma pregação relevante e confrontadora. Ele dizia: “Eu não quero ser um pregador da boca aveludada.” Pregou mais de 18.000 sermões, numa média de mais de 10 por semana, durante 34 anos de ministério.

Sua última mensagem, pregada também ao ar livre, em cima de um barril, repetia o tema recorrente em seus sermões: o novo nascimento. Partindo de 2Co 13.5, sua exortação final foi como o rugir de um leão: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé”. Falando sobre a ineficácia de obras para merecer a salvação, Whitefield trovejou: “Obras, obras! O homem alcançar o céu por obras! Eu pensaria antes em alcançar a lua subindo numa corda de areia!”

Características De Whitefield

  • Humildade profunda e verdadeira. Ele costumava declarar: “Pereça o nome de Whitefield!” Talvez seja esta a razão de seu nome não ser muito conhecido, ainda em nossos dias.
  • Amor ardente pelo Senhor Jesus
  • Diligência e labor incansáveis
  • Auto-negação elevada
  • Alegria singular
  • Caridade extraordinária, unidade cristã e liberalidade

Características Da Pregação De Whitefield

Whitefield desenvolveu uma pregação do Evangelho puramente singular:

  • Pregação simples, lúcida e direta
  • Ilustrações simples e poderosas
  • Pregação tremendamente séria
  • Pregação emocionante e cheia de sentimentos

Estas características estavam fortemente ligadas às próximas características:

Características Doutrinárias De Whitefield

  • A suficiência e supremacia das Sagradas Escrituras
  • A corrupção da natureza humana
  • A morte de Cristo na cruz como a única satisfação para os pecados dos homens
  • A absoluta necessidade da justificação pela fé
  • A necessidade da conversão de coração e da nova criação pelo Espírito Santo
  • A inseparável ligação entre fé verdadeira e santidade pessoal
  • O eterno ódio de Deus pelo pecado e o amor de Deus pelos pecadores

Desafios A Partir Da Vida De George Whitefield

  • É preciso renovar a nossa fé no poder da Palavra de Deus
  • Devemos orar por avivamento
  • Nosso evangelismo deve ser mais contundente
  • A pregação evangelística deve ser mais doutrinária
  • Chamadas ao altar não são um ingrediente essencial do evangelismo

NOTA: Texto elaborado a partir das minhas anotações durante o sermão, bem como do slideshow apresentado na ocasião. O pr. Gaspar de Souza não tem responsabilidade sobre eventuais erros e incorreções resultantes desta síntese.

Feliz 2010!

“Esquecendo-me das coisas que para  trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13-14)

Desejo a todos um 2010 de profundo crescimento espiritual. Que o Senhor continue nos guiando a Ele mesmo, e que nós possamos encontrar nEle todo o nosso prazer. Se Deus quiser, que este seja um ano de amadurecimento espiritual, e que nós possamos continuar frutificando em toda boa obra, crescendo no pleno conhecimento de Deus, sendo fortalecidos com todo o poder, com toda a perseverança, e dando sempre graças ao Pai, com alegria, pois Ele nos fez idôneos à parte que nos cabe da herança dos santos na luz.

Enfim, que seja um 2010 para o inteiro agrado de Deus! Que Ele conquiste cada vez mais os nossos corações.

Em Cristo,
Vinícius

O Natal é uma celebração verdadeiramente cristã?

Sei que há muita confusão e muito excesso quando se fala nesse assunto. Não é minha intenção pôr lenha na fogueira, mas, sim, caminhar em direção à Verdade.

Por isso, estou divulgando dois estudos bíblicos muito sérios. O primeiro é um texto do reformado A.W. Pink, servo de Deus respeitado pelo seu equilíbrio entre erudição e piedade. O segundo é um livrete publicado pela Editora Restauração, de autor desconhecido, com informações detalhadas sobre a origem do Natal e dos costumes natalinos.

A.W. Pink – “Natal”

“A Verdade Acerca do Natal”

Que o Espírito Santo nos conduza a toda a verdade.

Em Cristo,
Vinícius

II Congresso Missionário (Resumo): “A Suprema Importância De Uma Vida Cheia Do Espírito Santo”

Síntese do sermão proferido pelo Pr. Marcelo Fernando no II Congresso Missionário Água da Vida, em 11 de dezembro de 2009.


A SUPREMA IMPORTÂNCIA DE UMA VIDA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. (Isaías 6.8)

Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. (João 20.21-22)

Que é um missionário? É alguém enviado com uma missão. Quem envia um missionário? Não é a igreja, nem o homem; é o Senhor da seara quem manda os ceifeiros! Missão é um encargo, uma responsabilidade dada por Deus. Muitas mazelas da igreja moderna são resultado do esforço, até da boa vontade, de homens que não foram verdadeiramente enviados por Deus e que, por isso, não possuem um verdadeiro encargo.

O encargo de um missionário é este: que Cristo seja formado no homem. Não existe outro encargo dado por Deus. Deus envia homens que refletem Cristo para servirem de instrumento a fim de Cristo seja formado em outros. Deus só se responsabiliza por aqueles que Ele mesmo enviou, e Ele não envia pessoas de qualquer jeito.

A pergunta de Deus nestes dias continua sendo: “A quem enviarei?” Porque são poucos os que cumprem os requisitos de Deus para serem enviados.

Neste assunto, precisamos compreender que uma vida cheia do Espírito Santo é essencial para que cada crente (não apenas um missionário, no sentido que geralmente damos a esta palavra) possa cumprir o seu encargo do Senhor. Em João 20, Jesus diz: Assim como (da mesma forma que) eu fui enviado, eu vos envio. E como Jesus foi enviado? Certamente que foi no poder e controle do Espírito Santo. Então Ele mesmo diz: Recebei o Espírito!

É interessante notar que, durante 3 anos e meio, os discípulos de Jesus foram inseridos no mais intenso e profundo seminário teológico que alguém poderia experimentar. Eles certamente aprenderam tudo o que era necessário saber, muito mais do que nós hoje somos capazes de estudar com nosso conhecimento humano. Todavia, mesmo conhecendo toda a verdade, os doze discípulos – não apenas Judas! – trairam Jesus. Todos eles falharam! E por que tal aconteceu?

Todos eles foram reprovados porque lhes faltava uma coisa: PODER DO ESPÍRITO SANTO. Por este motivo, logo antes de subir aos céus, Jesus precisava fazer seus discípulos perceberem esta necessidade. Suas últimas palavras são como um alerta: “Falta poder em vós!!!”

Assim como os discípulos antes de Pentecostes, nossas vidas têm sido assim: sabemos o que temos de fazer, mas não conseguimos fazer. Por quê? Porque falta-nos poder do Espírito! No Reino de Deus, saber e querer não são a mesma coisa que PODER. Não se pode obedecer a Deus nem fazer a Sua vontade sem o poder do Seu Espírito.

Após passarem sete dias trancados no cenáculo esperando a promessa do Espírito Santo, quanta coisa mudou! Aqueles homens ainda eram os mesmos frágeis, convardes e inconsistentes discípulos de antes, mas tudo era diferente porque eles estavam cheios do Espírito Santo.

Precisamos compreender que, assim como existe um abismo intransponível entre o pecador e Deus antes da salvação, o qual somente pela Cruz se pode transpor, existe também um abismo intransponível entre o crente salvo pela graça e a vida abundante – e este abismo só pode ser transposto pelo Espírito Santo.

Também os heróis da fé da história da igreja podiam afirmar isto. Eles eram frágeis, cheios de debilidades, mas como Deus os encheu com o Seu Espírito! Muitos deles não eram pentecostais, isto é, não passaram pelas experiências carismáticas que nós costumamos chamar de “ser cheio do Espírito”. Mas todos eles eram “crentes da Bíblia”, que amavam conhecer e obedecer à Palavra de Deus. E Deus não pode deixar de encher do Espírito aquele que se submete à Sua vontade, isto é, à Sua Palavra.

Como poderemos, então, viver uma vida na plenitude do Espírito? A ação do Espírito Santo é constante e permanente na vida dos eleitos de Deus, e enquanto estivermos neste corpo não conheceremos a perfeição à qual Ele quer nos guiar. Todavia, se aprendermos a nos submeter à vontade do Espírito em cada situação, ouvindo a Sua voz e obedecendo aos Seus comandos, poderemos avançar até a maturidade espiritual.

Quando lemos Jo 16.8-11, geralmente pensamos no trabalho inicial do Espírito ao conduzir um homem a Cristo. De fato, quanto estávamos perdidos, o Espírito nos convenceu do pecado, da justiça e do juízo de uma forma especial. Nunca mais precisaremos ser convencidos naquele sentido, pois já fomos regenerados e recebemos uma nova vida. Entretanto, o Espírito Santo continua nos convencendo do pecado, da justiça e do juízo, numa obra sequencial e progressiva, capacitando-nos a experimentar a “vida abundante” do Senhor:

O Espírito nos convence do pecado. Não seremos úteis a Deus com pecados ocultos. O fluir do rio de águas vivas, que é o Espírito, não pode ser obstruído pelo pecado. Muitos crentes querem fazer coisas para Deus, mas a ordem do céu é: primeiro ser, depois fazer. Isto significa que precisamos deixar Deus trabalhar constantemente em nossas vidas, convencendo-nos do pecado e levando-nos ao arrependimento.

Quando lemos a história de Isaías, é exatamente isto que observamos: primeiro Deus trata com o pecado do profeta; somente depois Deus o convoca e o envia. O Senhor não envia pessoas impecáveis, pois somente o Seu Filho viveu sem pecado. Mas Deus envia pessoas tratáveis, homens nos quais Ele possa trabalhar para fazer prevalecer a Sua vontade. Quanto mais somos tratados, mais somos usados; nós crescemos à medida que nos arrependemos.

O Espírito nos convence da justiça. Existe apenas uma justiça aprovada por Deus, e tal justiça é CRISTO. Se nós cremos nisso quando fomos salvos, é bem verdade que muitas vezes somos levados a confiar em nossa própria justiça. O trabalho contínuo do Espírito Santo é convencer-nos de que tal coisa é inaceitável aos olhos de Deus. Há muitos avanços em nossa vida espiritual que, na verdade, são quedas, porque geram orgulho e nos afastam de Cristo como sendo a nossa justiça. Oh, que possamos estar alertas para o fato de que Satanás é perito em pegar crentes pela soberba! Em verdade, o crente que está crescendo espiritualmente não se dá conta disso, justamente porque Cristo está diante dos seus olhos, e Ele é a nossa justiça. Se qualquer outro padrão de vida for o nosso alvo – seja Spurgeon, Whitefield ou George Müller – talvez um dia sejamos como eles foram e nos gabemos disso. Mas se o nosso padrão for o Filho de Deus, então sempre O teremos à nossa frente e nunca estaremos satisfeitos ou orgulhosos daquilo que já alcançamos.

Que possamos sempre nos lembrar de que não fazemos nada – é, sempre, a graça de Deus conosco! (1Coríntios 15.10)

O Espírito nos convence do juízo. Há um juízo para os crentes: o Tribunal de Cristo, pelo qual receberemos segundo o bem ou o mal que tivermos feito por meio do corpo. Precisamos sempre nos lembrar que o juízo começará pela Casa de Deus, e isto significa que precisamos nos preparar, para que, quando esta hora chegar, não fiquemos envergonhados nem tenhamos que esconder o rosto do Senhor.

Que possamos buscar, dia após dia, uma vida cheia do Espírito.

A importância da pregação evangelística

“Se você quer ganhar almas para Cristo, sinta uma solene inquietação quanto a elas. Não será possível fazê-las sentir esta inquietação, se você mesmo não a sente. Creia no perigo em que as pessoas se encontram, creia na incapacidade delas, creia que somente Cristo pode salvá-las e fale com elas como se você quisesse realmente tratar sobre isso. O Espírito Santo comoverá essas pessoas, comovendo primeiramente a você. Se você pode ficar tranqüilo diante do fato de que elas não estão salvas, elas também ficarão tranqüilas. Mas, se você estiver cheio de agonia por essas almas e não puder tolerar que elas se percam, logo você descobrirá que elas também ficam inquietas. Espero que você chegue a tal condição, que sonhe com seu filho ou com seu ouvinte perecendo, porque não têm a Cristo, e comece imediatamente a clamar: ‘Ó Deus, dá-me convertidos, se não eu morro’. Então, você terá convertidos”.

C.H. Spurgeon (citado por Conrad Mbewe)

Fonte: Editora Fiel

Você está disposto?

Será que um homem que ama o seu SENHOR estaria disposto a ver JESUS vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria JESUS de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de CRISTO, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Charles H. Spurgeon

Fonte: Ministério Vidas em Cristo

Por aí: Cristãos palhaços (somos nós!)

[...] Com efeito, o mundo que se auto-intitula ‘evangélico’ há muito virou a diversão do mundo. Seja por promover ‘pão e circo’ com sabor religioso, e de auto-ajuda; seja por demonstrar quão patética é a pregação legalista dessa gente, principalmente quando contrastada com o testemunho de vida da grande massa que diz professar a fé cristã.

