Feliz 2010!

“Esquecendo-me das coisas que para  trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13-14)

Desejo a todos um 2010 de profundo crescimento espiritual. Que o Senhor continue nos guiando a Ele mesmo, e que nós possamos encontrar nEle todo o nosso prazer. Se Deus quiser, que este seja um ano de amadurecimento espiritual, e que nós possamos continuar frutificando em toda boa obra, crescendo no pleno conhecimento de Deus, sendo fortalecidos com todo o poder, com toda a perseverança, e dando sempre graças ao Pai, com alegria, pois Ele nos fez idôneos à parte que nos cabe da herança dos santos na luz.

Enfim, que seja um 2010 para o inteiro agrado de Deus! Que Ele conquiste cada vez mais os nossos corações.

Em Cristo,
Vinícius

O Natal é uma celebração verdadeiramente cristã?

Sei que há muita confusão e muito excesso quando se fala nesse assunto. Não é minha intenção pôr lenha na fogueira, mas, sim, caminhar em direção à Verdade.

Por isso, estou divulgando dois estudos bíblicos muito sérios. O primeiro é um texto do reformado A.W. Pink, servo de Deus respeitado pelo seu equilíbrio entre erudição e piedade. O segundo é um livrete publicado pela Editora Restauração, de autor desconhecido, com informações detalhadas sobre a origem do Natal e dos costumes natalinos.

A.W. Pink – “Natal”

“A Verdade Acerca do Natal”

Que o Espírito Santo nos conduza a toda a verdade.

Em Cristo,
Vinícius

II Congresso Missionário (Resumo): “A Suprema Importância De Uma Vida Cheia Do Espírito Santo”

Síntese do sermão proferido pelo Pr. Marcelo Fernando no II Congresso Missionário Água da Vida, em 11 de dezembro de 2009.


A SUPREMA IMPORTÂNCIA DE UMA VIDA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. (Isaías 6.8)

Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. (João 20.21-22)

Que é um missionário? É alguém enviado com uma missão. Quem envia um missionário? Não é a igreja, nem o homem; é o Senhor da seara quem manda os ceifeiros! Missão é um encargo, uma responsabilidade dada por Deus. Muitas mazelas da igreja moderna são resultado do esforço, até da boa vontade, de homens que não foram verdadeiramente enviados por Deus e que, por isso, não possuem um verdadeiro encargo.

O encargo de um missionário é este: que Cristo seja formado no homem. Não existe outro encargo dado por Deus. Deus envia homens que refletem Cristo para servirem de instrumento a fim de Cristo seja formado em outros. Deus só se responsabiliza por aqueles que Ele mesmo enviou, e Ele não envia pessoas de qualquer jeito.

A pergunta de Deus nestes dias continua sendo: “A quem enviarei?” Porque são poucos os que cumprem os requisitos de Deus para serem enviados.

Neste assunto, precisamos compreender que uma vida cheia do Espírito Santo é essencial para que cada crente (não apenas um missionário, no sentido que geralmente damos a esta palavra) possa cumprir o seu encargo do Senhor. Em João 20, Jesus diz: Assim como (da mesma forma que) eu fui enviado, eu vos envio. E como Jesus foi enviado? Certamente que foi no poder e controle do Espírito Santo. Então Ele mesmo diz: Recebei o Espírito!

É interessante notar que, durante 3 anos e meio, os discípulos de Jesus foram inseridos no mais intenso e profundo seminário teológico que alguém poderia experimentar. Eles certamente aprenderam tudo o que era necessário saber, muito mais do que nós hoje somos capazes de estudar com nosso conhecimento humano. Todavia, mesmo conhecendo toda a verdade, os doze discípulos – não apenas Judas! – trairam Jesus. Todos eles falharam! E por que tal aconteceu?

Todos eles foram reprovados porque lhes faltava uma coisa: PODER DO ESPÍRITO SANTO. Por este motivo, logo antes de subir aos céus, Jesus precisava fazer seus discípulos perceberem esta necessidade. Suas últimas palavras são como um alerta: “Falta poder em vós!!!”

