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Correndo a carreira até o fim (2)

Correndo a carreira até o fim (2)

[Antes de ler este post, leia "Correndo a carreira até o fim (1)"]

2. EXISTE UM PERIGO REAL E EMINENTE DE QUE NÃO CHEGUEMOS AO FINAL DESTA JORNADA, E FIQUEMOS NO MEIO DO CAMINHO

“Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12.3)

Se, de fato, existe uma carreira que nos foi proposta por Deus e que deve ser corrida com perseverança até o fim, também existe o perigo real de que esta carreira nunca seja acabada. O versículo 3 do texto que estamos estudando é um alerta para que nenhum crente ignore o fato de que ele pode se cansar (“fatigar-se”) e até desmaiar no meio do caminho. Será que temos esta consciência?

É importante notarmos que o cansaço e o desmaio que nos ameaçam não significam a mesma coisa que apostatar da fé. A apostasia revela que o apóstata nunca pertenceu verdadeiramente ao Senhor (conforme 1João 2.19). Todavia, creio que aqui o escritor aos Hebreus está se dirigindo aos crentes, aqueles que foram verdadeiramente salvos e remidos no sangue de Jesus.

O perigo de cansar-se ou desmaiar, portanto, não é o perigo de abandonar Jesus. Ora, aqueles que pertencem ao Senhor serão preservados pelo próprio Jesus, como Ele mesmo nos prometeu! “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (João 10.28) E qual é o perigo, então? Observemos as nossas próprias vidas, e veremos que muitos crentes verdadeiramente salvos pararam de avançar, de crescer, de amadurecer. Eles pararam no meio do caminho, cansados ou desmaiados, e ficaram vendo os outros crentes avançarem. Estes crentes nunca poderão repetir a frase gloriosa do apóstolo Paulo ao final de suas vidas: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Eles nunca sentirão o prazer de terem entregado suas vidas por completo ao controle do Espírito Santo. E, embora entrem no céu, posto que foram verdadeiramente nascidos de novo pela ação do Espírito Santo, não será sem dano que estes crentes serão salvos: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.14-15)

Observemos a vida de Moisés. Seu nome está arrolado na galeria dos heróis da fé, em Hebreus 11. Não restam dúvidas de que Moisés foi salvo, e sua vida permanece um grande exemplo de fé e serviço a Deus para todos nós. Todavia, embora Moisés tenha servido o Senhor, sendo usado poderosamente para libertar Israel da escravidão do Egito, ele não entrou na terra prometida. Por quê? Por causa de um pecado cometido no final da carreira.

Oh, que nós possamos sentir o terror deste verdadeiro perigo que nos ronda! Que possamos temer ficar no meio do caminho! O próprio Paulo, embora estivesse plenamente convicto de sua salvação, sabia que havia um risco de não terminar a jornada e o desafio que Deus lhe tinha proposto: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” (1Coríntios 9.27)

Gostaria de enfatizar mais um pouco: alguns crentes jamais poderão dizer que concluíram o seu trabalho em vida, e serão desqualificados pelo Senhor por causa disso. Estes são aqueles que ficam pelo meio do caminho, cansaços ou desmaiados. E o que faz um crente chegar a tal estado de sua vida espiritual? Podemos citar, como exemplo, algumas causas de cansaço e desmaio na jornada da vida cristã:

Pecados não confessados – “Se eu no coração contemplara a vaidade [ou iniquidade], o Senhor não me teria ouvido.” (Salmo 66.18) Muitos crentes deixaram de crescer porque guardam pecados em seu coração. Podem ser “pecadinhos” ou “pecadões”, mas todo pecado amarra o crente e impede o seu avanço na caminhada.

Derrotas seguidas pela carne – O crente que cai seguidamente na mesma armadilha da carne acaba se cansando de lutar e, por fim, desmaia. Falamos bastante sobre isso nos posts “O que eu faço com Romanos 6?”, “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)” e “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)”.

Soberba e arrogância – Aquele que pensa já ter aprendido o suficiente, ou acha que não precisa de outros que o ajudem na caminhada, certamente ficará no meio do caminho. Mais cedo ou mais tarde, sentir-se-á cansado e desfalecerá.

Contentamento com a mediocridade – Isso acontece quando um cristão olha para os demais crentes à sua volta e pensa: “Eu vivo como eles também vivem. Isso basta”. Oh, que nunca venhamos a nos nivelar pelo padrão dos homens, mas que tenhamos sempre em vista Jesus, o nosso eterno e perfeito Salvador.

Inimizades com irmãos – É impressionante a facilidade com que nós crentes nos deixamos ferir. Existem muitos cristãos que deixaram de crescer porque se magoaram com um irmão da tal maneira que não conseguem olhar para mais nada em suas vidas senão para suas feridas de alma.

Envolvimento com as coisas desta vida – Família, trabalho, amizade, namoro, dinheiro – todas estas coisas fazem parte desta vida, e por isso não podemos deixar de lidar com elas. Entretanto, jamais podemos nos envolver com elas a ponto de o nosso crescimento e avanço em Deus serem impedidos. Quantos de nós não temos deixado de percorrer a carreira por causa delas!

Invejas e ciúmes – Reparar demais nas coisas que os outros têm também é um dos motivos pelos quais um cristão pode ficar cansado ou desmaiado em sua jornada.

Frustrações com pessoas – Será que você nunca viu uma situação como essa? Crentes que se decepcionam com pastores, líderes e irmãos em quem confiavam, e jamais são os mesmos por causa disso. Esta é uma das causas mais preocupantes de desmaio na fé.

Frustrações consigo mesmo – No calor da comunhão com Deus, sempre fazemos tantos planos e e votos! Mas poucos de nós verdadeiramenre conseguimos perseverar neles. A maioria simplesmente se frustra quando seus projetos demoram a dar certo ou não acontecem como se imaginava. Frustrações seguidas por este motivo causam paralisia na caminhada!

