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Um pouco de maná

Se um pregador não der ênfase à obra que Jesus realizou por nós pendurado no madeiro, deixando transparecer que, para ele, a Cruz de Cristo não é o centro do seu ministério – não o seguiria, mesmo que ele ressuscitasse os mortos.

Jim Cymbala

Reformação ou Regeneração?

O crente em Cristo Jesus torna-se possuidor de algo que nunca possuiu antes – a natureza do próprio Deus. A vida eterna do Deus não criado está implantada na parte mais íntima da sua personalidade humana e todo o seu ser pulsa com a energia divina da nova vida. O novo nascimento é a comunicação de uma nova natureza, intelectual, emocional e volitiva que produz no homem uma vida totalmente nova e o ajusta para viver em uma esfera totalmente nova.

Na luz da conversação do Senhor Jesus com Nicodemos (João capítulo 3) há um fato evidente de que Deus não pode aceitar nenhum substituo para o novo nascimento. Reformação não pode substituir a regeneração. Se Deus nãofaz nenhuma tentativa para reformar “o homem velho”, seguramente Ele não pode aceitar qualquer fragmento de melhoria que o homem possa efetuar. Reformação é obra puramente do homem; ela mantém a carne como ela é, pois é a tentativa humana de melhorar a si mesmo. Reformação pode melhorar o caráter da carne pela repressão de certos maus hábitos, mas não pode alterar carne para espírito. Reformação pode fazer um homem um tanto mais gentil, generoso, cortês, mas não pode torná-lo santo, e “sem santidade ninguém poderá ver a Deus”. Reformação pode ajudar o homem a melhorar as condições da sua vida no plano natural, mas isso não pode satisfazer o requisito de Deus para uma vida totalmente nova no plano espiritual.

Ruth Paxson, Vida em um Plano Mais Alto (Volume II).

Correndo a carreira até o fim (3)

É olhando para Jesus que alcançaremos o fim da carreira!

[Antes de ler este post, leia a Parte 1 e a Parte 2]

Estas são as duas verdades que já pudemos demonstrar até aqui:

  1. Todo crente, uma vez salvo, é colocado em uma jornada e deve percorrê-la até o fim;
  2. Todavia, existe um perigo real e eminente de que não cheguemos ao final desta jornada, e fiquemos no meio do caminho.

Entretanto, está claro para nós que deve existir alguma forma de escaparmos deste perigo e chegarmos ao fim da jornada de forma vitoriosa. Paulo lutou até o fim e obteve a certeza da coroa que o aguardava; certamente nós poderemos ter a mesma segurança! Qual é, porém, a saída? Como podemos completar a carreira? Este é o ponto de que queremos tratar agora.

3. O ÚNICO MEIO DE PERSEVERAMOS ATÉ O FIM DA CARREIRA É MANTENDO OS OLHOS FIXOS EM JESUS

“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” (Hebreus 12.2)

Não existe outra alternativa, outra estratégia que possamos utilizar ao longo desta jornada. Manter os olhos firmes no Autor e Consumador da nossa fé é o único meio de alcançarmos a completa vitória e obtermos a coroa pela missão cumprida em vida.

Embora, em um certo sentido, não tenhamos visto Jesus (1Pe 1.8), certamente todo crente deve poder dizer que viu o Senhor com base em 2Coríntios 3.18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” A experiência de ver Jesus por meio do Espírito Santo é necessária a todo crente e, na verdade, está disponível para todo aquele que crê.

Três experiências marcantes podem ser úteis para entendermos melhor esta visão. A primeira delas é a experiência do próprio Paulo. A visão de Jesus foi o momento crucial para que aquele homem deixasse para trás sua história como fariseu e obtivesse uma nova vida. De forma literal e espiritual, a visão de Jesus arrancou as escamas dos olhos de Paulo! É isto que está escrito na Palavra: “Um homem, chamado Ananias, piedoso conforme a lei, tendo bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, veio procurar-me e, pondo-se junto a mim, disse: Saulo, irmão, recebe novamente a vista. Nessa mesma hora, recobrei a vista e olhei para ele. Então, ele disse: O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires uma voz da sua própria boca, porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido.” (Atos 22.12-15)

Um segundo relato bíblico relevante é o da cura do cego de nascença. Após ser curado e recuperar a vista, os fariseus tentam dissuadir aquele homem e retirar dele a fé em Jesus. Mas qual é a sua resposta? “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo” (João 9.25). Aleluia! Esta afirmação deveria fluir dos lábios dos crentes todas as vezes que um indivíduo ou uma circunstância tentassem nos afastar da fé em Jesus. A visão do Senhor é suficiente para afastar toda dúvida. Nós vimos Jesus, e isso nos basta!

