Arquivo para a categoria 'Alimento sólido'

Por aí: A Perfeição Cristã

Ele sabia que não havia bem em nós muito antes que o soubéssemos. Por isso, quando Ele morreu, tomou o nosso velho homem e o crucificou na cruz com Ele. Mas não cremos nisso. Pensamos que somos muito bons para ser crucificados. Assim, depois que somos salvos, tentamos usar o nosso velho homem, a nossa velha energia para servir a Deus; tentamos guardar os mandamentos de Deus, até que cheguemos a um ponto e vejamos que não há bem em nós. Deus já nos crucificou com Cristo há dois mil anos, mas este homem morto ainda está tentando. Um dia, percebemos que fomos crucificados com Cristo. Não mais eu, mas é Cristo que vive em mim. Desisti de mim mesmo – de me parecer com Deus, de servir a Deus – estou morto, sepultado, fora da vista. É Cristo que vive em mim. Olho para Ele. Ele vive em mim. Quando você chega a isso, você cruzou o limiar. Você está entre os perfeitos porque o caminho da perfeição está agora amplamente aberto para você.

Fonte: Sede Vós Pois Perfeitos (livro de Stephen Kaung que está sendo traduzido pela Editora Restauração. Disponível gratuitamente)

Em Cristo,
Vinícius

Reforma e Reavivamento

A Igreja Evangélica Brasileira precisa não apenas de Reforma, mas, também, de Reavivamento. Não basta ter doutrina certa, é preciso ter vida certa. Não basta ter apenas luz na mente, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas conhecimento, é preciso ter fervor espiritual. Não basta apenas conhecer doutrina, é preciso ser transformado e impactado por essa doutrina. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas lhe faltava amor. A igreja de Esmirna tinha amor, mas lhe faltava doutrina. Ambas foram repreendidas por Cristo. Precisamos de doutrina e amor, reforma e reavivamento. Não glorificamos a Deus com o vazio da nossa mente e a plenitude do nosso coração nem glorificamos a Deus com a plenitude da nossa mente e o vazio do nosso coração. Deus não é exaltado quando deixamos de conhecer a verdade nem Deus é glorificado quando deixamos de nos deleitar nessa verdade. Razão e emoção não são coisas mutuamente exclusivas. Elas se completam. A emoção que não provém de uma mente iluminada pela verdade é vazia, rasa e inconsistente. Uma mente cheia do conhecimento da verdade, todavia, que não exulta de alegria e santo fervor está, também, em total desacordo com a vontade divina. Oh! Que Deus nos desperte para o conhecermos verdadeiramente! Oh! Que Deus nos encha daquela alegria indizível e cheia de glória, a fim de que nos deleitemos nele e passemos a viver tão somente para a sua glória!

Rev. Hernandes Dias Lopes (recebido por lista de discussão via e-mail)

O que é uma vida não-desperdiçada?

É o que significa ter uma vida não-desperdiçada: Cristo ser exaltado. Então, a essência da vida não-desperdiçada é que você viverá sua vida de tal forma – como lida com seu dinheiro, seu estado de solteiro, seu casamento, sua aposentadoria, seu câncer, seu assalto… -, sim, você lidará de tal forma que as pessoas concluam, pela sua vida: JESUS É MAIS VALIOSO QUE TUDO! (John Piper)

NOTA: Esta frase foi retirada de um sermão do John Piper, disponível no blog Voltemos ao Evangelho. A propósito, o “Voltemos” publicou uma série inteira de vídeos com este tema: Uma Vida Não-Desperdiçada. Assista e seja edificado!

Em Cristo,
Vinícius

A Bíblia é capaz de muito mais

DeVern Fromke, “A Janela Mais Ampla”
Fonte: Preciosa Semente

John MacArthur escreve: “Não muito tempo atrás, um homem que eu nunca havia visto entrou em meu escritório e disse: “Preciso de ajuda”, disse ele. “Sinto-me estranho em vir até você, pois nem mesmo sou cristão! Sou judeu! Até algumas semanas atrás, nunca havia entrado numa igreja. Preciso de ajuda, por isso decidi falar com você.”

Assegurei-lhe que faria o possível para ajudar. Convidei-o a assentar-se e expor o que o perturbava. A conversa foi mais ou menos o seguinte: “Sou duas vezes divorciado e agora vivo com uma mulher que é minha amante. Nem sequer gosto dela, mas não tenho coragem de deixá-la e voltar para minha segunda esposa”.

“Sou médico”, prosseguiu. “Pior ainda, vivo de fazer abortos! Mato bebês! No ano passado minha clínica faturou nove milhões de dólares só com abortos. Não faço apenas abortos legais, faço por qualquer outra razão. Ainda que uma mulher apareça lá sem motivo, eu arrumo um”.