Assim como os discípulos antes de Pentecostes, nossas vidas têm sido assim: sabemos o que temos de fazer, mas não conseguimos fazer. Por quê? Porque falta-nos poder do Espírito! No Reino de Deus, saber e querer não são a mesma coisa que PODER. Não se pode obedecer a Deus nem fazer a Sua vontade sem o poder do Seu Espírito.

Após passarem sete dias trancados no cenáculo esperando a promessa do Espírito Santo, quanta coisa mudou! Aqueles homens ainda eram os mesmos frágeis, convardes e inconsistentes discípulos de antes, mas tudo era diferente porque eles estavam cheios do Espírito Santo.

Precisamos compreender que, assim como existe um abismo intransponível entre o pecador e Deus antes da salvação, o qual somente pela Cruz se pode transpor, existe também um abismo intransponível entre o crente salvo pela graça e a vida abundante – e este abismo só pode ser transposto pelo Espírito Santo.

Também os heróis da fé da história da igreja podiam afirmar isto. Eles eram frágeis, cheios de debilidades, mas como Deus os encheu com o Seu Espírito! Muitos deles não eram pentecostais, isto é, não passaram pelas experiências carismáticas que nós costumamos chamar de “ser cheio do Espírito”. Mas todos eles eram “crentes da Bíblia”, que amavam conhecer e obedecer à Palavra de Deus. E Deus não pode deixar de encher do Espírito aquele que se submete à Sua vontade, isto é, à Sua Palavra.

Como poderemos, então, viver uma vida na plenitude do Espírito? A ação do Espírito Santo é constante e permanente na vida dos eleitos de Deus, e enquanto estivermos neste corpo não conheceremos a perfeição à qual Ele quer nos guiar. Todavia, se aprendermos a nos submeter à vontade do Espírito em cada situação, ouvindo a Sua voz e obedecendo aos Seus comandos, poderemos avançar até a maturidade espiritual.

Quando lemos Jo 16.8-11, geralmente pensamos no trabalho inicial do Espírito ao conduzir um homem a Cristo. De fato, quanto estávamos perdidos, o Espírito nos convenceu do pecado, da justiça e do juízo de uma forma especial. Nunca mais precisaremos ser convencidos naquele sentido, pois já fomos regenerados e recebemos uma nova vida. Entretanto, o Espírito Santo continua nos convencendo do pecado, da justiça e do juízo, numa obra sequencial e progressiva, capacitando-nos a experimentar a “vida abundante” do Senhor:

O Espírito nos convence do pecado. Não seremos úteis a Deus com pecados ocultos. O fluir do rio de águas vivas, que é o Espírito, não pode ser obstruído pelo pecado. Muitos crentes querem fazer coisas para Deus, mas a ordem do céu é: primeiro ser, depois fazer. Isto significa que precisamos deixar Deus trabalhar constantemente em nossas vidas, convencendo-nos do pecado e levando-nos ao arrependimento.

Quando lemos a história de Isaías, é exatamente isto que observamos: primeiro Deus trata com o pecado do profeta; somente depois Deus o convoca e o envia. O Senhor não envia pessoas impecáveis, pois somente o Seu Filho viveu sem pecado. Mas Deus envia pessoas tratáveis, homens nos quais Ele possa trabalhar para fazer prevalecer a Sua vontade. Quanto mais somos tratados, mais somos usados; nós crescemos à medida que nos arrependemos.

O Espírito nos convence da justiça. Existe apenas uma justiça aprovada por Deus, e tal justiça é CRISTO. Se nós cremos nisso quando fomos salvos, é bem verdade que muitas vezes somos levados a confiar em nossa própria justiça. O trabalho contínuo do Espírito Santo é convencer-nos de que tal coisa é inaceitável aos olhos de Deus. Há muitos avanços em nossa vida espiritual que, na verdade, são quedas, porque geram orgulho e nos afastam de Cristo como sendo a nossa justiça. Oh, que possamos estar alertas para o fato de que Satanás é perito em pegar crentes pela soberba! Em verdade, o crente que está crescendo espiritualmente não se dá conta disso, justamente porque Cristo está diante dos seus olhos, e Ele é a nossa justiça. Se qualquer outro padrão de vida for o nosso alvo – seja Spurgeon, Whitefield ou George Müller – talvez um dia sejamos como eles foram e nos gabemos disso. Mas se o nosso padrão for o Filho de Deus, então sempre O teremos à nossa frente e nunca estaremos satisfeitos ou orgulhosos daquilo que já alcançamos.