Quando eu era garoto, existiam desvantagens em ser evangélico. Na escola, por exemplo, eu tinha o apelido de “aleluia”, não apenas por ser cristão, mas também por morar numa rua que se chamava “Rua da Assembléia”, em homenagem a sua construção mais antiga. Porém, todos nos levavam a sério. Fazer negócio com meus pais, e amigos mais velhos, era quase garantia de segurança, pois confessamos ser discípulos de Cristo. E olha que nem sou tão antigo assim…

Hoje, todavia, o cenário mudou. Caso você se arrisque apresentar-se como “evangélico”, pode ser necessário acrescentar o adjetivo “honesto”; pois os dois termos têm andado muito longe um do outro – principalmente quando olhamos para os grandes escalões eclesiásticos. Pessoalmente nunca me apresento como evangélico, apesar de admitir não haver nada de errado com o termo em si; prefiro me apresentar como “cristão”, ou “reformado”, e ainda como “protestante”. Quando faço isso, sou normalmente interpelado com a seguinte questão: Que bicho é isso?

A multidão [supostamente] evangélica vai continuar crescendo, embalada por canções abomináveis como o hit ‘Zaqueu’, e outras imbecilidades teológicas travestidas de ‘adoração’. O fenômeno continuará crescendo, pois o povão gosta de circo. Não há nenhum milagre, ou avivamento, no crescimento número da galera gospel. Trata-se de algo absolutamente natural – os lobos oferecem diversão, e os bodes, convencidos de que são ovelhas, caem feito patinhos.

Quando tal crescimento será detido? Algum dia, provavelmente quando o número de feridos e roubados ultrapassar o número daqueles que desejam se lançar nos braços dos vendedores de ilusões. Enquanto isso não acontece, o verdadeiro cristão se sente como um… palhaço! Não importa o quanto gritamos e berramos o verdadeiro evangelho, a seriedade do pecado, e realidade do juízo vindouro; a luz de tudo que os professos cristãos andam fazendo, somos apenas… palhaços.

Que grandes palhaços somos, meus amigos! Falo a você, cristão renascido! Que grande palhaço é você! É assim que me sinto toda vez que, ao pregar o Evangelho, ouço me dizerem: “Sabia que o cara da outra repartição também vai a Igreja?”. “E que tem isso?” – eu pergunto, já imaginando a resposta… “Bem, de que adianta ir na Igreja se o camarada…”.

Ou então: “Marcelo, ontem eu senti tanto a presença de Deus quando todo o estádio cantava Zaqueu… Senti o Espírito Santo se movendo em mim, sabe?”. “Que bom… você tem ido a Igreja?” – não sei porque ainda pergunto! “Hum… não… aos domingos eu o Carlinhos fazemos um programinha mais intimista. Mas, ó, se na sua Igreja for ter alguma coisa especial não esquece de convidar agente, tá?”.

Em momentos assim, não consigo evitar a advertência de Spurgeon: às vezes, pensamos estar alimentando ovelhas, quando na verdade, estamos apenas divertindo os bodes. Que Deus tenha piedade da Igreja brasileira.

Paz e bem…

Marcelo Lemos

Fonte: Olhar Reformado (Visite o blog para ler o texto completo!)

Um pouco de maná: Você enxerga Deus na criação?

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. (Salmo 19.1-4)

Davi era um homem muito poderoso. Rei de Israel, o mais valente e conquistador no período da monarquia, Davi acumulava aquilo que os homens costumam buscar com mais avidez: poder, riqueza, fama, prazeres.

Porém, quando Davi parava e contemplava a natureza e todas as coisas que existem, era como se todas elas apontassem em uma só direção: Deus. Tudo o que ele havia conquistado de mais valioso não se comparava à grandiosidade da criação – aliás, à grandiosidade do Criador.

Davi conseguia enxergar o brilho de Deus nos céus, nas estrelas, no dia, na noite. Era como se, silenciosa, toda a criação estivesse permanentemente louvando, exaltando a perfeição e a glória dAquele que criou todas as coisas “pela palavra do Seu poder”.

Se pararmos para enxergar as coisas como Davi fazia, a questão não será: “Deus existe?”, mas: “Estamos contemplando e admirando satisfatoriamente a Sua beleza?” Esta é a pergunta que deve inquietar nossos corações.

Em Cristo,
Vinícius

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