A terceira experiência ocorre no monte da transfiguração. Pedro, Tiago e João são levados por Jesus e, lá, vêem a face de Jesus resplandecente, e Moisés e Elias conversavam com Ele. Os discípulos ficam maravilhados com a visão, ao ponto de Pedro sugerir que fizessem tendas para ali permanecerem. Todavia, de repende, uma nuvem luminosa os envolve, e a voz de Deus lhes diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi” (Mateus 17.5) E então a Bíblia diz que os discípulos, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus. Somos capazes de compreender esta experiência? Embora os discípulos talvez estivessem maravilhados com a visão de Moisés e Elias, Deus o Pai aponta e exalta somente o Seu Filho.

Será que nós podemos, seguramente, afirmar que vimos Jesus? Será que nossa fé está firmada de tal forma em Cristo, que nada mais nos importa senão a certeza de que nós estamos nEle e Ele, em nós? Aquele que não pode ainda dizer “Eu vi o Senhor” deveria buscar a face de Deus até que tenha segurança desta experiência de fé em sua vida.

Mas o que é ver o Filho? Isso nos parece algo tão abstrato! Certamente não é uma experiência natural, que ocorre no mundo físico, mas uma realidade espiritual produzida pelo Espírito de Cristo que, em nosso coração, clama: “Aba, Pai”. Igualmente, não é uma mera experiência de “saber” com o intelecto, mas de “conhecer” com o coração. Trata-se de um ponto em que as verdades objetivas da Palavra de Deus são subjetivamente experimentadas na vida de um crente, de forma que ele pode não apenas lê-las na Bíblia, mas exultar em seu coração por causa delas, com alegria indizível e cheia de glória (1Pe 1.8).

João Calvino dizia que “O Evangelho não é uma doutrina de língua, senão de vida. Não pode assimilar-se somente por meio da razão e da memória, senão que chega a compreender-se de forma total quando ele possui toda a alma, e penetra no mais íntimo recesso do coração.”

Que podemos ver em Jesus, então, que nos assegure força e vitalidade para chegarmos ao fim da carreira, vitoriosos? A Palavra de Deus é certamente o lugar onde descobrimos a resposta:

Ele nos salvou.

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5.1-2)

Ele nos santifica.

“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30)

“Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (At 26.18)

Ele nos preserva.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.” (Jo 10.27-29)

“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” (Fp 1.6)

Ele não nos abandona.

E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.20b)

“Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros. Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.” (Jo 14.18-19)

Que a revelação divina destas verdades possam produzir em nós corações confiantes em Jesus. Que os nossos olhos estejam sempre firmes nEle e, assim, possamos perservar na caminhada. Que sejamos aqueles que completam a carreira com dignidade, pela graça de Deus em nós derramadas por meio de Jesus Cristo.

Nele, a quem nossos olhos são sempre atraídos,
Vinícius Pimentel

Correndo a carreira até o fim (2)

Correndo a carreira até o fim (2)

[Antes de ler este post, leia "Correndo a carreira até o fim (1)"]

2. EXISTE UM PERIGO REAL E EMINENTE DE QUE NÃO CHEGUEMOS AO FINAL DESTA JORNADA, E FIQUEMOS NO MEIO DO CAMINHO

“Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12.3)

Se, de fato, existe uma carreira que nos foi proposta por Deus e que deve ser corrida com perseverança até o fim, também existe o perigo real de que esta carreira nunca seja acabada. O versículo 3 do texto que estamos estudando é um alerta para que nenhum crente ignore o fato de que ele pode se cansar (“fatigar-se”) e até desmaiar no meio do caminho. Será que temos esta consciência?

É importante notarmos que o cansaço e o desmaio que nos ameaçam não significam a mesma coisa que apostatar da fé. A apostasia revela que o apóstata nunca pertenceu verdadeiramente ao Senhor (conforme 1João 2.19). Todavia, creio que aqui o escritor aos Hebreus está se dirigindo aos crentes, aqueles que foram verdadeiramente salvos e remidos no sangue de Jesus.