Lembre-se: ficar no meio do caminho é um perigo real na vida de todo crente em Cristo Jesus. Nunca pensemos que somos imunes a este risco, pois isto, por si só, já representa um verdadeiro desmaio na jornada da vida. Que possamos nos desembaraçar de todo peso e de todo pecado que tenazmente nos assedia, deixando para trás qualquer causa de cansaço ou desmaio.

Como podemos, então, escapar desse perigo de ficarmos no meio do caminho? Como podemos chegar ao fim da jornada com a certeza de que completamos a nossa missão? Este é o assunto do próximo estudo.

[continua]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Correndo a carreira até o fim (1)

Correndo a carreira até o fim

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12.1-3)

O propósito desta mensagem é mostrar 3 verdades bíblicas que estão descortinadas nos três primeiros versículos do capítulo 12 de Hebreus:

  1. Todo crente, uma vez salvo, é colocado em uma jornada e deve percorrê-la até o fim;
  2. Todavia, existe um perigo real e eminente de que não cheguemos ao final desta jornada, e fiquemos no meio do caminho;
  3. O único meio de perseverarmos até o fim da carreira é mantendo os olhos fixos em Jesus.

1. TODO CRENTE, UMA VEZ SALVO, É COLOCADO EM UMA JORNADA E DEVE PERCORRÊ-LA ATÉ O FIM

A primeira coisa que observamos no texto em questão é que fomos convocados a correr uma carreira. Esta é uma verdade reiterada por todo o Novo Testamento, embora também seja uma das verdades mais ignoradas pelos cristãos atualmente.

O fato é que, enquanto estávamos perdidos, estávamos num terreno de morte e de perdição. Todavia, quando Deus nos resgatou, nós fomos definitivamente removidos desse terreno e colocados em um novo terreno, que é o terreno da ressurreição. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14). A salvação é justamente a nossa remoção de um terreno velho e infértil para o maravilhoso solo de Cristo e de Sua vida.

O que a maioria dos cristãos não compreende é que tal remoção não é o final da história, mas o começo. A salvação não é o fim do caminho, mas apenas o pontapé inicial da carreira em que Deus nos inseriu. Sem a salvação, jamais poderíamos correr a carreira, pois estávamos no terreno errado, o terreno da morte. Mas uma vez que fomos tirados desse velho terreno e colocados em um novo plano de vida, precisamos saber o que fazer com esse “tudo se fez novo” que o Senhor nos deu através da graça. Em outras palavras, a salvação que recebemos trouxe absoluta novidade de vida para nós: um coração novo, um espírito novo, um novo Soberano, uma nova natureza, uma nova lei em nosso homem interior… Só que toda essa herança recebida de graça deve servir a um propósito, e este propósito é precisamente a carreira para a qual fomos chamados.

A segunda coisa que observamos a este respeito é que esta carreira é proposta por Deus. Nós não nascemos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E foi o próprio Deus quem nos designou uma carreira a percorrer e um alvo a alcançar. Se existem muitos crentes que ignoram o fato de estarem numa carreira, também existem muitos crentes que estão tentando correr a sua própria carreira, e não a carreira que Deus propôs. E a verdade é que ninguém pode encontrar pleno gozo em sua salvação se não estiver em conformidade com aquilo que Deus planejou para nós como nossa missão. Não é nossa responsabilidade estabelecer a nossa jornada; nosso dever é alinharmo-nos à vontade de Deus e percorrer a jornada que ele previamente determinou.

Quando observamos a vida do apóstolo Paulo, podemos distinguir três fases da sua carreira. Isto é importante, porque também nós precisamos passar por estas três fases na nossa jornada em Cristo. Em Filipenses 3.12, Paulo diz: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”. Em Atos 20.24, o mesmo Paulo afirma: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus”. Por fim, em 2Timóteo 4.7-8, o apóstolo diz as últimas palavras de sua peregrinação na terra: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”.

Aqui nós enxergamos três fases bem distintas de Paulo sobre como ele se enxergava em relação à carreira que Deus lhe tinha proposto. Primeiro, ele diz: “Ainda não completei a carreira”. Depois, “Tudo o que me interessa é completar a minha carreira”. Por fim, indo em direção à morte, o velho Paulo descansa nestas palavras: “Completei a carreira, e estou seguro do prêmio que receberei”.

Nós precisamos passar por esta mesma experiência! Se é verdade que ainda não terminamos nossa jornada, é uma verdade ainda mais importante que toda a nossa vida deve ser direcionada de tal forma que, no fim dela, possamos olhar para trás e dizer: Eu terminei! Cumpri a minha missão! Estou certo de que o Senhor, reto Juiz, me recompensará por isso.

Todavia, quantos de nós realmente concentramos os nossos esforços nesse sentido? Estamos realmente em busca de completar a jornada? Estamos sendo perseverantes nessa caminhada? Temo que muitos de nós, ao fim de sua vida, não poderão olhar para trás e dizer: “Completei a carreira”, mas, lamentando, terão que reconhecer: “Eu desperdicei tanto tempo! Joguei fora tanto vigor! Negligenciei tantos dons!”

Não é esta a vontade de Deus para nós. Ele está fornecendo toda provisão necessária para que possamos terminar a carreira. Mas existe, sim, um perigo real de que não venhamos a concluí-la. Sobre isso falaremos no próximo post, se Deus permitir.

[continua]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)

[Antes de ler este estudo, leia "O que eu faço com Romanos 6?" e "As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)"]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Como podemos reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência de completa vitória sobre o pecado? O segredo está nas duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7:

“MISERÁVEL HOMEM QUE SOU!”