“Há seis semanas, um domingo pela manhã, fui a uma igreja da Comunidade e desde então tenho ido toda semana. Na semana passada, você compartilhou sobre Ser entregue a Satanás. Se existe alguém sobre a terra que deve ser entregue a Satanás, esse alguém sou eu. Sei que estou condenado ao inferno por causa das coisas que fiz e, além disso, sou completamente desventurado e infeliz. Faço terapia constantemente, mas não tem me ajudado em nada. Não consigo suportar a culpa de tudo isso. Não sei o que fazer. Você pode me ajudar?”

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Pastores fiéis

Pr. Sylvio Macri
Igreja Batista Central de Oswaldo Cruz
[Recebido via e-mail. Divulgado na lista de discussão "Pastores", do Yahoo Grupos]

A palavra da hora é fidelidade e o nosso objetivo é aperfeiçoar os santos no cultivo da fidelidade. Mas sabemos que uma parte importante disso somente se dará pelo fato de termos pastores fiéis. É legítimo afirmar que para termos igrejas fiéis precisamos de pastores fiéis. Quando uma igreja sai dos trilhos, geralmente é porque o pastor dela já saiu antes. Mas o que é um pastor fiel? Nestes tempos de tanta variedade denominacional, teológica e metodológica (e de tanta liderança personalista), é possível traçar perfis divergentes daquilo que seria um pastor fiel. Por isso, é necessário novamente voltar à Bíblia e deixar que ela fale por si mesma, permitir que ela seja um parâmetro único para essa definição. Como diz o profeta Isaías: “À Lei e ao Testemunho!” (Is.8:20). Vamos à Bíblia, pois!

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Graças… a quem?

Sabemos que nossa justificação nos foi dada mediante a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, sem qualquer esfor­ço da nossa parte, mas pensamos que a santificação de­pende dos nossos próprios esforços. Sabemos que pode­mos receber o perdão mediante dependermos inteiramen­te do Senhor; contudo, cremos que podemos obter a li­bertação do poder do pecado fazendo alguma coisa por nós mesmos. Receamos que, se nada fizermos, nada acon­tecerá. Depois da salvação, o velho ato do “fazer” reafir­ma-se e começamos de novo aqueles nossos antigos esfor­ços próprios. Então, a Palavra de Deus soa de novo ao nosso coração: “Está consumado!” (João 9.30). Ele fez tudo, na Cruz, para alcançar o nosso perdão, e Ele fará tudo, em nós, para realizar a nossa libertação. Em ambos os casos, é Ele que opera. “É Deus quem efetua em vós”.

As primeiras palavras do homem libertado são precio­síssimas — “Graças a Deus”. Se alguém lhe der urn copo de água, você agradecerá à pessoa que lho deu, e não a qualquer outra. Por que disse Paulo, “Graças a Deus”? Porque foi Deus Quem tudo operou. Se tivesse sido Paulo quem fez a obra, teria dito: “Graças a Paulo”. Ele porém percebeu que Paulo era um “desventurado homem” e que somente Deus podia satisfazer a sua necessidade; é por isso que diz: “Graças a Deus”. Deus deseja fazer tudo, pois Ele deve ter toda a glória. Se fizermos uma parte do trabalho, então alcançaremos uma parte da glória; mas Deus recebe para Si toda a glória, porque a obra total é dEle, do começo até ao fim.

Watchman Nee
Watchman Nee,
A Vida Cristã Normal

Alimento sólido: “Crianças, filhos e adoção” – Nossa filiação celestial

Extraído do blog BaptistGadfly, em inglês.
Tradução por Vinícius Pimentel

(No original, o título é “Teknon, Huios & Huiothesia”, em referência às três palavras gregas analisadas. Todos os grifos são do original.)

Um escritor afirmou:

“No mundo Ocidental nós entendemos a adoção no sentido de tirar uma criança de uma família e torná-la membro de outra. Todavia, o pai Grego ou Romano adotava sua própria criança como filho. O nascimento o fazia uma criança (teknon); a adoção o fazia um filho (huios). Entre o período de nascimento e adoção, havia os estágios de crescimento, educação e disciplina, até que a maturidade era alcançada pela adoção para filiação. Pela adoção o filho era reconhecido como aquele que poderia ser o fiel representante de seu pai. Ele havia alcançado o estágio da maturidade, no qual o pai poderia encarregá-lo com a responsabilidade de supervisionar os negócios da família. O filho se torna o “herdeiro” do patrimônio de seu pai. O nascimento dá a alguém o direito à herança, mas a adoção dá a alguém a participação na herança.

