Onde estão os agitadores?

“Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei” (At 17.6,7)

Graça e paz sejam com todos, em Cristo!

Este versículo muito tem marcado o meu coração nos últimos dias. Cada vez que o leio, sinto um certo mal-estar, um incômodo, uma insatisfação profunda. Há algo de errado; não no versículo, mas em nós.

Essa não é a única referência no livro dos Atos dos Apóstolos que mostra a impressão que os gentios tinham da Igreja Primitiva. Em At 24.5, Paulo é chamado pelos seus acusadores de “peste” e “agitador”; aqui os cristãos são chamados de “aqueles que têm transtornado o mundo”. O que isso significa? Por que a igreja era taxada com termos tão negativos como esses? E como isso se refere à nossa realidade enquanto cristãos, hoje?

Em primeiro lugar, está evidente que todas essas palavras são expressões de um só sentimento que a Igreja despertava nas pessoas: incômodo. É justamente esse sentimento que nós, hoje, não temos conseguido provocar no mundo.

Como seguidores de Jesus Cristo, fomos encarregados da missão de continuar seu chamado e ministério. Fomos convocados a viver como ele viveu, em santidade, em ousadia, em compromisso com a verdade (mesmo quando ela fere), em amor incondicional pelas pessoas. E é impossível ler os Evangelhos sem se sentir incomodado com a forma como Jesus andava, falava, agia. O Nazareno não estava preocupado em agradar homens, mas sim em satisfazer a vontade de Seu Pai. Quando lemos Atos, vemos que a Igreja Primitiva andava da mesma maneira. A vida dos discípulos de Jesus se parecia de tal forma com a do Mestre que, em Antioquia, eles foram chamados “cristãos” – do grego christianos, provavelmente uma palavra usada para zombar daqueles homens simples que se esforçavam tanto para imitar um homem que, aparentemente, estava morto. Mas os cristãos sabiam que o seu Salvador estava vivo e que Ele os tinha dado a responsabilidade de continuar Sua missão na terra, e essa missão era levada a sério, até às últimas conseqüências.

A perseverança daqueles primeiros seguidores de Jesus em viver a realidade ensinada pelo Senhor não era compatível com o pecado do mundo. A mentira, o ódio, as guerras, a idolatria, a impureza sexual, o amor ao dinheiro, todas essas coisas tão comuns naquele tempo – e ainda hoje – se tornavam ainda mais visíveis e insuportáveis todas as vezes que um cristão entrava em cena. Com sua santidade, seu padrão de vida celestial – e, ao mesmo tempo, com sua simplicidade e mansidão para acolher os pecadores e os proscritos sociais -, os seguidores de Jesus envergonhavam e incomodavam as pessoas, fossem judeus, gregos ou romanos. As trevas do mundo eram agitadas, transtornadas e abaladas pelo brilho que emanava da Igreja de Cristo.

E hoje? Os mesmos pecados permanecem vivos no meio de nossa sociedade, agindo sobre a vida de muitas pessoas e as escravizando. As mesmas trevas encobrem “este mundo tenebroso”. Mas onde está a Igreja de Cristo? Onde estão os “agitadores”, os “transtornadores”? Onde está a luz do mundo, que somos nós?

Em que medida as nossas atitudes têm incomodado? Será que o nosso padrão de vida tem sido capaz de envergonhar os gentios? Será que as pessoas têm visto alguma diferença em nós?

Estas são questões para começarmos a pensar. Há muito o que refletir, e cada post meu será um esforço para provocar e ser provocado, para produzir alguma inquietude e algum desejo de mudança. A Igreja está carente de Revolucionários. A Igreja precisa de Profetas denunciando os seus pecados. A Igreja precisa de crentes sinceros e cristãos fervorosos. E o Espírito Santo quer produzir isso em mim e em você.

Que Deus nos abençoe.
Até mais!

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2 respostas em “Onde estão os agitadores?

  1. Infelizmente a visão de discípulos têm sido esquecida em muitas igrejas, que geram crentes cada vez mais débeis e fracos na fé, que seguem modismos e repetem a falácia de seus líderes. Além disso, não estimulam a prática da leitura e interpretação da palavra de Deus, como fonte de Vida!
    Criaram seu jeito “crente de ser”. Usam roupas próprias, gírias, compram material evangélico (mesmo que ruim), não desenvolvem o senso crítico… Enfim… muitos perderam a essência.

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