Que possamos sempre nos lembrar de que não fazemos nada – é, sempre, a graça de Deus conosco! (1Coríntios 15.10)

O Espírito nos convence do juízo. Há um juízo para os crentes: o Tribunal de Cristo, pelo qual receberemos segundo o bem ou o mal que tivermos feito por meio do corpo. Precisamos sempre nos lembrar que o juízo começará pela Casa de Deus, e isto significa que precisamos nos preparar, para que, quando esta hora chegar, não fiquemos envergonhados nem tenhamos que esconder o rosto do Senhor.

Que possamos buscar, dia após dia, uma vida cheia do Espírito.

A importância da pregação evangelística

“Se você quer ganhar almas para Cristo, sinta uma solene inquietação quanto a elas. Não será possível fazê-las sentir esta inquietação, se você mesmo não a sente. Creia no perigo em que as pessoas se encontram, creia na incapacidade delas, creia que somente Cristo pode salvá-las e fale com elas como se você quisesse realmente tratar sobre isso. O Espírito Santo comoverá essas pessoas, comovendo primeiramente a você. Se você pode ficar tranqüilo diante do fato de que elas não estão salvas, elas também ficarão tranqüilas. Mas, se você estiver cheio de agonia por essas almas e não puder tolerar que elas se percam, logo você descobrirá que elas também ficam inquietas. Espero que você chegue a tal condição, que sonhe com seu filho ou com seu ouvinte perecendo, porque não têm a Cristo, e comece imediatamente a clamar: ‘Ó Deus, dá-me convertidos, se não eu morro’. Então, você terá convertidos”.

C.H. Spurgeon (citado por Conrad Mbewe)

Fonte: Editora Fiel

Você está disposto?

Será que um homem que ama o seu SENHOR estaria disposto a ver JESUS vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria JESUS de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de CRISTO, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Charles H. Spurgeon

Fonte: Ministério Vidas em Cristo

Por aí: Cristãos palhaços (somos nós!)

[...] Com efeito, o mundo que se auto-intitula ‘evangélico’ há muito virou a diversão do mundo. Seja por promover ‘pão e circo’ com sabor religioso, e de auto-ajuda; seja por demonstrar quão patética é a pregação legalista dessa gente, principalmente quando contrastada com o testemunho de vida da grande massa que diz professar a fé cristã.

Quando eu era garoto, existiam desvantagens em ser evangélico. Na escola, por exemplo, eu tinha o apelido de “aleluia”, não apenas por ser cristão, mas também por morar numa rua que se chamava “Rua da Assembléia”, em homenagem a sua construção mais antiga. Porém, todos nos levavam a sério. Fazer negócio com meus pais, e amigos mais velhos, era quase garantia de segurança, pois confessamos ser discípulos de Cristo. E olha que nem sou tão antigo assim…

Hoje, todavia, o cenário mudou. Caso você se arrisque apresentar-se como “evangélico”, pode ser necessário acrescentar o adjetivo “honesto”; pois os dois termos têm andado muito longe um do outro – principalmente quando olhamos para os grandes escalões eclesiásticos. Pessoalmente nunca me apresento como evangélico, apesar de admitir não haver nada de errado com o termo em si; prefiro me apresentar como “cristão”, ou “reformado”, e ainda como “protestante”. Quando faço isso, sou normalmente interpelado com a seguinte questão: Que bicho é isso?

A multidão [supostamente] evangélica vai continuar crescendo, embalada por canções abomináveis como o hit ‘Zaqueu’, e outras imbecilidades teológicas travestidas de ‘adoração’. O fenômeno continuará crescendo, pois o povão gosta de circo. Não há nenhum milagre, ou avivamento, no crescimento número da galera gospel. Trata-se de algo absolutamente natural – os lobos oferecem diversão, e os bodes, convencidos de que são ovelhas, caem feito patinhos.