O comentarista bíblico R. B. Jones expõe: “Ser um filho é infinitamente mais do que ser uma criança, e os dois termos nunca são confundidos pelo Espírito Santo. Não é uma diferença de relacionamento, mas de posição. Toda criança “renascida” de Deus possui nela a natureza de Seu Pai, e é um amado membro da família de Seu Pai. A adoção não pode tornar a criança nem um pouco mais próxima ou mais querida, contudo ela confere à criança um status do qual ela não desfrutava antes, uma posição que ela não ocupava. A adoção é o seu reconhecimento enquanto um filho adulto, a conquista de sua maturidade, o selo sobre o seu crecimento até a maturidade de mente e de caráter. Uma criança é um nascido de Deus; um filho é um ensinado por Deus. Uma criança possui a natureza de Deus; um filho possui o caráter de Deus.

Um outro aspecto dessa palavra grega, huios, que não pode ser desprezado envolve “semelhança”. O Novo Testamento contém o conceito expresso no provérbio “Tal pai, tal filho” (Mt 5.45,48). Era comum no hebraico empregar a palavra “filho” para expressar semelhança. Por exemplo, aqueles que são pacificadores serão chamados filhos de Deus porque eles são semelhantes a Deus (Mt 5.9). A semelhança de Deus, a Sua imagem, será “estampada” sobre aqueles que são levados à maturidade e adotados como filhos (Rm 8.29; 1Jo 3.2-3).

Filiação e Maturidade

A Bíblia fala de filiação tanto em termos de “posição” como de “experiência”. Por exemplo, algumas passagens se referem ao aspecto “posicional” da filiação, no qual Deus nos declara legalmente “adotados” como filhos através de sua eleição soberana (Rm 8.15; Gl 3.26; 4.5-7). As Escrituras claramente indicam que existe um degrau para o qual se espera que entremos no aspecto “experimental” da filiação, na presente era (Mt 5.9, 45; Rm 8.14). Por exemplo, nós somos exortados em Hebreus 6.1 a “prosseguir rumo à maturidade” (isto é, “filiação”), a pensar como homens maduros (1Co 14.20), e a crescermos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo (Ef 4.15).

Todas essas passagens, e muitas outras, nos convidam à maturidade, que é sinônimo do conceito de filiação.”

(Don Walker, “Entendendo a ‘Filiação’”,
disponível aqui – em inglês)

Outro escritor diz:

“A palavra insuficientemente traduzida como “adoção” é huiothesia e ocorre apenas cinco vezes no Novo Testamento. Não é encontrada nos evangelhos, ainda que o seu princípio ou seu sentido exato esteja lá. Antes de examinarmos as cinco ocorrências, e o contexto na qual elas se dão, é preferível primeiro observar a palavra huiothesia por si mesma. Os léxicos não concordam exatamente quanto ao significado da palavra. Geralmente, eles fornecem significados do tipo “adoção como filho”, mas é uma definição vaga.”

“A palavra huiothesia nunca é usada para significar “tornar um filho”, mas sim para “reconhecer um filho”. Cada filho que é reconhecido já existe como um filho. O grego nunca sugere tornar alguém um filho e alguns léxicos chamam a atenção para isso. O Strong G5206 também aponta o significado “reconhecimento de um filho”. Seguindo tal endendimento, no Thayer encontramos: “Aquele relacionamento que aprouve a Deus estabelecer entre ele mesmo e os israelitas, em detrimento de todas as outras nações … aquele estado bendito encontrado na vida futura após o retorno visível de Cristo dos céus …”

“A palavra aparece em cinco versículos nos quais nós deveríamos ler reconhecimento de um filho ao invés de “adoção”.

“Rm 8.15 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção (reconhecimento de um filho), baseados no qual clamamos: Aba, Pai.”

É este espírito que em nós habita que possibilita aqueles que nasceram do alto a clamar [gr. krazo] “Aba, Pai”. O Dr. Bullinger’s comenta: Aba, Pai. Diz-se que aos escravos nunca era permitido usar a palavra Aba. Exatamente por esta razão, ela apenas pode ser empregada por aqueles que receberam o dom da natureza divina.

Paulo continua:

“Rm 8.16 “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos crianças de Deus.”

“Rm 8.22-23 “Porque sabemos que toda a criação [ktisis], a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos (reconhecimento enquanto filhos), a redenção do nosso corpo.”

Neste verso nós vemos uma explanação do que é a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

(Arnold Kennedy, “O que verdadeiramente significa ‘adoção’?”,
disponível aqui – em inglês)

“A Versão Autorizada (AV) não distingue entre teknon e huios.”