Todo cristão precisa descobrir o quão imunda, inútil, imprestável e miserável é a nossa carne. É triste que a maioria de nós não consiga entender que “carnalidade” não é apenas cometer pecados grosseiros, mas é também qualquer tentativa de vencer o pecado na sua própria força. Sim, lutar contra o pecado confiando em seus esforços humanos é uma grave demonstração de carnalidade!

São poucos os crentes que compreendem esta verdade: não existe NADA de bom em nós mesmos, nada que agrade a Deus. Todas as nossas melhores obras e esforços são diante dele como trapos de imundícia! E são menos ainda os crentes que de fato vivenciam esta realidade no seu dia-a-dia. Sim, porque não basta saber que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum”; é preciso que tal realidade produza em nós uma total desistência, uma completa resignação quanto ao fato de que não podemos vencer o pecado com base num esforço próprio.

Não há qualquer esperança de vitória enquanto confiamos na nossa carne! Nossos esforços, nossos métodos, nossas estratégias, nossos jejuns, nossas orações, nossa aparente piedade – nada disso pode ser a base da nossa confiança! Nenhum cristão pode experimentar uma vitória definitiva e completa sobre o pecado enquanto não aprender a dizer: “Miserável homem que sou!” Precisamos desprezar a nossa carne antes de podermos guerrear contra ela.

Alguns comentaristas sugerem que Romanos 7 relate algum tipo de crise pela qual o apóstolo Paulo estava passando. Apesar de esta ser uma questão difícil, não me parece plausível que Paulo estivesse falando de alguma experiência meramente pessoal. Os capítulos 6 e 8 da carta aos Romanos relatam dois dos mais gloriosos fundamentos da vida cristã: a nossa posição de vitória em Cristo e a nossa experiência de vitória sendo guiados pelo Espírito. O capítulo 7 mais parece ser um hiato, uma passagem crítica que deve ser essencial para todo crente que queira experimentar a vitória sobre o pecado através de uma vida guiada e controlada pelo Espírito Santo.

O que isto significa? Que não podemos vencer o pecado sem antes desistirmos de nós mesmos. Não podemos experimentar o gozo da plena libertação que Cristo conquistou para nós se primeiro não abandonarmos qualquer tentativa de auto-libertação. Você dirá: “mas eu não confio em mim mesmo! Eu sei que tudo é graça!” Todavia conhecer as doutrinas da graça não é o mesmo que experimentá-las e viver por elas. São muitos os que crêem que, tendo sido salvos pela graça, agora devem empreender um largo esforço para perseverarem em sua carreira. Não! Não pode restar qualquer tipo de expectativa de que eu seja capaz de alguma coisa. Uma tal esperança irá me levar a confiar na carne e, fatalmente, o resultado será aquele de que falamos no estudo anterior: frustração, inconstância e desespero.

Que possamos nos unir a Paulo e gritar, com plena convicção: Miserável homem que sou! Que esta seja uma experiência diária de mortificação do nosso ego.

“GRAÇAS A DEUS POR JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR”

Mas e daí? Basta que um crente desista de lutar contra o pecado com base no seu próprio esforço, e então ele estará livre do seu domínio? Já vimos no primeiro estudo que não. Desistir de lutar contra o pecado é diferente de desistir de vencer o pecado. A primeira desistência revela que aprendemos a não confiar na carne; a segunda revela que, na verdade, nos rendemos aos desejos dessa mesma carne.

Não é suficiente que eu remova as minhas esperanças de vitória com base num esforço próprio; é preciso que eu transfira essas esperanças para alguém que possa satisfazê-las plenamente. E em quem eu encontro tal conforto? Certamente que em Jesus Cristo, nosso Senhor!

Ora, se eu não posso vencer o pecado, certamente há alguém que pode, e já venceu! Aquele que foi tentado em todas as coisas, como nós também somos, todavia sem pecado; Aquele que veio ao mundo sem pecado e saiu dele sem pecado – é neste que colocamos a nossa confiança! Se, por um lado, eu descubro em Romanos 7 que não posso derrotar a carne usando a própria carne, lá eu também descubro que posso obter esta vitória confiando em Jesus Cristo, nosso Senhor.

A base para tal confiança são justamente as verdades gloriosas de Romanos 6, as quais também podemos encontrar em todo o Novo Testamento. Muito mais do que um sacrifício substitutivo, a obra de Jesus foi também um sacrifício representativo ou inclusivo. Se é verdade que Jesus morreu por nós como aquele que sofreu a ira de Deus por causa dos nossos pecados, também é verdade que nós morremos com Jesus para nos livrarmos do domínio do pecado em nossas vidas. Sendo assim, fomos incluídos em sua cruz e sua morte para sermos livres do pecado. Mas também fomos incluídos em sua ressurreição para desfrutarmos de uma nova vida – ou melhor, para desfrutarmos da Sua vida, a vida eterna, a vida do próprio Deus Eterno. E, para além de tudo isso, fomos incluídos em sua ascensão gloriosa, pois Deus “nos fez assentar em lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2.6).

Oh, que verdades gloriosas! Deus nos incluiu em Cristo para que possamos desfrutar da sua completa vitória. Se não estamos em plena união com Ele, estamos derrotados. Mas a verdade é que já fomos unidos a Ele: estamos mortos com Ele, ressuscitados com Ele, e assentados com Ele em lugares celestiais. Se damos graças a Ele por tudo o que Ele conquistou para nós, obtemos completa vitória em nossa experiência de vida.

DUAS EXPERIÊNCIAS BEM DISTINTAS

Você compreende a diferença entre o crente carnal e o crente espiritual, nessa questão da luta contra o pecado? O crente carnal luta com todas as suas forças para resistir ao pecado, obtém algumas vitórias parciais sobre ele, mas será inevitavelmente derrotado, mais cedo ou mais tarde. O resultado é frustração e inconstância – uma vida cheia de altos e baixos, até que este crente finalmente chegará ao desespero e desistirá de vencer o pecado.