Quando tal crescimento será detido? Algum dia, provavelmente quando o número de feridos e roubados ultrapassar o número daqueles que desejam se lançar nos braços dos vendedores de ilusões. Enquanto isso não acontece, o verdadeiro cristão se sente como um… palhaço! Não importa o quanto gritamos e berramos o verdadeiro evangelho, a seriedade do pecado, e realidade do juízo vindouro; a luz de tudo que os professos cristãos andam fazendo, somos apenas… palhaços.

Que grandes palhaços somos, meus amigos! Falo a você, cristão renascido! Que grande palhaço é você! É assim que me sinto toda vez que, ao pregar o Evangelho, ouço me dizerem: “Sabia que o cara da outra repartição também vai a Igreja?”. “E que tem isso?” – eu pergunto, já imaginando a resposta… “Bem, de que adianta ir na Igreja se o camarada…”.

Ou então: “Marcelo, ontem eu senti tanto a presença de Deus quando todo o estádio cantava Zaqueu… Senti o Espírito Santo se movendo em mim, sabe?”. “Que bom… você tem ido a Igreja?” – não sei porque ainda pergunto! “Hum… não… aos domingos eu o Carlinhos fazemos um programinha mais intimista. Mas, ó, se na sua Igreja for ter alguma coisa especial não esquece de convidar agente, tá?”.

Em momentos assim, não consigo evitar a advertência de Spurgeon: às vezes, pensamos estar alimentando ovelhas, quando na verdade, estamos apenas divertindo os bodes. Que Deus tenha piedade da Igreja brasileira.

Paz e bem…

Marcelo Lemos

Fonte: Olhar Reformado (Visite o blog para ler o texto completo!)

Um pouco de maná: Você enxerga Deus na criação?

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. (Salmo 19.1-4)

Davi era um homem muito poderoso. Rei de Israel, o mais valente e conquistador no período da monarquia, Davi acumulava aquilo que os homens costumam buscar com mais avidez: poder, riqueza, fama, prazeres.

Porém, quando Davi parava e contemplava a natureza e todas as coisas que existem, era como se todas elas apontassem em uma só direção: Deus. Tudo o que ele havia conquistado de mais valioso não se comparava à grandiosidade da criação – aliás, à grandiosidade do Criador.

Davi conseguia enxergar o brilho de Deus nos céus, nas estrelas, no dia, na noite. Era como se, silenciosa, toda a criação estivesse permanentemente louvando, exaltando a perfeição e a glória dAquele que criou todas as coisas “pela palavra do Seu poder”.

Se pararmos para enxergar as coisas como Davi fazia, a questão não será: “Deus existe?”, mas: “Estamos contemplando e admirando satisfatoriamente a Sua beleza?” Esta é a pergunta que deve inquietar nossos corações.

Em Cristo,
Vinícius

II Congresso Missionário Água da Vida – Missionário: O Verdadeiro Heroi da Fé

Estamos divulgando o II Congresso Missionário Água da Vida, cujo tema este ano será Missionário: O Verdadeiro Herói da Fé.

Preletores:
Pr. Marcelo Fernando (Igreja Evangélica Água da Vida em Palmares)
Pr. Gaspar de Souza (Igreja Presbiteriana dos Guararapes)
Missionária Nelbe (servindo no Chade)

Local:
Igreja Evangélica Água da Vida – Rua Marcílio Dias, 24, Campina do Barreto, Recife/PE

Data:
11, 12 e 13 de dezembro de 2009.

Ore! Divulgue! Participe!

Em Cristo,
Vinícius

A Falsa “Unidade” e o Dever da Separação

Em tempos antigos, quando algumas das Igrejas de Cristo começaram a livrar-se do jugo do Papado que pesava sobre seus pescoços, o argumento usado contra a reforma era a necessidade de manter a unidade. “Você precisa ser paciente com esta ou aquela cerimônia e com este ou aquele dogma; não importa quão anticristão e profano. Você precisa ser paciente quanto a isso, ‘esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz’”.

Assim falou a velha serpente naqueles dias antigos: “A Igreja é una; ai daqueles que semeiam o cisma! Pode até ser verdade que Maria tenha sido posta no lugar de Cristo, que as imagens são adoradas, que vestimentas e trapos podres são reverenciados, e que o perdão é comprado e vendido para crimes de todo tipo; pode ser que a assim chamada igreja tenha se tornado uma abominação e uma moléstia sobre a face da terra; mas ainda assim, ‘ esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz ‘, você deve curvar-se, reprimir o testemunho do Espírito de Deus dentro de você, esconder a Sua verdade sob um alqueire, e deixar a mentira prevalecer.”

