O chamado esquecido da Igreja – Parte 1

“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos (1Pe 2.21)

Graça e Paz estejam sobre a vida de todos vocês!
Prontos pra mais uma?

O texto acima tem sido marcante pra mim desde que li Em seus passos, o que faria Jesus?, de Charles M. Sheldon. Eu já vinha refletindo sobre as conseqüências mais profundas de ser cristão há algum tempo quando esse livro chegou às minhas mãos. Mas a partir de então esse versículo se tornou emblemático em minha vida.

O que o Espírito Santo vem revelando a mim, através de Sua Palavra, é que o Cristianismo puro e genuíno só pode ser vivido através de sofrimentos. Muitos cristãos, com base em diversos versículos bíblicos, têm crido sinceramente que seguir Jesus significa ter uma vida fácil e tranqüila, destituída de problemas. Quando a adversidade vem, os mais convictos a atribuem a Satanás e a repreendem “em nome de Jesus!”. Os menos convictos desfalecem, pois estavam despreparados para passar pela tempestade. O que esse estudo pretende mostrar, através das Escrituras, é que existem vários tipos de sofrimentos. Alguns são conseqüência de nossos pecados, e a solução para estes é o arrependimento; outros são artimanhas de Satanás para nos fazer cair, e nos livramos deles através da fé e da oração. Porém existem outros tipos de sofrimento que, embora não venham diretamente de Deus, fazem parte da caminhada cristã, e nós devemos aprender a lidar com estes de uma forma muito especial.

Nesta primeira parte, veremos os dois tipos de sofrimento com os quais nós, cristãos, NÃO devemos nos conformar. Estes sofrimentos não fazem parte do plano de Deus para nossas vidas e, em Jesus, nós temos provisão contra eles.

O SOFRIMENTO POR CAUSA DO PECADO

Era uma crença comum entre os judeus, inclusive no Novo Testamento, que os males eram uma conseqüência de pecados específicos de uma pessoa. Esterelidade, deficiência física e outras enfermidades eram atribuídas à maldição de Deus por causa de nossos erros.

Embora, como veremos, essa seja uma afirmação imperfeita, de fato existem sofrimentos e dores que são resultado de certas atitudes nossas. Um jargão evangélico comum é “todo pecado tem sua conseqüência”. Verdade. Ainda que Deus sempre perdoe os nossos pecados quando os confessamos e nos cobrimos com o sangue de Jesus, muitas vezes Ele permite que soframos o dano por causa de nossos erros. Lembrando que isso vale também – aliás, principalmente – para os cristãos.

É assim que Tiago afirma: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5.16a). E Paulo, falando aos Coríntios sobre a Santa Ceia: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. […] Eis a razão porque há entre vós muitos fracos e não poucos que dormem” (1Co 11.27.30). Ou seja: os apóstolos, claramente, entendiam que doenças e até a morte poderiam ser causadas pelo pecado.

Porém precisamos entender que nem toda doença nem todo sofrimento estão relacionados com trangressões específicas que cometemos. Basta lembrar o exemplo de Jó ou, ainda, a passagem em que Jesus cura um cego de nascença em João 9:

“Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” (Jo 9.1-3)

O SOFRIMENTO POR CAUSA DAS TENTAÇÕES DE SATANÁS

Em vários dos milagres de Jesus, os escritores dos Evangelhos utilizaram a expressão “possesso de espírito imundo” para descrever a situação das pessoas. Essa terminologia foi usada, inclusive, para descrever situações que nós explicamos através de causas naturais (ver Mc 9.17 e Lc 13.11).

Entretanto, tais sofrimentos não podem ser explicados como sendo conseqüência de um pecado específico. Existem circunstâncias pelas quais passamos e, muitas vezes, ficamos perguntando “será que eu pequei para que isso acontecesse comigo?”, exatamente como os discípulos fizeram na história do cego de nascença descrita acima. Só que essas situações não são fruto de um pecado, mas do pecado. Em outras palavras, nós não fizemos nada que tenha contribuído diretamente para que aquilo acontecesse, mas as imperfeições da natureza humana e a debilidade do nosso relacionamento com Deus são utilizadas por Satanás para nos afligir.

A PROVISÃO DO CALVÁRIO

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Is 53.4-5)

A questão central é que NENHUM desses sofrimentos deveria nos acontecer. Na cruz do Calvário, Jesus Cristo entregou sua vida como sacrifício em nosso lugar, pagando o preço que era devido por cada um de nós. Esse sacrifício nos resgatou não somente da condenação do inferno, mas também das dores, doenças e castigos e de todo o poder que Satanás tinha sobre nós.

Quando Jesus Cristo derramou seu sangue na cruz, nos tirou da escravidão do pecado e de suas conseqüências malignas. Jesus fez provisão por todas as nossas transgressões – passadas, presentes e futuras – e também pela nossa iniqüidade. (É importante a diferença entre iniqüidade e transgressão: transgressão se refere àquilo que nós fazemos, aos pecados que cometemos; iniqüidade se refere àquilo que nós somos, ao pecado que habita em nossa carne.)

Como cidadãos dos céus, não precisamos mais aceitar esse tipo de sofrimento passivamente. Podemos reagir a eles de forma ativa e positiva, através da confissão dos pecados, da oração da fé e do poder que há no nome de Jesus. Contra esses sofrimentos, a autoridade de Jesus nos foi dada para pisarmos “serpentes e escorpiões” e para, impondo as mãos, vermos a cura de Deus operando. A Bíblia não deixa dúvidas de que podemos ver milagres de cura e libertação ocorrendo no meio da Igreja, pois o nosso Sumo Sacerdote é fiel! (O fato de estes milagres estarem acontecendo em tão pequeno número será assunto de um post futuro.)

Portanto, quando eu falo que a vida Cristã ocorre em meio aos sofrimentos, não é desse tipo de sofrimento que estou falando. Quando o pecado ou o ardil de Satanás tentarem nos abater – física, mental ou espiritualmente -, podemos SIM orar a Deus e crer que ele nos livrará de todo mal.

“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.” (Is 59.1)

No próximo post, falaremos sobre o outro tipo de sofrimento – aquele que é necessário e, em alguns casos, até mesmo desejável para a vida de um verdadeiro cristão. Creio que é de grande importância aprendermos essa verdade espiritual tão ignorada em nossos dias.

Que Deus nos abençoe.
Até a próxima!

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2 respostas em “O chamado esquecido da Igreja – Parte 1

  1. graça e paz, meu bem!
    esse teu blog tá fera, sério. Que o nosso Deus continue te conduzindo, te iluminando e te usando como instrumento de edificação do Corpo de Cristo.
    Paz!
    beijo

  2. Pingback: O único e verdadeiro Evangelho - Parte 5 « marcados para impactar!

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