O crente espiritual, por sua vez, é aquele que passa pela difícil caminhada de Romanos 7. E, nessa caminhada, ele descobre que sua carne não presta nem mesmo para boas obras, e então desiste de lutar contra o pecado em seus próprios esforços. Todavia, ao invés de assumir uma postura de passividade e indiferença, o crente espiritual descobre que Cristo Jesus já conquistou toda a vitória e a tornou disponível para nós! Ele, então, se apodera dessa vitória e passa a reinar com Cristo sobre a terra. Como ele se apodera? Dando graças a Deus por Jesus Cristo. Sim, o louvor é a chave para obtermos esta graça.

Embora seja verdade que todo crente possa dizer que está assentado em lugares celestiais em Cristo, nem todos os filhos de Deus podem dizer que reinam com Cristo sobre a terra (Ap 5.10) e nem todos podem dar graças a Deus porque, em Cristo, sempre andam em triunfo (2Co 2.14). Você pode, com base na sua experiência diária, fazer essas duas afirmações? Você pode afirmar que tem obtido, em Cristo, completa vitória sobre o pecado? O segredo está em desistir de si mesmo, e dar graças a Cristo, confiando que é em Sua obra perfeita que reside a nossa experiência de triunfo.

Que nossa vida diária possa ser conduzida por essas duas afirmações: “Miserável homem que sou” e “Graças a Deus por Jesus Cristo”, a fim de que alcancemos completa vitória em meio às tentações.

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)

[Antes de ler este estudo, leia "O que eu faço com Romanos 6?"]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Já vimos que Romanos 6 nos mostra as verdades de fé, a posição vitoriosa de um homem justificado do pecado. Mas existe uma questão a resolver: se Deus nos diz que já morremos para o pecado, que fomos feitos servos da justiça e que o pecado não terá domínio sobre nós, por que então vemos tantos cristãos escravizados pelo pecado em suas vidas? Se Deus nos libertou e nos deu uma posição de completa e definitiva vitória sobre o pecado, por que a maioria dos cristãos não experimenta essa realidade de fé que nos é revalada na Escritura? Haja Deus falhado?

Certamente que não! Seja Deus verdadeiro e todo homem, mentiroso! Deus não falha em Sua Palavra e Ele não falhou no que diz em Romanos 6. Ora, se cremos que Deus pode fazer aquilo que Ele diz que irá fazer, como não creremos que Deus pode ter feito aquilo que Ele disse que já fez?

Perguntamos de novo: por que razão muitos cristãos não experimentam vitória sobre o pecado, apesar de terem efetivamente sido salvos e colocados numa posição vitoriosa em Cristo?

A resposta para todas essas indagações está em Romanos 7. Se Romanos 6 nos relata a posição de vitória do cristão, Romanos 7 é a triste descoberta de que, apesar de tal posição, permanece em nós uma terrível força que nos impulsiona para fazer o mal. Esta força é a carne. E é ela o grande empecilho para que o cristão desfrute e goze das alegrias de uma vida que vence o pecado.

QUEM MORREU?

O problema não está em que Deus não tenha providenciado, em Cristo, tudo o que precisamos para a nossa caminhada cristã em vitória. Ele o fez. O problema é com a nossa postura, com a forma como reagimos às investidas do pecado em nosso dia a dia.

Precisamos compreender que Romanos 6 não diz que o pecado morreu para nós, mas que nós morremos para o pecado. O pecado continua existindo, seduzindo e tentando aqueles que Cristo já alcançou. O pecado continua tão pecaminoso quanto antes! Tão sutil, ardiloso e feroz como sempre foi. A nossa esperança de vitória não está em que o pecado deixe de nos afrontar, mas em que nós possamos ser interiormente libertos do seu domínio.

Entretanto, ao tentarmos vencer o pecado interiormente, encontramos em nós mesmos aquela força maligna que nos impulsiona não para longe do pecado, mas para perto dele! Essa é a triste descoberta do apóstolo Paulo: que, embora Cristo tenha efetivamente nos incluído em sua morte e nos livrado do domínio escravizador do pecado, permanece em nós uma força colossal que tenta nos tornar, outra vez, seus escravos.

Essa descoberta é um fato da experiência de todo cristão. Mas como reagimos a ela? Como lidamos com o fato de que a nossa carne continua desejando o pecado?

AS DUAS REAÇÕES DO CRENTE CARNAL

Infelizmente, a maioria dos cristãos não assume uma postura correta diante das tentações. Eles fazem exatamente o que a carne espera que eles façam!

Muitos simplesmente desistem de obter vitória sobre o pecado. Quando vêem o pecado diante de si, sentem-se atraídos por ele. Então, percebendo a força daquela atração, tais cristãos afrouxam e se deixam levar pelas tentações. “Não adianta lutar, o pecado é  mais forte do que eu”, é esta a conclusão a que chegam. Entram num estado de passividade, entregam-se às suas próprias paixões e desejos, e começam a conviver com aquilo que muitos têm chamado “pecados de estimação”. Acostumam-se com aquela derrota, e se tornam cristãos derrotados.

Oh, mas não foi para isto que Cristo nos libertou! Ele não nos livrou para voltarmos, outra vez, ao domínio do pecado! O Espírito pergunta: “Como viverão ainda no pecado aqueles que já morreram para ele?” Que possamos compreender que Cristo nos libertou para sermos, verdadeiramente, livres!

Há ainda um outro grupo de crentes que reage de forma diferente. Quando a tentação se apresenta diante desses cristãos, eles cingem os lombos, entram em “posição de combate” e pensam: vamos à luta! Todavia, esta postura também é carnal. Estes crentes fazem bem em lutar contra o pecado, mas fazem muito mal em usar a arma errada! Eles confiam na força do seu próprio braço; eles contam com seus próprios esforços para viver a vida cristã e obter vitória.