Este foi o grande sofisma da Igreja de Roma. Porém, quando ela não pôde mais seduzir os homens falando de amor e união, ela passou a usar o seu tom mais natural de voz, e amaldiçoou diretamente, a torto e a direito, de todo coração: e manteve a maldição até que ela mesma expire!

Irmãos, não havia nenhuma força no argumento dos Papistas. Efésios 4:3 insta para que nos esforcemos em manter a unidade do Espírito, mas não nos diz para manter a unidade do mal, a unidade da superstição, ou a unidade da tirania espiritual. A unidade do erro, da falsa doutrina, da tirania dos bispos, pode incluir o espírito de Satanás; não temos nenhuma dúvida disso; mas que esta seja a unidade do Espírito de Deus nós negamos veementemente. A unidade do mal nós devemos demolir com todas as armas que nossas mãos puderem agarrar. A unidade do Espírito, a qual devemos manter e nutrir, é outra coisa completamente diferente.

Lembrem-se que somos proibidos de fazer o mal para que venha o bem. Mas conter o testemunho do Espírito de Deus dentro de nós, esconder qualquer verdade que tenhamos aprendido pela revelação de Deus, refrear-nos de testemunhar pela verdade de Deus e da Sua Palavra contra o pecado e a tolice das invenções dos homens, todos estes seriam pecados dos mais imundos. Não ousamos cometer o pecado de extinguir o Espírito Santo, ainda que seja com a intenção de promover a unidade.

Certamente a unidade do Espírito nunca requer algum apoio pecaminoso; ela não é mantida suprimindo a verdade, e sim apregoando-a por toda parte. A unidade do Espírito tem como sustentação, dentre outras coisas, o testemunho de santos espiritualmente iluminados com relação à fé que Deus revelou em Sua Palavra. Aquela unidade, é uma unidade totalmente diferente que amordaçaria nossas bocas e nos transformaria em gado imbecilmente dirigido, para ser alimentado e depois abatido ao bel prazer de mestres sacerdotais.

O Dr. McNeil disse, acertadamente, que dificilmente um homem pode ser um Cristão sério em nossos dias sem ser um controversista. Somos enviados hoje como ovelhas para o meio de lobos. Pode haver acordo? Somos acesos como luminares no meio da escuridão. Poder haver conciliação? Não foi o próprio Cristo que disse, “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”? Vocês compreendem como esse é o mais verdadeiro método de esforçar-se para manter a unidade do Espírito; porque Cristo o homem de guerra, é Jesus o Pacificador; mas para a criação de paz duradoura, espiritual, as falanges do mal devem ser destruídas, e a unidade das trevas arrojada em tremor.

Peço sempre a Deus que nos preserve de uma unidade na qual a verdade seja considerada sem valor, na qual princípios dêem lugar à políticas, na qual as virtudes nobres e varonis que adornam o herói Cristão tenham que ser completadas por uma afetação efeminada de amor. Que o Senhor possa nos livrar da indiferença para com a Sua Palavra e vontade; porque isso cria a unidade fria de massas de gelo unidas em um iceberg, esfriando o ar por milhas ao redor, a unidade dos mortos enquanto dormem nas sepulturas, lutando por nada, porque não têm parte nem herança em tudo aquilo que pertence aos viventes. Há uma unidade que raramente é quebrada: a unidade dos demônios que, sob o serviço do seu grande mestre e senhor, nunca discordam nem disputam. Protege-nos desta terrível unidade, ó Deus dos céus! A unidade dos gafanhotos que têm um objetivo comum, com a sua glutonaria que arruína tudo ao seu redor; a unidade das ondas de fogo de Tofete, que arrasta miríades para a miséria mais profunda. Disso também, ó Rei dos céus, livra-nos para sempre!