O perigo de cansar-se ou desmaiar, portanto, não é o perigo de abandonar Jesus. Ora, aqueles que pertencem ao Senhor serão preservados pelo próprio Jesus, como Ele mesmo nos prometeu! “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (João 10.28) E qual é o perigo, então? Observemos as nossas próprias vidas, e veremos que muitos crentes verdadeiramente salvos pararam de avançar, de crescer, de amadurecer. Eles pararam no meio do caminho, cansados ou desmaiados, e ficaram vendo os outros crentes avançarem. Estes crentes nunca poderão repetir a frase gloriosa do apóstolo Paulo ao final de suas vidas: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Eles nunca sentirão o prazer de terem entregado suas vidas por completo ao controle do Espírito Santo. E, embora entrem no céu, posto que foram verdadeiramente nascidos de novo pela ação do Espírito Santo, não será sem dano que estes crentes serão salvos: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.” (1Co 3.14-15)

Observemos a vida de Moisés. Seu nome está arrolado na galeria dos heróis da fé, em Hebreus 11. Não restam dúvidas de que Moisés foi salvo, e sua vida permanece um grande exemplo de fé e serviço a Deus para todos nós. Todavia, embora Moisés tenha servido o Senhor, sendo usado poderosamente para libertar Israel da escravidão do Egito, ele não entrou na terra prometida. Por quê? Por causa de um pecado cometido no final da carreira.

Oh, que nós possamos sentir o terror deste verdadeiro perigo que nos ronda! Que possamos temer ficar no meio do caminho! O próprio Paulo, embora estivesse plenamente convicto de sua salvação, sabia que havia um risco de não terminar a jornada e o desafio que Deus lhe tinha proposto: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” (1Coríntios 9.27)

Gostaria de enfatizar mais um pouco: alguns crentes jamais poderão dizer que concluíram o seu trabalho em vida, e serão desqualificados pelo Senhor por causa disso. Estes são aqueles que ficam pelo meio do caminho, cansaços ou desmaiados. E o que faz um crente chegar a tal estado de sua vida espiritual? Podemos citar, como exemplo, algumas causas de cansaço e desmaio na jornada da vida cristã:

Pecados não confessados – “Se eu no coração contemplara a vaidade [ou iniquidade], o Senhor não me teria ouvido.” (Salmo 66.18) Muitos crentes deixaram de crescer porque guardam pecados em seu coração. Podem ser “pecadinhos” ou “pecadões”, mas todo pecado amarra o crente e impede o seu avanço na caminhada.

Derrotas seguidas pela carne – O crente que cai seguidamente na mesma armadilha da carne acaba se cansando de lutar e, por fim, desmaia. Falamos bastante sobre isso nos posts “O que eu faço com Romanos 6?”, “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)” e “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)”.

Soberba e arrogância – Aquele que pensa já ter aprendido o suficiente, ou acha que não precisa de outros que o ajudem na caminhada, certamente ficará no meio do caminho. Mais cedo ou mais tarde, sentir-se-á cansado e desfalecerá.

Contentamento com a mediocridade – Isso acontece quando um cristão olha para os demais crentes à sua volta e pensa: “Eu vivo como eles também vivem. Isso basta”. Oh, que nunca venhamos a nos nivelar pelo padrão dos homens, mas que tenhamos sempre em vista Jesus, o nosso eterno e perfeito Salvador.

Inimizades com irmãos – É impressionante a facilidade com que nós crentes nos deixamos ferir. Existem muitos cristãos que deixaram de crescer porque se magoaram com um irmão da tal maneira que não conseguem olhar para mais nada em suas vidas senão para suas feridas de alma.

Envolvimento com as coisas desta vida – Família, trabalho, amizade, namoro, dinheiro – todas estas coisas fazem parte desta vida, e por isso não podemos deixar de lidar com elas. Entretanto, jamais podemos nos envolver com elas a ponto de o nosso crescimento e avanço em Deus serem impedidos. Quantos de nós não temos deixado de percorrer a carreira por causa delas!

Invejas e ciúmes – Reparar demais nas coisas que os outros têm também é um dos motivos pelos quais um cristão pode ficar cansado ou desmaiado em sua jornada.

Frustrações com pessoas – Será que você nunca viu uma situação como essa? Crentes que se decepcionam com pastores, líderes e irmãos em quem confiavam, e jamais são os mesmos por causa disso. Esta é uma das causas mais preocupantes de desmaio na fé.

Frustrações consigo mesmo – No calor da comunhão com Deus, sempre fazemos tantos planos e e votos! Mas poucos de nós verdadeiramenre conseguimos perseverar neles. A maioria simplesmente se frustra quando seus projetos demoram a dar certo ou não acontecem como se imaginava. Frustrações seguidas por este motivo causam paralisia na caminhada!