(W.E. Vine, “Vine’s New Testament Words”)

NOTA: Estou estudando a diferença entre as palavras gregas teknon e huios. Nas traduções disponíveis em português, ambas são designadas como “filhos”, como se designassem sempre a mesma coisa. Porém não é assim, tanto que em inglês elas são traduzidas, respectivamente, como children e sons, algo como crianças e filhos. Às vezes, são usadas como sinônimos, mas mesmo nesses casos é pertinente a observação de que duas palavras diferentes nunca significam exatamente a mesma coisa, embora possam ser intercambiáveis.

Comentários à parte, quanto à tradução é bastante difícil escolher uma palavra portuguesa diante das tantas possibilidades que se apresentam em cada caso. E, justamente por estarmos discutindo as nuances semânticas de duas palavras, a tradução deveria ser o mais precisa possível. Devido à complexidade desse trabalho e à minha completa inexperiência, reconheço que o resultado final ficou aquém do esperado. Por este motivo, ficarei imensamente grato se os irmãos contribuírem com críticas à tradução. O link em inglês está no início do texto, para aqueles que puderem e quiserem cooperar.

Quanto ao conteúdo, quero dizer que este texto não expressa a minha opinião particular. Pelo contrário, estou apenas iniciando algumas pesquisas a respeito destes dois vocábulos e me dei conta da quase ausência de bom material em português na internet. Sendo assim, resolvi traduzir este para a edificação dos irmãos. Ficarei imensamente recompensado se receber toda sorte de comentários, críticas e adendos quanto ao real significado destas palavras gregas, ‘teknon’, ‘huios’ e ‘huiothesia’. Afinal, este blog deveria ser um propício ambiente à propagação, discussão e avaliação de idéias. Portanto, leiam, julguem, acrescentem, critiquem – enfim, comentem. Trata-se de um assunto bastante relevante para a nossa vida espiritual: a maturidade.

Creio que em breve postarei novas investigações acerca deste tema.

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Alimento sólido: O Chamado do Alto

Se Deus te chama a um relacionamento pessoal com Ele, então Ele mesmo tomará contas daquilo que você faz, fala e pensa

Por AUTOR CONHECIDO SOMENTE POR DEUS

(Traduzido do espanhol de um folheto encontrado na Colômbia, sem qualquer outra informação a não ser esta: Autor Conhecido Somente por Deus. Extraído do livro O Homem que Deus Usa, Editora dos Clássicos)

Se Deus tem chamado você para que seja verdadeiramente como Jesus com todas as forças de seu espírito, Ele estimulará você para que leve uma vida de crucificação e humildade, e exigirá tal obediência que você não poderá imitar aos demais cristãos, pois Ele não permitirá que você faça o mesmo que fazem os outros, em muitos aspectos.

Outros, que aparentemente são muito religiosos e fervorosos, podem ter a si mesmos em alta estima, podem buscar influência e ressaltar a realização de seus planos; você, porém, não deve fazer nada disso, pois se tentar fazê-lo, fracassará de tal modo e merecerá tal reprovação por parte do Senhor, que você se converterá em um penitente lastimável.

Outros poderão fazer alarde do seu trabalho, de seus êxitos, de seus escritos, mas o Espírito Santo não permitirá a você nenhuma dessas coisas. Se você começar a proceder dessa forma, Ele o consumirá em uma mortificação tão profunda que você depreciará a si mesmo tanto quanto a todas as suas obras.

A outros será permitido conseguir grandes somas de dinheiro e dar-se a luxos supérfluos, porém Deus só proporcionará a você o sustento diário, poque quer que você tenha algo muito mais valioso que o ouro: uma absoluta dependência dEle e de Seu invisível tesouro.

O Senhor perimitirá que os demais recebam honras e se destaquem, enquanto mantém você oculto na sombra, porque Ele quer produzir um fruto seleto e fragrante para Sua glória vindoura, e isso só pode ser produzindo na sombra.

Deus pode permitir que os demais sejam grandes, mas você deve continuar sendo pequeno; Deus permitirá que os outros trabalhem para Ele e ganhem fama, porém fará com que você trabalhe e se desgaste sem que saiba sequer quanto está fazendo. Depois, para que seu trabalho seja ainda mais valioso, permitirá que outros recebam o crédito pelo que você faz, com o fim de lhe ensinar a mensagem da cruz: a humildade e algo do que significa participar da Sua natureza. O Espírito Santo manterá sobre você uma estrita vigilância e, com zeloso amor, lhe reprovará por suas palavras, ou por seus sentimentos indiferentes, ou por malgastar seu tempo, coisas estas que parecem não preocupar aos demais cristãos.