Que Deus perpetuamente nos envie algum profeta que clame em alta voz para o mundo: “Sua aliança com a morte será anulada, e seu acordo com inferno não permanecerá”. Que sempre tenhamos alguns homens, mesmo que sejam ásperos como Amós, ou austeros como Ageu, que denunciem sempre de novo qualquer associação com o erro e qualquer acordo com o pecado, e declarem que estas coisas são abomináveis para Deus.

Nunca imaginem que a contenda santa seja uma violação de Efésios 4:3. A destruição de todo tipo de unidade que não está baseada na verdade é uma preliminar necessária à edificação da unidade do Espírito. Precisamos primeiro derrubar estas paredes feitas de argamassa ruim – estes muros cambaleantes construídos pelo homem – para que possa haver espaço para as excelentes rochas dos muros de Jerusalém colocadas umas sobre as outras para uma permanente e duradoura prosperidade.

C.H. Spurgeon

Fonte: Bom Caminho

A União Ecumênica ‘versus’ A Unidade do Espírito

“Solícitos em guardar a unidade do Espírito” (Efésios 4:3)

O falso princípio de uma união sobre a base de concessões mútuas goza de grande reputação e de uma bela aparência; mas é profundamente perverso e presunçoso. Supõe que a verdade está à nossa disposição. Filipenses 3 ensina um princípio totalmente diferente: não existe nenhuma idéia de concessão nem de nenhum arranjo para expressar a verdade para acomodar diferentes pontos de vista. Diz a Palavra: “Assim, todos os que somos perfeitos, isto mesmo sintamos” (v. 15). Não diz: “Façamos descer a verdade até a medida de quem não chegou à sua altura”. Tampouco se refere a duas pessoas que ignoram qual das duas tem a verdade, ou que estão satisfeitas de supor a possibilidade de engano quando renunciam mais ou menos ao que sustentam a fim de expressar seu acordo. Tudo isto constitui uma violação contra a autoridade da verdade sobre nós.

Segue dizendo o versículo: “e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá”. Aqui não se trata de uma questão de concessões, mas sim de caminhar juntos nas coisas que possuímos; e ao as reconhecer como a verdade de Deus, não podemos renunciar a nenhuma delas, mas sim, pelo contrário, todos nos sujeitamos a elas. Neste caso, não há lugar para nenhuma concessão, nem de um nem de outro lado; pois todos possuem a mesma verdade, havendo-a já alcançado em alguma medida, e todos caminham juntos, pensando a mesma coisa (compare-se 1Coríntios 1:10). O remédio para as diferenças de pensamentos que possam ficar, não é fazer concessões (como se poderia tratar assim com a verdade?), a não ser a revelação de Deus a favor daquele que é ignorante, como todos nós o somos sobre uma grande variedade de pontos.

Mas me objetará: “Sobre essa base, a gente nunca chegará a um acordo.” Mas onde encontramos na Palavra algo assim como “chegar a um acordo”? Chegar a um acordo não é a unidade da Igreja de Deus. A verdade não pode ser alterada, e não nos chama a impor pela força nossos imperfeitos pontos de vista sobre outros. Eu devo ter fé e, para andar juntos, todos devemos ter a mesma fé; mas nas coisas que recebemos como a verdade de Deus pela fé, não posso fazer concessões. Posso tolerar a ignorância, mas não posso acomodar a verdade para agradar a outros. Me perguntará: “Como podemos andar juntos em tal caso?” Mas por que estabelecer bases de unidade que requeiram ou unidade de opiniões, ou uma coisa tão perversa como a concessão desta ou aquela verdade? Quanto às coisas em que possuímos a verdade, e com respeito às quais temos fé, temos a mesma mente, andamos nelas juntos (Filipenses 3.16). Se chegasse a adquirir um maior conhecimento sobre alguma coisa, terei paciência com a ignorância de meu irmão até que Deus revele o assunto a ele. Nossa unidade jaz no próprio Cristo. Se a unidade depender de concessões, trata-se só de uma seita fundada sobre opiniões humanas, porque o princípio da absoluta autoridade da verdade se perdeu.