Lembre-se: ficar no meio do caminho é um perigo real na vida de todo crente em Cristo Jesus. Nunca pensemos que somos imunes a este risco, pois isto, por si só, já representa um verdadeiro desmaio na jornada da vida. Que possamos nos desembaraçar de todo peso e de todo pecado que tenazmente nos assedia, deixando para trás qualquer causa de cansaço ou desmaio.

Como podemos, então, escapar desse perigo de ficarmos no meio do caminho? Como podemos chegar ao fim da jornada com a certeza de que completamos a nossa missão? Este é o assunto do próximo estudo.

[continua]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Correndo a carreira até o fim (1)

Correndo a carreira até o fim

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12.1-3)

O propósito desta mensagem é mostrar 3 verdades bíblicas que estão descortinadas nos três primeiros versículos do capítulo 12 de Hebreus:

  1. Todo crente, uma vez salvo, é colocado em uma jornada e deve percorrê-la até o fim;
  2. Todavia, existe um perigo real e eminente de que não cheguemos ao final desta jornada, e fiquemos no meio do caminho;
  3. O único meio de perseverarmos até o fim da carreira é mantendo os olhos fixos em Jesus.

1. TODO CRENTE, UMA VEZ SALVO, É COLOCADO EM UMA JORNADA E DEVE PERCORRÊ-LA ATÉ O FIM

A primeira coisa que observamos no texto em questão é que fomos convocados a correr uma carreira. Esta é uma verdade reiterada por todo o Novo Testamento, embora também seja uma das verdades mais ignoradas pelos cristãos atualmente.

O fato é que, enquanto estávamos perdidos, estávamos num terreno de morte e de perdição. Todavia, quando Deus nos resgatou, nós fomos definitivamente removidos desse terreno e colocados em um novo terreno, que é o terreno da ressurreição. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14). A salvação é justamente a nossa remoção de um terreno velho e infértil para o maravilhoso solo de Cristo e de Sua vida.

O que a maioria dos cristãos não compreende é que tal remoção não é o final da história, mas o começo. A salvação não é o fim do caminho, mas apenas o pontapé inicial da carreira em que Deus nos inseriu. Sem a salvação, jamais poderíamos correr a carreira, pois estávamos no terreno errado, o terreno da morte. Mas uma vez que fomos tirados desse velho terreno e colocados em um novo plano de vida, precisamos saber o que fazer com esse “tudo se fez novo” que o Senhor nos deu através da graça. Em outras palavras, a salvação que recebemos trouxe absoluta novidade de vida para nós: um coração novo, um espírito novo, um novo Soberano, uma nova natureza, uma nova lei em nosso homem interior… Só que toda essa herança recebida de graça deve servir a um propósito, e este propósito é precisamente a carreira para a qual fomos chamados.

A segunda coisa que observamos a este respeito é que esta carreira é proposta por Deus. Nós não nascemos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E foi o próprio Deus quem nos designou uma carreira a percorrer e um alvo a alcançar. Se existem muitos crentes que ignoram o fato de estarem numa carreira, também existem muitos crentes que estão tentando correr a sua própria carreira, e não a carreira que Deus propôs. E a verdade é que ninguém pode encontrar pleno gozo em sua salvação se não estiver em conformidade com aquilo que Deus planejou para nós como nossa missão. Não é nossa responsabilidade estabelecer a nossa jornada; nosso dever é alinharmo-nos à vontade de Deus e percorrer a jornada que ele previamente determinou.

Quando observamos a vida do apóstolo Paulo, podemos distinguir três fases da sua carreira. Isto é importante, porque também nós precisamos passar por estas três fases na nossa jornada em Cristo. Em Filipenses 3.12, Paulo diz: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”. Em Atos 20.24, o mesmo Paulo afirma: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus”. Por fim, em 2Timóteo 4.7-8, o apóstolo diz as últimas palavras de sua peregrinação na terra: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”.

Aqui nós enxergamos três fases bem distintas de Paulo sobre como ele se enxergava em relação à carreira que Deus lhe tinha proposto. Primeiro, ele diz: “Ainda não completei a carreira”. Depois, “Tudo o que me interessa é completar a minha carreira”. Por fim, indo em direção à morte, o velho Paulo descansa nestas palavras: “Completei a carreira, e estou seguro do prêmio que receberei”.

Nós precisamos passar por esta mesma experiência! Se é verdade que ainda não terminamos nossa jornada, é uma verdade ainda mais importante que toda a nossa vida deve ser direcionada de tal forma que, no fim dela, possamos olhar para trás e dizer: Eu terminei! Cumpri a minha missão! Estou certo de que o Senhor, reto Juiz, me recompensará por isso.