As consequências dessa segunda atitude contra o pecado são frustração e inconstância. O crente que luta contra o pecado como se este fosse um inimigo ainda por vencer descobrirá da pior forma possível que é totalmente incapaz de fazer o que agrada a Deus. Ele conseguirá obter algumas vitórias parciais sobre o pecado; conseguirá fugir de algumas tentações e esboçará algum sucesso. Mas está, inevitavelmente, fadado ao fracasso, porque não percebeu ainda que o querer o bem está nele; não, porém, o efetuá-lo.

Você conhece crentes assim? Talvez você seja um deles. Eles são muito sinceros na sua devoção e no seu desejo de agradar a Deus. Todavia eles são carnais. Eles confiam em seus próprios esforços para viver a vida cristã. É por isso que tais cristãos são marcados por frustração e inconstância. Um dia estão muito bem, porque obtiveram algum sucesso sobre determinados pecados. No dia seguinte, contudo, aqueles mesmos pecados retornam e os vencem. E, então, eles se frustram e já não sabem o que fazer.

Watchman Nee certa vez escreveu: “Aqueles de nós que são derrotados gastam os seus dias em derrota e vitória, vitória e derrota, pecando e arrependendo-se e arrependendo-se e pecando: é uma vida que continuamente anda em círculos, que só termina ao cairmos em profundo desespero. Portanto, se lograrmos controlar o pecado, simplesmente o suprimiremos por um período de tempo; ou se falharmos em suprimi-lo consideraremos que o pecado é inevitável, e cairemos em desespero.” (A Vida Que Vence)

Ora, mas não foi para isso que Cristo nos salvou! Não fomos chamados para obter vitórias parciais sobre o pecado, mas para sermos completamente livres de seu domínio, andando continuamente em triunfo com Cristo!

Como podemos, então, reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência vitoriosa sobre o pecado? O segredo está em descobrir as duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7.

[continua...]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

O que eu faço com Romanos 6?

Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. (Romanos 6.6-11)

Observemos o capítulo 6 da carta aos Romanos. Ali, o apóstolo Paulo nos relata a posição vitoriosa de um homem justificado. Uma vez incluídos em Cristo através da nossa identificação com Ele, a Bíblia diz que nós “morremos para o pecado” (v. 2), “libertados do pecado, fomos feitos servos da justiça” (v. 18) e que “o pecado não terá domínio sobre nós, pois não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (v. 14).

É preciso notar que tais assertivas não são promessas de Deus para as nossas vidas. Promessas são coisas que Deus diz que irá realizar. Todas essas gloriosas afirmações de Romanos 6 referem-se a coisas que Deus realizou. São fatos passados, resultantes da obra de Deus em nós. Pela mesma razão, não podemos ler Romanos 6 como se fossem mandamentos de Deus. Aqui Deus não nos diz que devamos morrer para o pecado, que devamos nos livrar do domínio do pecado ou que devamos nos tornar servos da justiça. Não! A Bíblia diz que tudo isso já foi feito por Deus através da cruz de Cristo e da nossa inclusão nela.

O que é Romanos 6, então? São verdades de fé. São fatos espirituais operados por Deus de forma sobrenatural no passado, quando nós morremos com Cristo de forma inclusiva no Calvário. Estávamos lá, morrendo com Ele, para que Romanos 6 deixasse de ser simplesmente uma promessa, e se tornasse real em nossas vidas.

Sendo assim, não faz nenhum sentido tentarmos morrer para o pecado, quando a Palavra diz que já morremos! Igualmente, é tolice tentar se livrar do domínio do pecado ou se tornar um servo da justiça, quando Deus diz que Ele realizou estas coisas em nós por meio do Seu Filho. É um esforço inútil e sem valor tentar transformar as palavras de Romanos 6 em realidade – elas já são reais!

Como devemos encarar Romanos 6, então? Devemos nos esforçar para alcançar tais verdades? Não! Devemos simplesmente pôr nossa nas Escrituras, sabendo que Deus já fez tudo aquilo por nós. Ele nos fez morrer para o pecado. Ele nos livrou do domínio do pecado. Ele nos tornou servos da justiça. Está consumado! Quanto a isso, não há mais nada a fazer senão crer.

Que possamos pôr nossa fé (confiança e fidelidade) em Deus, sabendo que aquilo que Sua Palavra diz de nós é a verdade. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus 11.1)

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

A pergunta errada e as perguntas certas (2)

Então, se verdadeiramente entendemos que “Isso pode?” é a pergunta errada, o que faremos diante de determinadas situações em que não sabemos exatamente como agir? Em outras palavras: quando não sei se algo é certo ou errado, como devo proceder?

Eu gostaria de sugerir duas perguntas certas que podem ser usadas no lugar da pergunta errada. Ao invés de indagar “Isso pode?”, podemos fazer algumas perguntas bíblicas e, ao respondermos sinceramente tais perguntas, saberemos se convém ou não nos envolvermos com determinadas coisas.

1. Isso está centrado em mim ou em Cristo? “Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude.” (Cl 1.16-19) Perceba a firmeza destas palavras: tudo foi criado para ele. Existe algo que tenha sido criado, que não tenha sido criado para Cristo? Não! Ele é o centro, o princípio e o fim de tudo aquilo que existe, nesta criação ou na vindoura! Sendo assim, se queremos ser homens e mulheres de Deus, jovens ousados no Senhor que marcam a sua geração com uma vida rendida a Ele, é necessário que as nossas vidas sejam conduzidas em uma só direção: para Ele.