Me dirão que os verdadeiros cristãos nunca comprometerão os pontos fundamentais do cristianismo. direi : “entendo”; mas não é assim. Há muitos que estão de acordo apesar dos enganos que afetam os fundamentos. Sei que outros não estariam; mas isto não altera o fato de que o princípio de concessões não está de maneira nenhuma autorizado na Palavra, nega a autoridade da verdade sobre nós, e pretende poder dispor da verdade em honra à paz[1]. A Palavra supõe que suportemos a ignorância, mas nunca admite as concessões, por quanto não supõe que os homens possam elaborar regras diferentes dela mesma para chegar a um acordo.

Eu recebo a um homem “débil na fé” (Romanos 14); mas não lhe concedo nada como se fosse a verdade, nem sequer em um ponto tal como o “dos legumes”; talvez chegasse a negar verdades essenciais fazendo tal coisa. Tal caso pode acontecer, quando o fato de observar dias poderia pôr em dúvida a autenticidade cristã daquele que obra desta maneira (Gálatas 4:9-11). Pode haver outro caso do que só poderia dizer: “A respeito deste ponto, ‘cada um esteja plenamente convencido em sua própria mente’” (Romanos 14:5, 6, etc.). Às vezes o cristianismo inteiro depende de algo com o qual se pode ter paciência a respeito de outros pontos de vista (Gálatas 2:14).

Reitero, não há traço algum na Palavra de um sistema que suprima uma parte da verdade com o fim de ter uma confissão comum, a não ser justamente ao contrário. Nos tempos dos apóstolos estava a perfeita verdade, e Deus revelou tudo o que faltava, quando as circunstâncias eram contrárias. Todos eles eram de “um mesmo sentir”, de uma mesma mente, e caminhavam juntos, e não havia nenhuma necessidade de concessões. Ninguém pretendeu recorrer a uma coisa como esta. A Bíblia não contempla pretensões deste tipo. Seria mutilar a verdade para adaptá-la às idéias de muitos.

A Palavra, portanto, especialmente em Filipenses 3, condena este acerto de verdades mutiladas, feitas com o propósito de que outros as adotem, pois isso desonra a Deus e a sua verdade. Estes são os meios que se empregam para formar uma seita, a que se compõe daqueles que estão de acordo sobre os pontos que se estabelecem como fundamentos da união. Mas esta não é nunca a unidade da Igreja de Deus. Poderá ser uma seita ortodoxa, e inclusive abranger grande parte de uma nação, porque é um corpo formado sobre a base de um acordo ao qual os homens chegaram sobre certas verdades; mas isso não é a unidade da igreja de Deus. Nas “confissões ou declarações de fé” que se elaboram, não se trata de ter paciência com indivíduos que ignoram certos pontos, nem de reconhecer juntos que a algum falta o conhecimento disso, nem de iluminar a indivíduos que se encontram nesta situação: eles só declaram a verdade que possuem, a fim de que outros (por um acordo a essa declaração) unam-se a quem a tem adotado como fundamento da união. Para que todos a adotem, a profissão da verdade tem que ser reduzida à medida da ignorância de todos aqueles que ingressam, se forem sinceros nessa profissão; mas isto não é suportar, ter paciência, com outros, mas sim —como o tenho dito— se trata de pessoas que dispõem da verdade de Deus por um compromisso humano. É essa “a unidade do Espírito” (Efésios 4:3)?

De novo, prestem atenção a isto. Se eu conhecer a verdade, e faço uma concessão a fim de me unir a outros em uma confissão comum, minha concessão não é outra coisa que simplesmente conceder a verdade a alguém que não a quer ter. Agora, se junto com outros, faço concessões porque só temos opiniões e ignoramos a verdade, ou não temos certeza quanto a ela, que monstruosa pretensão, nesse estado de ignorância, é estabelecer uma regra para ser imposta a outros como fundamento da unidade da igreja, sob pena de não poder ser membro dela! Pode-me dizer: “Mas em lugar disto, você impõe suas próprias opiniões, ao estar seguro da verdade”. De maneira nenhuma; porque eu acredito em uma unidade que já existe: a unidade do corpo de Cristo, do qual todo cristão é membro (Efésios 4); enquanto que você estabelece uma união sobre pontos de vista a respeito dos quais se chegou mediante um acordo. você me dirá então que eu sou indiferente quanto à verdade. Não é assim; mas sim você empregou meios inadequados para guardá-la, impondo a outros a profissão de uma parte da verdade como base da unidade.

J. N. Darby

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