Todavia, quantos de nós realmente concentramos os nossos esforços nesse sentido? Estamos realmente em busca de completar a jornada? Estamos sendo perseverantes nessa caminhada? Temo que muitos de nós, ao fim de sua vida, não poderão olhar para trás e dizer: “Completei a carreira”, mas, lamentando, terão que reconhecer: “Eu desperdicei tanto tempo! Joguei fora tanto vigor! Negligenciei tantos dons!”

Não é esta a vontade de Deus para nós. Ele está fornecendo toda provisão necessária para que possamos terminar a carreira. Mas existe, sim, um perigo real de que não venhamos a concluí-la. Sobre isso falaremos no próximo post, se Deus permitir.

[continua]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

Por aí: A Perfeição Cristã

Ele sabia que não havia bem em nós muito antes que o soubéssemos. Por isso, quando Ele morreu, tomou o nosso velho homem e o crucificou na cruz com Ele. Mas não cremos nisso. Pensamos que somos muito bons para ser crucificados. Assim, depois que somos salvos, tentamos usar o nosso velho homem, a nossa velha energia para servir a Deus; tentamos guardar os mandamentos de Deus, até que cheguemos a um ponto e vejamos que não há bem em nós. Deus já nos crucificou com Cristo há dois mil anos, mas este homem morto ainda está tentando. Um dia, percebemos que fomos crucificados com Cristo. Não mais eu, mas é Cristo que vive em mim. Desisti de mim mesmo – de me parecer com Deus, de servir a Deus – estou morto, sepultado, fora da vista. É Cristo que vive em mim. Olho para Ele. Ele vive em mim. Quando você chega a isso, você cruzou o limiar. Você está entre os perfeitos porque o caminho da perfeição está agora amplamente aberto para você.

Fonte: Sede Vós Pois Perfeitos (livro de Stephen Kaung que está sendo traduzido pela Editora Restauração. Disponível gratuitamente)

Em Cristo,
Vinícius

Reforma e Reavivamento

A Igreja Evangélica Brasileira precisa não apenas de Reforma, mas, também, de Reavivamento. Não basta ter doutrina certa, é preciso ter vida certa. Não basta ter apenas luz na mente, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas conhecimento, é preciso ter fervor espiritual. Não basta apenas conhecer doutrina, é preciso ser transformado e impactado por essa doutrina. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas lhe faltava amor. A igreja de Esmirna tinha amor, mas lhe faltava doutrina. Ambas foram repreendidas por Cristo. Precisamos de doutrina e amor, reforma e reavivamento. Não glorificamos a Deus com o vazio da nossa mente e a plenitude do nosso coração nem glorificamos a Deus com a plenitude da nossa mente e o vazio do nosso coração. Deus não é exaltado quando deixamos de conhecer a verdade nem Deus é glorificado quando deixamos de nos deleitar nessa verdade. Razão e emoção não são coisas mutuamente exclusivas. Elas se completam. A emoção que não provém de uma mente iluminada pela verdade é vazia, rasa e inconsistente. Uma mente cheia do conhecimento da verdade, todavia, que não exulta de alegria e santo fervor está, também, em total desacordo com a vontade divina. Oh! Que Deus nos desperte para o conhecermos verdadeiramente! Oh! Que Deus nos encha daquela alegria indizível e cheia de glória, a fim de que nos deleitemos nele e passemos a viver tão somente para a sua glória!

Rev. Hernandes Dias Lopes (recebido por lista de discussão via e-mail)

Vídeo: Não é justo

Fonte: Crescendo e Compreendendo

Este vídeo precisa fazer algo mais do que provocar pena e um “peso na consciência” em nós. Será que nossas mentes estão cauterizadas? Será que nos tornamos completamente insensíveis, incapazes de ver que isto simplesmente não é justo? Será que nunca nos libertaremos do êxtase dessa droga moderna, que é o individualismo? Que Deus levante em nós cristãos que não se amem tanto quanto hoje nos amamos.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5.6)

Nas misericórdias do Reto Juiz,
Vinícius

As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)

[Antes de ler este estudo, leia "O que eu faço com Romanos 6?" e "As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)"]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Como podemos reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência de completa vitória sobre o pecado? O segredo está nas duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7:

“MISERÁVEL HOMEM QUE SOU!”

Todo cristão precisa descobrir o quão imunda, inútil, imprestável e miserável é a nossa carne. É triste que a maioria de nós não consiga entender que “carnalidade” não é apenas cometer pecados grosseiros, mas é também qualquer tentativa de vencer o pecado na sua própria força. Sim, lutar contra o pecado confiando em seus esforços humanos é uma grave demonstração de carnalidade!

São poucos os crentes que compreendem esta verdade: não existe NADA de bom em nós mesmos, nada que agrade a Deus. Todas as nossas melhores obras e esforços são diante dele como trapos de imundícia! E são menos ainda os crentes que de fato vivenciam esta realidade no seu dia-a-dia. Sim, porque não basta saber que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum”; é preciso que tal realidade produza em nós uma total desistência, uma completa resignação quanto ao fato de que não podemos vencer o pecado com base num esforço próprio.

Não há qualquer esperança de vitória enquanto confiamos na nossa carne! Nossos esforços, nossos métodos, nossas estratégias, nossos jejuns, nossas orações, nossa aparente piedade – nada disso pode ser a base da nossa confiança! Nenhum cristão pode experimentar uma vitória definitiva e completa sobre o pecado enquanto não aprender a dizer: “Miserável homem que sou!” Precisamos desprezar a nossa carne antes de podermos guerrear contra ela.

Alguns comentaristas sugerem que Romanos 7 relate algum tipo de crise pela qual o apóstolo Paulo estava passando. Apesar de esta ser uma questão difícil, não me parece plausível que Paulo estivesse falando de alguma experiência meramente pessoal. Os capítulos 6 e 8 da carta aos Romanos relatam dois dos mais gloriosos fundamentos da vida cristã: a nossa posição de vitória em Cristo e a nossa experiência de vitória sendo guiados pelo Espírito. O capítulo 7 mais parece ser um hiato, uma passagem crítica que deve ser essencial para todo crente que queira experimentar a vitória sobre o pecado através de uma vida guiada e controlada pelo Espírito Santo.

O que isto significa? Que não podemos vencer o pecado sem antes desistirmos de nós mesmos. Não podemos experimentar o gozo da plena libertação que Cristo conquistou para nós se primeiro não abandonarmos qualquer tentativa de auto-libertação. Você dirá: “mas eu não confio em mim mesmo! Eu sei que tudo é graça!” Todavia conhecer as doutrinas da graça não é o mesmo que experimentá-las e viver por elas. São muitos os que crêem que, tendo sido salvos pela graça, agora devem empreender um largo esforço para perseverarem em sua carreira. Não! Não pode restar qualquer tipo de expectativa de que eu seja capaz de alguma coisa. Uma tal esperança irá me levar a confiar na carne e, fatalmente, o resultado será aquele de que falamos no estudo anterior: frustração, inconstância e desespero.

Que possamos nos unir a Paulo e gritar, com plena convicção: Miserável homem que sou! Que esta seja uma experiência diária de mortificação do nosso ego.

“GRAÇAS A DEUS POR JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR”

Mas e daí? Basta que um crente desista de lutar contra o pecado com base no seu próprio esforço, e então ele estará livre do seu domínio? Já vimos no primeiro estudo que não. Desistir de lutar contra o pecado é diferente de desistir de vencer o pecado. A primeira desistência revela que aprendemos a não confiar na carne; a segunda revela que, na verdade, nos rendemos aos desejos dessa mesma carne.

Não é suficiente que eu remova as minhas esperanças de vitória com base num esforço próprio; é preciso que eu transfira essas esperanças para alguém que possa satisfazê-las plenamente. E em quem eu encontro tal conforto? Certamente que em Jesus Cristo, nosso Senhor!

Ora, se eu não posso vencer o pecado, certamente há alguém que pode, e já venceu! Aquele que foi tentado em todas as coisas, como nós também somos, todavia sem pecado; Aquele que veio ao mundo sem pecado e saiu dele sem pecado – é neste que colocamos a nossa confiança! Se, por um lado, eu descubro em Romanos 7 que não posso derrotar a carne usando a própria carne, lá eu também descubro que posso obter esta vitória confiando em Jesus Cristo, nosso Senhor.

A base para tal confiança são justamente as verdades gloriosas de Romanos 6, as quais também podemos encontrar em todo o Novo Testamento. Muito mais do que um sacrifício substitutivo, a obra de Jesus foi também um sacrifício representativo ou inclusivo. Se é verdade que Jesus morreu por nós como aquele que sofreu a ira de Deus por causa dos nossos pecados, também é verdade que nós morremos com Jesus para nos livrarmos do domínio do pecado em nossas vidas. Sendo assim, fomos incluídos em sua cruz e sua morte para sermos livres do pecado. Mas também fomos incluídos em sua ressurreição para desfrutarmos de uma nova vida – ou melhor, para desfrutarmos da Sua vida, a vida eterna, a vida do próprio Deus Eterno. E, para além de tudo isso, fomos incluídos em sua ascensão gloriosa, pois Deus “nos fez assentar em lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2.6).

Oh, que verdades gloriosas! Deus nos incluiu em Cristo para que possamos desfrutar da sua completa vitória. Se não estamos em plena união com Ele, estamos derrotados. Mas a verdade é que já fomos unidos a Ele: estamos mortos com Ele, ressuscitados com Ele, e assentados com Ele em lugares celestiais. Se damos graças a Ele por tudo o que Ele conquistou para nós, obtemos completa vitória em nossa experiência de vida.

DUAS EXPERIÊNCIAS BEM DISTINTAS

Você compreende a diferença entre o crente carnal e o crente espiritual, nessa questão da luta contra o pecado? O crente carnal luta com todas as suas forças para resistir ao pecado, obtém algumas vitórias parciais sobre ele, mas será inevitavelmente derrotado, mais cedo ou mais tarde. O resultado é frustração e inconstância – uma vida cheia de altos e baixos, até que este crente finalmente chegará ao desespero e desistirá de vencer o pecado.

O crente espiritual, por sua vez, é aquele que passa pela difícil caminhada de Romanos 7. E, nessa caminhada, ele descobre que sua carne não presta nem mesmo para boas obras, e então desiste de lutar contra o pecado em seus próprios esforços. Todavia, ao invés de assumir uma postura de passividade e indiferença, o crente espiritual descobre que Cristo Jesus já conquistou toda a vitória e a tornou disponível para nós! Ele, então, se apodera dessa vitória e passa a reinar com Cristo sobre a terra. Como ele se apodera? Dando graças a Deus por Jesus Cristo. Sim, o louvor é a chave para obtermos esta graça.

Embora seja verdade que todo crente possa dizer que está assentado em lugares celestiais em Cristo, nem todos os filhos de Deus podem dizer que reinam com Cristo sobre a terra (Ap 5.10) e nem todos podem dar graças a Deus porque, em Cristo, sempre andam em triunfo (2Co 2.14). Você pode, com base na sua experiência diária, fazer essas duas afirmações? Você pode afirmar que tem obtido, em Cristo, completa vitória sobre o pecado? O segredo está em desistir de si mesmo, e dar graças a Cristo, confiando que é em Sua obra perfeita que reside a nossa experiência de triunfo.

Que nossa vida diária possa ser conduzida por essas duas afirmações: “Miserável homem que sou” e “Graças a Deus por Jesus Cristo”, a fim de que alcancemos completa vitória em meio às tentações.

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)

[Antes de ler este estudo, leia "O que eu faço com Romanos 6?"]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Já vimos que Romanos 6 nos mostra as verdades de fé, a posição vitoriosa de um homem justificado do pecado. Mas existe uma questão a resolver: se Deus nos diz que já morremos para o pecado, que fomos feitos servos da justiça e que o pecado não terá domínio sobre nós, por que então vemos tantos cristãos escravizados pelo pecado em suas vidas? Se Deus nos libertou e nos deu uma posição de completa e definitiva vitória sobre o pecado, por que a maioria dos cristãos não experimenta essa realidade de fé que nos é revalada na Escritura? Haja Deus falhado?

Certamente que não! Seja Deus verdadeiro e todo homem, mentiroso! Deus não falha em Sua Palavra e Ele não falhou no que diz em Romanos 6. Ora, se cremos que Deus pode fazer aquilo que Ele diz que irá fazer, como não creremos que Deus pode ter feito aquilo que Ele disse que já fez?

Perguntamos de novo: por que razão muitos cristãos não experimentam vitória sobre o pecado, apesar de terem efetivamente sido salvos e colocados numa posição vitoriosa em Cristo?

A resposta para todas essas indagações está em Romanos 7. Se Romanos 6 nos relata a posição de vitória do cristão, Romanos 7 é a triste descoberta de que, apesar de tal posição, permanece em nós uma terrível força que nos impulsiona para fazer o mal. Esta força é a carne. E é ela o grande empecilho para que o cristão desfrute e goze das alegrias de uma vida que vence o pecado.

QUEM MORREU?

O problema não está em que Deus não tenha providenciado, em Cristo, tudo o que precisamos para a nossa caminhada cristã em vitória. Ele o fez. O problema é com a nossa postura, com a forma como reagimos às investidas do pecado em nosso dia a dia.

