Um edifício sem chão

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” (1Co 3.10,11)

Bom… como o assunto desse blog é sério, então é melhor começar do começo pra não tumultuar.

E a pergunta é: Onde é o começo?

Afora as analogias que fazemos entre a Igreja e a congregação de Israel, existem no Novo Testamento inúmeras metáforas para a Igreja de Cristo. Cada uma delas tem muitas coisas a nos ensinar sobre qual o propósito de Deus quando, em Jesus, decidiu reunir para si mesmo um povo que lhe fosse exclusivo. Dessas metáforas, algumas têm me feito refletir bastante, e eu com certeza vou escrever sobre cada uma delas. E a primeira vai ser a comparação feita entre a Igreja e um edifício. O que a Bíblia nos quer ensinar quando diz, no versículo anterior ao texto-base desse estudo, “edifício de Deus sois vós”?

De tudo o que eu poderia escrever sobre esse assunto, com certeza há algo de essencial que deve ser o ponto de partida para os estudos que eu pretendo colocar aqui no blog. Duas das grandes bases do Cristianismo:

1) Jesus construiu uma Igreja para si mesmo.

2) A Igreja deve estar fundamentada em Jesus.

Essas afirmações são evidentes e redundantes, eu sei. E o problema é justamente esse: duas verdades centrais da fé Cristã que têm sido esquecidas e deixadas de lado na maioria dos púlpitos das congregações. E os danos que têm sido causados ao Corpo de Cristo por causa disso são muito grandes. Vejamos então um pouco mais sobre essas duas afirmações.

1) JESUS CONSTRUIU UMA IGREJA PARA SI MESMO.

Talvez algumas pessoas, ao lerem o que eu tenho a dizer sobre os problemas que assolam a igreja nos dias de hoje, me entendam mal e achem que eu estou endossando ou mesmo incentivando movimentos pretensamente cristãos do tipo “Cristo sim, Igreja não”. Ouvi numa pregação do Pr. Dawidh Alves (do Ministério Tabernáculos) que, no Rio de Janeiro, idéias como essa vêm ganhando força e motivando a evasão em algumas denominações evangélicas. Fiz uma rápida pesquisa no orkut e constatei que existem várias comunidades com títulos parecidos, como “Acredito em Deus, não na Igreja” ou “Ame Jesus, não a igreja”. Embora a maioria delas seja de pessoas que não professam nenhuma religião específica, há sim comunidades de “cristãos” que se recusam a freqüentar igrejas.

É evidente que não é disso que eu estou falando. A Bíblia não dá margem a esse tipo de slogan; não há nenhuma passagem escriturística que dê fundamentos para alguém se dizer cristão sem que esteja em comunhão com o Corpo de Cristo. Só para ficar no superficial – pois não é aqui que eu quero chegar -, dois textos bíblicos muito conhecidos falando sobre a Igreja:

“Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.17,18)

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25)

A importância da Igreja é o tema de um estudo que vou postar em breve. Por enquanto, basta dizer que não existe Cristianismo sem Igreja – essa seria uma idéia impensável e inaceitável para qualquer um dos apóstolos e para o próprio Jesus. Só é possível viver em plenitude a vida cristã quando estamos em plenitude com o Povo de Deus. Qualquer tentativa de ser cristão fora da Igreja será, sem dúvida nenhuma, frustrada.

Então, agora que fizemos essa ressalva, vamos ao que interessa.

2) A IGREJA DEVE ESTAR FUNDAMENTADA EM JESUS.

O texto com o qual iniciamos este estudo não deixa dúvidas: o fundamento da Igreja é Jesus Cristo. Ele é a Pedra Fundamental, a grande Rocha que sustenta a vida do Seu Povo e que nos permite ficar de pé. Todas as ações da Igreja, todas as pregações, todo evento, todo movimento, toda oração, todo louvor, todo bater de palmas e todo suspiro dado em um culto deveria ter Jesus Cristo no centro. Não faz sentido, à luz da Palavra de Deus, que a Igreja faça qualquer coisa sem ter bem claro que o propósito é louvar e engrandecer Jesus. Ele é o Motivador e o Receptor de tudo o que a Sua Igreja faz. E muito mais do que isso:

Ele é o Autor da Vida (At 3.15). “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Jesus é a vida por excelência – a Fonte da Vida, a Água da Vida, o Pão da Vida, o Manancial de Águas Vivas. Todos nós estamos aqui para Ele, mas, antes, por causa d’Ele.

Ele é o Autor da Salvação (Hb 2.10; Hb 5.9). “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Todos os nossos esforços para alcançar a redenção e a vida eterna são inúteis. Só em Jesus Cristo, através de seu sacrifício, sua morte na cruz, podemos ser levados de volta ao centro da vontade de Deus, pela salvação.

Ele é o Autor e Consumador de nossa Fé (Hb 12.2). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). Como se não bastasse Jesus ser a fonte da nossa vida natural e ter Ele morrido em nosso lugar para nos dar salvação pela fé, Ele mesmo produz a fé em nós e Ele mesmo é o objeto de nossa fé.

Jesus é tudo! É o princípio e o fim de todas as coisas em nossas vidas. A Igreja não pode se esquecer disso nem por um segundo; pois, se por acaso ela se esquecer, naquele momento ela será qualquer outra coisa, menos a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

A triste realidade, entretanto, é que na maioria das congregações o nome de Jesus Cristo tem sido colocado em segundo plano, quando não é totalmente ignorado. Fala-se em bênçãos, prosperidade, vida vitoriosa, contam-se as narrativas do Velho Testamento, enche-se o povo com mensagens de motivação, pede-se desesperadamente pelo poder de Deus – esquecendo-se que, longe de Jesus, nenhuma dessas coisas faz sentido. A prova disso está inclusive em alguns CDs lançados nos últimos anos, nos quais se ouve falar de tudo, menos de Jesus, Seu amor e Sua obra de salvação.

Não estou aqui duvidando da sinceridade dessas igrejas ou dessas pessoas. Muito pelo contrário, se eu achasse que não eram pessoas tentando fazer a vontade de Deus eu não perderia meu tempo escrevendo essas coisas. A questão é que estamos negligenciando a importância, a centralidade do nome de Jesus no nosso dia-a-dia cristão, e isso tem trazido conseqüências tanto dentro da Igreja quanto fora. Dentro, muitas pessoas frustradas por não obterem as bênçãos materiais que lhes foram prometidas e, ao mesmo tempo, desamparadas por desconhecerem a imensa herança celestial que temos em Cristo. Fora da Igreja, o principal problema é a perda de credibilidade da mensagem do Evangelho, já que as pessoas não ouvem mais a Palavra da Cruz, que é o grande trunfo e o grande poder do Cristianismo – um poder que nenhuma outra religião pode oferecer.

Precisamos rever nossa posição enquanto Igreja e, se estivermos fora do Fundamento, precisamos nos arrepender e voltar atrás. E isto tem que ser feito o mais rápido possível, pois as rachaduras no Edifício estão se tornando manifestas.

Que Deus nos abençoe.
Até a próxima!

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4 respostas em “Um edifício sem chão

  1. a paz!!! gostei do comentario.concordo plenamente.e mais,haja- vista que estou estudando no momento o assunto em foco,foi o que me levara, a encontrar esse site. que Deus continue abençoando grandemente… qual quer novidade entre encontato conosco.

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