Não é aceitável que continuemos no caminho do Senhor, enquanto deixamos o mundo nos cativar com as suas ofertas. Não podemos permitir que nossos olhos sejam seduzidos pelas belezas desta vida! Não há tempo para nos entretermos. Estamos numa batalha, numa carreira. Vocês não sabem que todos correm num estádio, mas só um leva o prêmio? Corram de tal maneira que vocês sejam campeões, coroados pelo Senhor na sua vinda!

Precisamos ser jovens que não têm a sua vida por preciosa. Isto significa que não faremos nada que vise exclusivamente aos nossos próprios interesses, senão aquilo que agrada inteiramente a Deus e glorifica inteiramente a Cristo. Precisamos devotar-nos a Deus de tal maneira que, comendo ou bebendo, Cristo será testemunhado, exibido, manifestado e engrandecido.

Um antigo poema dizia o seguinte: “Apenas uma vida | que logo passará | Só o que foi feito | por Cristo durará”. Isso não é verdade? Jovens, é urgente que entendamos isto: não vale a pena fazer nada que não redunde em glória para Cristo. Não vale a pena fazer nada que não seja para ele, pois tudo o que não foi feito para ele passará e será esquecido. Porém tudo aquilo que fizermos para Cristo será lembrado para a eternidade! Sendo assim, nossas vidas devem ser guiadas por esta pergunta: “Isso está centrado em mim ou em Cristo?”. Se a resposta for: em mim, então pare, não faça! Mas se a resposta for: em Cristo, então prossiga, sejam lá quais forem as conseqüências.

Esta pergunta poderia ser expressa de outra forma. Nós poderíamos indagar: “Isso passará pela prova do fogo?” Responda-me: você investiria seu tempo e dedicação construindo um castelo de gelo no deserto? Certamente que não! Você diz: “Só um tolo faria isso”. Mas é exatamente assim que você age enquanto se ocupa com as coisas desta vida. As brincadeiras, os divertimentos, os entretenimentos, as roupas, os projetos do mundo, tudo isso enche tanto os seus olhos! Você seria capaz de enxergar o grande e terrível Dia do Senhor, quando todas essas coisas serão destruídas e não ficará sequer memória delas? Você seria capaz de enxergar o Dia do Senhor, e ainda assim sentir desejo de investir nas coisas deste mundo?

Oh, que possamos devotar a Cristo todas as nossas obras, centrando nEle todo o nosso esforço e dedicando a Ele nossas vidas por completo!

2. Vale a pena morrer por isso? “Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.” (Rm 14.7-8) “Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.” (Fp 1.20)

A segunda pergunta que devemos fazer quando queremos agradar ao Senhor em toda e qualquer situação é esta: “Vale a pena morrer por isso?” Você entende esta pergunta? Existe um princípio muito valioso que precisamos aprender aqui: Se alguma coisa não é digna de se morrer por, também não é digna de se viver por. Em outras palavras: Se não vale a pena morrer por isso, não vale a pena viver por isso!

Repito: estamos na maior e mais violenta de todas as guerras e, numa guerra, os movimentos inúteis expõem nossas fraquezas ao inimigo e levam à completa destruição. É isso que você deseja para a sua vida? Tenho certeza que não. Todavia, muitos de nós estamos completamente desprevenidos e desatentos para com este fato, e por este motivo não temos experimentado completa vitória em nossas vidas. Pelas fotos, sei que a Alemanha é um país belíssimo. Mas tenho certeza de que os soldados dos Aliados não tiveram tempo para contemplar essas belezas quando foram enviados na Segunda Guerra. Havia um único objetivo: derrotar o inimigo nazista, e qualquer coisa que não estivesse focada nesse objetivo era inaceitável naquele momento. Iremos entender a gravidade e a severidade da guerra para a qual fomos enviados? Se perdermos tempo com as belezas do mundo, com o entretenimento, com uma vida fútil e sem propósito correto, não é sem dano e sem feridas que retornaremos ao nosso lar celestial. Jovens, isto é uma guerra! Não é lugar de brincadeiras ou de sonolência; isto é lugar de soldados bem preparados para a batalha!

Se entendermos isto, não será difícil entender este princípio: se não vale a pena morrer por alguma coisa, também não vale a pena viver por ela. Será que estamos dispostos a viver dessa maneira radical? Será que estamos preparados para abrir mão de tudo o que não for absolutamente essencial para a nossa sobrevivência no terreno inimigo? Creio que Jesus tinha esse princípio em mente quando enviou seus discípulos. “Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.” (Lc 10.4) Havia algo de errado se os discípulos levassem aquelas coisas? Elas eram pecaminosas em si mesmas? Não. Mas o Senhor estava nos ensinando: “Não se cerquem de coisas em demasia; não se rodeiem de coisas que podem tirar a atenção e o foco de vocês. Há um objetivo a ser cumprido! É com isso que vocês devem se preocupar.”

Jovens irmãos, todas as vezes que perguntamos: “Isso pode?” ou “É errado fazer isso?”, tudo o que queremos é a nossa própria satisfação; o centro é o nosso ego e o nosso prazer e descanso. Mas quando perguntamos: “Isso está centrado em mim ou em Cristo?”, devotamos nossas vidas ao único propósito para o qual ela existe: glorificar o Senhor Exaltado Sobre Todos. E quando indagamos no nosso íntimo: “Vale a pena morrer por isso?”, estamos deixando para trás tudo o que é inútil e nos enchendo da plenitude do Espírito. A pergunta errada nos leva a uma vida fútil, medíocre, sem valor. As perguntas certas vão nos levar a um estilo de vida em guerra. Precisamos ser crentes perigosos! Nossa terra natal não é esta, e tudo o que precisamos fazer aqui é causar o maior estrago possível. Vamos explodir as cidades do pecado, vamos cercar a capital deste império de trevas! “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” (1Jo 5.4)

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

A pergunta errada e as perguntas certas (1)

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31)

Eu não sei se há algum servo de Deus que você admire, ou que sirva de inspiração para a sua vida com o Senhor. Talvez você não tenha esses referenciais. Mas, se você tem algum, eu posso afirmar algo com grande chance de acertar: este servo de Deus começou a sua carreira na juventude.