Precisamos compreender que Romanos 6 não diz que o pecado morreu para nós, mas que nós morremos para o pecado. O pecado continua existindo, seduzindo e tentando aqueles que Cristo já alcançou. O pecado continua tão pecaminoso quanto antes! Tão sutil, ardiloso e feroz como sempre foi. A nossa esperança de vitória não está em que o pecado deixe de nos afrontar, mas em que nós possamos ser interiormente libertos do seu domínio.

Entretanto, ao tentarmos vencer o pecado interiormente, encontramos em nós mesmos aquela força maligna que nos impulsiona não para longe do pecado, mas para perto dele! Essa é a triste descoberta do apóstolo Paulo: que, embora Cristo tenha efetivamente nos incluído em sua morte e nos livrado do domínio escravizador do pecado, permanece em nós uma força colossal que tenta nos tornar, outra vez, seus escravos.

Essa descoberta é um fato da experiência de todo cristão. Mas como reagimos a ela? Como lidamos com o fato de que a nossa carne continua desejando o pecado?

AS DUAS REAÇÕES DO CRENTE CARNAL

Infelizmente, a maioria dos cristãos não assume uma postura correta diante das tentações. Eles fazem exatamente o que a carne espera que eles façam!

Muitos simplesmente desistem de obter vitória sobre o pecado. Quando vêem o pecado diante de si, sentem-se atraídos por ele. Então, percebendo a força daquela atração, tais cristãos afrouxam e se deixam levar pelas tentações. “Não adianta lutar, o pecado é  mais forte do que eu”, é esta a conclusão a que chegam. Entram num estado de passividade, entregam-se às suas próprias paixões e desejos, e começam a conviver com aquilo que muitos têm chamado “pecados de estimação”. Acostumam-se com aquela derrota, e se tornam cristãos derrotados.

Oh, mas não foi para isto que Cristo nos libertou! Ele não nos livrou para voltarmos, outra vez, ao domínio do pecado! O Espírito pergunta: “Como viverão ainda no pecado aqueles que já morreram para ele?” Que possamos compreender que Cristo nos libertou para sermos, verdadeiramente, livres!

Há ainda um outro grupo de crentes que reage de forma diferente. Quando a tentação se apresenta diante desses cristãos, eles cingem os lombos, entram em “posição de combate” e pensam: vamos à luta! Todavia, esta postura também é carnal. Estes crentes fazem bem em lutar contra o pecado, mas fazem muito mal em usar a arma errada! Eles confiam na força do seu próprio braço; eles contam com seus próprios esforços para viver a vida cristã e obter vitória.

As consequências dessa segunda atitude contra o pecado são frustração e inconstância. O crente que luta contra o pecado como se este fosse um inimigo ainda por vencer descobrirá da pior forma possível que é totalmente incapaz de fazer o que agrada a Deus. Ele conseguirá obter algumas vitórias parciais sobre o pecado; conseguirá fugir de algumas tentações e esboçará algum sucesso. Mas está, inevitavelmente, fadado ao fracasso, porque não percebeu ainda que o querer o bem está nele; não, porém, o efetuá-lo.

Você conhece crentes assim? Talvez você seja um deles. Eles são muito sinceros na sua devoção e no seu desejo de agradar a Deus. Todavia eles são carnais. Eles confiam em seus próprios esforços para viver a vida cristã. É por isso que tais cristãos são marcados por frustração e inconstância. Um dia estão muito bem, porque obtiveram algum sucesso sobre determinados pecados. No dia seguinte, contudo, aqueles mesmos pecados retornam e os vencem. E, então, eles se frustram e já não sabem o que fazer.

Watchman Nee certa vez escreveu: “Aqueles de nós que são derrotados gastam os seus dias em derrota e vitória, vitória e derrota, pecando e arrependendo-se e arrependendo-se e pecando: é uma vida que continuamente anda em círculos, que só termina ao cairmos em profundo desespero. Portanto, se lograrmos controlar o pecado, simplesmente o suprimiremos por um período de tempo; ou se falharmos em suprimi-lo consideraremos que o pecado é inevitável, e cairemos em desespero.” (A Vida Que Vence)

Ora, mas não foi para isso que Cristo nos salvou! Não fomos chamados para obter vitórias parciais sobre o pecado, mas para sermos completamente livres de seu domínio, andando continuamente em triunfo com Cristo!

Como podemos, então, reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência vitoriosa sobre o pecado? O segredo está em descobrir as duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7.

[continua...]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

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