Por isso, habitue-se à idéia de que Deus é um soberano absoluto que tem o direito de fazer o que Lhe apraz com os que Lhe pertencem, e que não pode explicar-lhe a infinidade de coisas que poderiam confundir sua mente pelo modo como Ele procede com você. Deus lhe tornará a palavra; e se você se vende para ser Seu escravo sem reservas, Ele o envolverá em um amor zeloso que permitirá que outros façam muitas coisas que a você não são permitidas. Saiba-o de uma vez por todas: você tem de se entender diretamente com o Espírito Santo acerca dessas coisas, e Ele terá o privilégio de atar sua língua, ou de colocar algemas em suas mãos ou de fechar seus olhos para aquilo que é permitido aos demais. Entretanto, você conhecerá o segredo do reino. Quando estiver possuído pelo Deus vivo de tal maneira que se sinta feliz e contente no íntimo de seu coração com essa peculiar, pessoal, privada e zelosa tutoria e com esse governo do Espírito Santo sobre sua vida, então, haverá encontrado a entrada dos céus, o chamado do alto, de Deus.

NOTA: Esse texto marca a minha vida há cerca de dois anos, desde a primeira vez que o li no livro “O homem que Deus usa”. Algumas frases martelam na minha cabeça todos os dias, de modo que eu não poderia deixar de postar este texto aqui. “Se Deus tem chamado você para que seja verdadeiramente como Jesus … ele … exigirá tal obediência que você não poderá imitar aos demais cristãos, pois Ele não permitirá que você faça o mesmo que fazem os outros, em muitos aspectos.” Não é exatamente sobre isto que temos falado tanto, aqui no marcados para impactar? Não se trata de seguir a denominação A, a doutrina B, a teologia Z. Trata-se de seguir Jesus com todas as forças de nosso espírito. É bem verdade que isso demanda mais tempo, mais dedicação e mas renúncia do que, na maior parte do tempo, estamos dispostos a oferecer. Mas que Deus tenha misericórdia de nós, e que nós possamos dar ouvidos a este chamado do alto, e que passemos a viver segundo este elevado padrão de vida.

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Alimento sólido: O Evangelho das crianças

Por BRENNAN MANNING

O evangelho de Mateus nos fala que as crianças têm um direito especial no amor de Deus:

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” Chamando uma criança, colocou-a no meio dele, disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. (Mateus 18.1-4)

Não há dúvida de que é necessário aprender a ser como uma criança para entrar no reino. Mas para se captar todo o vigor da expressão “como crianças”, nós precisamos perceber que a atitude judaica para com as crianças no tempo de Cristo era drasticamente diferente daquela que existe hoje. Temos a tendência a idealizar a infância, vê-la como a idade feliz da inocência, despreocupação e fé simples. Na comunidade judaica dos tempos do Novo Testamento, a criança era considerada sem nenhuma importância, não merecendo nenhuma atenção ou favor. A criança era considerada com desprezo.

Para o discípulo de Jesus, ser como uma criança significa aceitar a si mesmo como pouco apreciado, sem importância. Esta compreensão de nós mesmos muda não somente o modo como vemos nosso valor, mas também o modo como vemos a graça salvadora de Deus. Se a criança judia recebesse dez centavos de mesada do pai no fim da semana, ela não os consideraria pagamento por varrer a casa, lavar a louça e assar o pão. Era um presente completamente imerecido, um gesto de absoluta generosidade de seu pai.

Jesus deu a esses pequeninos desprezados o privilégio de seu reino e os apresentou como modelos para os discípulos. Eles deviam aceitar o dom do reino da mesma maneira que uma criança aceita a mesada. Se as crianças eram privilegiadas, não era porque tinham merecido tal privilégio, mas simplesmente porque Deus se agradava delas. A misericórdia do Senhor fluiu para elas total e completamente em razão da graça imerecida e da preferência divina.

Outro texto importante destaca o privilégio das crianças. O hino de louvor diz: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado” (Lc10.21).

A bênção de Deus recai sobre as crianças porque são criaturas desprezadas, não por causa de suas boas qualidades. Elas podem estar cientes de sua pouca importância, mas este não é o motivo pelo qual as revelações lhes são dadas. Jesus expressamente atribui a bênção que elas recebem à boa vontade do Pai, à eudokia divina. Os dons não são dados pela mais leve qualidade ou virtude pessoal. Eles são pura generosidade.

(Texto extraído do livro “Convite à loucura”, de Brennan Manning, publicado pela editora Mundo Cristão.
Recomendo este livro à todos!)