Tem sido um fato na história do Cristianismo que os ministros que marcam a sua geração tenham iniciado seus ministérios na juventude. Ousados, intrépidos, decididos, determinados, eram jovens os grandes reformadores e avivalistas de quem temos notícias, quando Deus os vocacionou e começou a usá-los para o Seu propósito.

Todavia, quando olhamos para dentro das igrejas modernas, vemos que, de fato, estão abarrotadas de jovens; mas que impacto estes jovens causam nessas igrejas e no mundo ao seu redor? Eles são referenciais de ousadia, de coragem, de bravura, de paixão, de devoção, de entrega a Deus? Não! Pelo contrário, a maioria é vista como símbolo de imaturidade e inconstância. Os jovens cristãos são vistos como crentes nos quais não se pode pôr muita confiança.

Qual é a diferença? Por que aos vinte e poucos anos de idade A.W. Tozer e C.H. Spurgeon pastoreavam igrejas com unção e, nessa mesma idade, os jovens de hoje são tidos como imaturos e incapazes de assumir responsabilidades?

O trabalho com jovens tem-me permitido perceber uma característica que marca profundamente a juventude cristã dos nossos dias, e creio que essa característica explica, ao menos em parte, porque não se têm levantado muitos homens e mulheres de Deus entre nós. Trata-se de uma pergunta que eu escuto com muita freqüência. O jovem vem até mim e questiona: “Isso pode?” “Isso é permitido?” “É errado eu fazer isso?”

Nosso objetivo nesta reflexão é entender que esta pergunta é completamente inadequada, e não deveria nunca sair da boca de alguém que busca agradar ao Senhor! Recentemente, um jovem indagou-me se era errado praticar jiu-jitsu. Outro me questionou se era errado treinar karatê. Uma terceira ligou-me perguntando se poderia degustar um cálice de vinho.

Todas essas dúvidas são legítimas e surgem de forma natural na mente de um cristão, à medida que ele descobre que Deus o tem chamado para andar em santidade e retidão. O problema não está em possuir essas dúvidas. O problema está na pergunta que é feita, pois ela esconde algumas motivações. “Isso pode?” é a pergunta errada para um cristão fazer. Posso dar duas razões pelas quais faço tal declaração.

1. Tal pergunta revela um apego disfarçado pelo mundo. Ela deixa escapar que o crente, embora prossiga no caminho em que foi colocado pelo Senhor, está olhando para trás. Ele deseja ocupar seu tempo com coisas que o entretém e, mesmo que tais coisas não sejam erradas em si mesmas, elas têm em si o poder satânico de nos envolver. Como areia movediça, tais coisas parecem terra firme, mas na verdade elas nos enterram completamente e nos impedem de avançar. Quando um jovem me pergunta “Isso é permitido?”, posso afirmar com segurança que este jovem foi fisgado na mesma armadilha de Eva: a soberba dos olhos. Ele olha para o mundo, e seus olhos vêem tantas coisas atraentes! Então ele afasta-se daquelas que são manifestamente pecaminosas, mas deixa-se cativar pelas coisas que são aparentemente inofensivas. Jovem, fuja dessa pergunta! Para você, a Escritura diz: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lc 9.62)

2. O cristão que faz tal pergunta não está verdadeiramente preocupado em fazer o que é certo. Tudo o que ele deseja é não fazer o que é errado – e isso é muito pouco! Que tragédia é para Deus ter uma juventude que se satisfaz em não se envolver com pecados grosseiros, mas que não tem em seu coração o ardor de uma vida que busca agradar o Senhor. Escolhemos o caminho mais fácil, das regras e prescrições humanas, o caminho dos rudimentos do mundo – e por isso somos tão medíocres! Os jovens cristãos de hoje, só porque não estão curtindo o São João, só porque não dançam forró e não se embebedam, fazem coro com Laodicéia e dizem: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Oh, jovem, você nem sabe o quanto é miserável, pobre, cego e nu! Você está preocupado apenas em não ser visto como alguém que se deixa levar pelo pecado, mas você não se importa em ser alguém que serve ao Senhor no seu íntimo. Todas as vezes que você pergunta “É errado fazer isso?”, na verdade você diz: “Eu quero fazer o mínimo possível para o Senhor. Posso lutar para não fazer o que é errado, mas não quero verdadeiramente fazer o que é certo. Tudo o que quero é ser alguém correto diante dos outros cristãos ao meu redor. Mas não quero ser verdadeiramente irrepreensível diante do Senhor”.

Você entende por que essa pergunta é tão perversa? “Isso pode?” é uma pergunta centrada no eu, é uma pergunta que revela o quanto estamos interessados em satisfazer a nós mesmos e o quanto desprezamos o prazer de Deus. Que essa indagação nunca mais saia das bocas desta juventude!

[continua...]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Quando Ele está entre nós… (5)

Quando Ele está entre nós... há abundância de alegria!5) “E vimos a sua glória”: Aqui está uma nota de gozo, de alegria, de vitória. O Verbo se manifestou entre nós com graça e verdade, porque precisávamos desesperadamente de Alguém que nos livrasse da terrível condição em que nos encontrávamos. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, escravos do pecado, e éramos, por natureza, filhos da ira. Mas, uma vez que fomos salvos do inferno pela Graça e libertos da mentira pela Verdade, existe um prêmio glorioso a nos esperar. Vida eterna? Sim, mas muito mais do que isso! A maravilhosa conseqüência de o Verbo estar entre nós é que podemos ver a sua glória. Quão inexplicável é a experiência de um pecador que, de repente, tem as escamas arrancadas, e então seus olhos se abrem para contemplar a glória do Filho de Deus! “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3).

O Filho de Deus está em você? Você já o recebeu?

Se sim, você tem visto a Sua glória? Seus olhos têm sido abertos para ver o Verbo de forma cada vez mais nítida e intensa, como um clarão na estrada para Damasco? Sim, você pode dizer que as escamas já foram removidas de seus olhos?

E, se você ainda não recebeu o Filho de Deus, a Graça e a Verdade não irão enchê-lo agora? Onde você espera encontrar abrigo para a sua alma aflita, senão nEle? Quantas desculpas você ainda tem para dar? Você se recusará a correr para a salvação que só existe em Jesus Cristo?

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Quando Ele está entre nós… (4)

Quando Ele está entre nós... há novidade de vida!4) “Cheio de verdade”: Se o Filho de Deus veio a nós cheio de graça porque estávamos debaixo de uma terrível desgraça, que era a condenação do inferno, ele veio a nós cheio de verdade porque estávamos escravizados pelas nossas próprias mentiras. Jesus chamou alguns de seus aparentes seguidores de filhos do diabo, porque eles amaram mais as suas mentiras do que a Verdade que Jesus possuía. Também nós não somos assim? Não amamos mais as mentiras que nós construímos do que a verdade pura da Palavra de Deus? Não temos sempre uma desculpa, uma opinião, um “eu acho assim”, “eu penso desse jeito”? Ora, Jesus veio nos libertar da mentira e abrir os nossos olhos para Ele, que é a própria Verdade. Então deixe-me alertar você para três mentiras nas quais muitas pessoas acreditam e que têm levado miríades de homens para o inferno:

“Eu sou uma boa pessoa; acho que vou para o céu”: Essa é a mentira mais escabrosa, e infelizmente é a que mais tem levado pessoas ao lugar oposto àquele a que elas pensam estar indo. Talvez você sinceramente ache que tem boas obras o suficiente para ser salvo. Mas se a luz de Cristo for lançada sobre o seu coração agora, que ela encontrará? Certamente, uma pilha de “pecadinhos” que, amontoados, formariam uma verdadeira torre de babel! Ciúmes, brigas de família, vingança tomada contra alguém, inveja, fofoca, desejos impuros, olhares cobiçosos… E, de todos os pecados, qual será maior do que este que você comete agora: a soberba de achar que não precisa de Jesus?

“Deus é justo, Ele não vai me mandar para o inferno”: Não! Deus é justo, e é exatamente por isso que Ele vai mandá-lo para o inferno, se você não crer em Seu Filho. Ou você acha que um Deus santo como Ele iria suportar debaixo de suas narinas o fedor putrefato do seu pecado? Não! Se você não receber o Filho de Deus antes de tornar ao pó, pode se assegurar de que o Deus justo, vivo e verdadeiro já tem reservado a Sua ira para derramar sobre você, por toda a eternidade.

“Tenho outras coisas importantes para pensar; depois resolvo isto”: Que terrível saber que tantas pessoas pensam assim, ainda que não admitam. Elas até reconhecem o seu pecado; se questionadas, talvez tenham a consciência de estarem indo para o inferno. Mas elas estão ocupadas demais para pensar sobre a sua eternidade! Os cuidados com o corpo são mais importantes; as preocupações com a família são mais urgentes; os problemas de trabalho exigem maior atenção. Quando essa pessoa se vir ardendo em chamas por toda a eternidade, será que ela terá tempo de pensar que poderia ter reservado alguns minutos de sua vida terrena para pensar sobre a morte?

Que o Verbo cheio de verdade nos livre dos males dessas mentiras infernais!

[continua]

Quando Ele está entre nós… (3)

Quando Ele está entre nós... somos transformados!3) “Cheio de graça”: “Graça” é uma palavra gasta pelo mau uso. Muitos a mancharam em nome da libertinagem. Outros tantos a desprezaram, por se acharem bons demais a ponto de não precisarem da misericórdia de um Salvador. Porém os libertinos e os auto-justificadores jamais serão capazes de apagar o brilho desta que é a mais admirável e mais incrível verdade de todas as verdades que alguém possa conhecer. A Bíblia diz que, quando o Verbo se fez e carne e habitou entre nós, Ele veio cheio de graça para nos conceder. Que é esta graça? Porque precisamos dela?

Graça é Deus não me dando o que eu mereço: É interessante que, no Direito Criminal, existe também um instituto chamado “graça”. Ele é utilizado em alguns casos em que o indivíduo cometeu o crime, é merecedor da pena, mas, por uma razão especial, não vai pagar por ela. É precisamente isto que Deus fez conosco quando enviou o Verbo para estar entre nós! Porque Ele se fez carne e sofreu a minha punição, eu já estou livre dela! Louvado seja Deus! Mas que punição é essa? Alguma espécie de purgatório? Não!

A Graça nos livra da ira de Deus e dos sofrimentos eternos do inferno: Eu devo garantir a você, com absoluta certeza, que o inferno é infinitamente pior do que você pensa. João 3.36 diz: “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” Como você pensa que escapará da ira de Deus, se não crê no Filho de Deus e não aceita Sua graça? O inferno é o lugar merecido para todos aqueles que pecaram ao longo de suas vidas; por isso todos nós merecíamos estar lá! O inferno não foi feito apenas para satanás e seus anjos; ele foi feito para todo aquele que se mantém rebelde contra o Filho de Deus. Será que você não gostaria de se esconder debaixo da Graça e encontrar abrigo para a sua alma, atormentada pela condenação infernal? Será que você encontrará os braços acolhedores do Filho de Deus, onde há vida eterna disponível para todo o que nele crê?

[continua]

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