“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)
Eu não sei se há algum servo de Deus que você admire, ou que sirva de inspiração para a sua vida com o Senhor. Talvez você não tenha esses referenciais. Mas, se você tem algum, eu posso afirmar algo com grande chance de acertar: este servo de Deus começou a sua carreira na juventude.
Tem sido um fato na história do Cristianismo que os ministros que marcam a sua geração tenham iniciado seus ministérios na juventude. Ousados, intrépidos, decididos, determinados, eram jovens os grandes reformadores e avivalistas de quem temos notícias, quando Deus os vocacionou e começou a usá-los para o Seu propósito.
Todavia, quando olhamos para dentro das igrejas modernas, vemos que, de fato, estão abarrotadas de jovens; mas que impacto estes jovens causam nessas igrejas e no mundo ao seu redor? Eles são referenciais de ousadia, de coragem, de bravura, de paixão, de devoção, de entrega a Deus? Não! Pelo contrário, a maioria é vista como símbolo de imaturidade e inconstância. Os jovens cristãos são vistos como crentes nos quais não se pode pôr muita confiança.
Qual é a diferença? Por que aos vinte e poucos anos de idade A.W. Tozer e C.H. Spurgeon pastoreavam igrejas com unção e, nessa mesma idade, os jovens de hoje são tidos como imaturos e incapazes de assumir responsabilidades?
O trabalho com jovens tem-me permitido perceber uma característica que marca profundamente a juventude cristã dos nossos dias, e creio que essa característica explica, ao menos em parte, porque não se têm levantado muitos homens e mulheres de Deus entre nós. Trata-se de uma pergunta que eu escuto com muita freqüência. O jovem vem até mim e questiona: “Isso pode?” “Isso é permitido?” “É errado eu fazer isso?”
Nosso objetivo nesta reflexão é entender que esta pergunta é completamente inadequada, e não deveria nunca sair da boca de alguém que busca agradar ao Senhor! Recentemente, um jovem indagou-me se era errado praticar jiu-jitsu. Outro me questionou se era errado treinar karatê. Uma terceira ligou-me perguntando se poderia degustar um cálice de vinho.
Todas essas dúvidas são legítimas e surgem de forma natural na mente de um cristão, à medida que ele descobre que Deus o tem chamado para andar em santidade e retidão. O problema não está em possuir essas dúvidas. O problema está na pergunta que é feita, pois ela esconde algumas motivações. “Isso pode?” é a pergunta errada para um cristão fazer. Posso dar duas razões pelas quais faço tal declaração.
1. Tal pergunta revela um apego disfarçado pelo mundo. Ela deixa escapar que o crente, embora prossiga no caminho em que foi colocado pelo Senhor, está olhando para trás. Ele deseja ocupar seu tempo com coisas que o entretém e, mesmo que tais coisas não sejam erradas em si mesmas, elas têm em si o poder satânico de nos envolver. Como areia movediça, tais coisas parecem terra firme, mas na verdade elas nos enterram completamente e nos impedem de avançar. Quando um jovem me pergunta “Isso é permitido?”, posso afirmar com segurança que este jovem foi fisgado na mesma armadilha de Eva: a soberba dos olhos. Ele olha para o mundo, e seus olhos vêem tantas coisas atraentes! Então ele afasta-se daquelas que são manifestamente pecaminosas, mas deixa-se cativar pelas coisas que são aparentemente inofensivas. Jovem, fuja dessa pergunta! Para você, a Escritura diz: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lc 9.62)
2. O cristão que faz tal pergunta não está verdadeiramente preocupado em fazer o que é certo. Tudo o que ele deseja é não fazer o que é errado – e isso é muito pouco! Que tragédia é para Deus ter uma juventude que se satisfaz em não se envolver com pecados grosseiros, mas que não tem em seu coração o ardor de uma vida que busca agradar o Senhor. Escolhemos o caminho mais fácil, das regras e prescrições humanas, o caminho dos rudimentos do mundo – e por isso somos tão medíocres! Os jovens cristãos de hoje, só porque não estão curtindo o São João, só porque não dançam forró e não se embebedam, fazem coro com Laodicéia e dizem: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Oh, jovem, você nem sabe o quanto é miserável, pobre, cego e nu! Você está preocupado apenas em não ser visto como alguém que se deixa levar pelo pecado, mas você não se importa em ser alguém que serve ao Senhor no seu íntimo. Todas as vezes que você pergunta “É errado fazer isso?”, na verdade você diz: “Eu quero fazer o mínimo possível para o Senhor. Posso lutar para não fazer o que é errado, mas não quero verdadeiramente fazer o que é certo. Tudo o que quero é ser alguém correto diante dos outros cristãos ao meu redor. Mas não quero ser verdadeiramente irrepreensível diante do Senhor”.
Você entende por que essa pergunta é tão perversa? “Isso pode?” é uma pergunta centrada no eu, é uma pergunta que revela o quanto estamos interessados em satisfazer a nós mesmos e o quanto desprezamos o prazer de Deus. Que essa indagação nunca mais saia das bocas desta juventude!
[continua...]
Em Cristo,
Vinícius




5) “E vimos a sua glória”: Aqui está uma nota de gozo, de alegria, de vitória. O Verbo se manifestou entre nós com graça e verdade, porque precisávamos desesperadamente de Alguém que nos livrasse da terrível condição em que nos encontrávamos. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, escravos do pecado, e éramos, por natureza, filhos da ira. Mas, uma vez que fomos salvos do inferno pela Graça e libertos da mentira pela Verdade, existe um prêmio glorioso a nos esperar. Vida eterna? Sim, mas muito mais do que isso! A maravilhosa conseqüência de o Verbo estar entre nós é que podemos ver a sua glória. Quão inexplicável é a experiência de um pecador que, de repente, tem as escamas arrancadas, e então seus olhos se abrem para contemplar a glória do Filho de Deus! “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (
4) “Cheio de verdade”: Se o Filho de Deus veio a nós cheio de graça porque estávamos debaixo de uma terrível desgraça, que era a condenação do inferno, ele veio a nós cheio de verdade porque estávamos escravizados pelas nossas próprias mentiras. Jesus chamou alguns de seus aparentes seguidores de filhos do diabo, porque eles amaram mais as suas mentiras do que a Verdade que Jesus possuía. Também nós não somos assim? Não amamos mais as mentiras que nós construímos do que a verdade pura da Palavra de Deus? Não temos sempre uma desculpa, uma opinião, um “eu acho assim”, “eu penso desse jeito”? Ora, Jesus veio nos libertar da mentira e abrir os nossos olhos para Ele, que é a própria Verdade. Então deixe-me alertar você para três mentiras nas quais muitas pessoas acreditam e que têm levado miríades de homens para o inferno:

