Uma geração sem nada – Parte 2

SEM AUTONOMIA

“Quando a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, os filhos de Israel caminhavam avante, em todas as suas jornadas; se a nuvem, porém, não se levantava, não caminhavam, até ao dia em que ela se levantava. (Êxodo 40.36-37)

Dependência é recusar-se a agir sem a presença e a aprovação de Deus. Se somos dependentes, Deus passa a assumir o controle de nossas vidas, ditando o que devemos fazer. Uma geração sem nada é, além de um povo sem herança, um povo sem autonomia.

Autonomia vem das palavras gregas autós, que significa “próprio, si mesmo”, e nomós, que quer dizer “regra, norma, lei”. Etimologicamente, portanto, não ter autonomia é não andar conforme suas próprias regras de conduta, mas sujeitar-se à lei de Deus. Podemos dizer ainda que uma geração sem autonomia é uma geração sem vontade própria, na medida em que a pessoa que não se governa mais torna-se incapaz de procurar o seu próprio querer. Um povo dependente é um povo buscando a vontade de Deus sem medir as aparentes perdas ou danos que isso lhe trará.

Deus está nos convocando para que venhamos a fazer parte dessa geração sem nada, desse “povo dentro do povo” que não procura os seus interesses nem age segundo os seus pensamentos, mas procura sempre agradar a vontade daquele que nos chamou. Como Paulo disse ao seu discípulo Timóteo, um soldado arregimentado não se ocupa mais com as coisas desta vida, pois o seu objetivo é satisfazer aquele que o arregimentou.

SEM PROJETOS PESSOAIS

“E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Coríntios 5.15)

Dependência é parar de sonhar, planejar e agir para prestar atenção no que Deus quer de nós e para nós. A gravidade dessa afirmação me faz tremer. Primeiro, renunciamos à herança a que “tecnicamente” tínhamos direito; depois, paramos de fazer o que queremos para fazer o que Deus quer. Este terceiro passo é muito mais ousado: não apenas precisamos parar de fazer o que queremos, mas o que realmente precisamos é deixar de querer. Uma geração sem nada não renuncia às suas vontades para em seguida ficar resmungando, como fazia o povo de Israel no deserto. Uma geração sem nada simplesmente não se dá ao luxo de pensar ou sonhar qualquer coisa que não se alinhe perfeitamente aos planos de Deus para a sua vida.

Isso me diz muito sobre chamado ministerial. Tenho visto ao meu redor inúmeros jovens capacitados pela unção de Deus, mas que ainda não se deram conta de que foram escolhidos para o ministério ou, pior ainda, se recusam a aceitar tal idéia. O Espírito parece estar derramando uma medida muito maior de capacitação espiritual para pastores, apóstolos, profetas, evangelistas e mestres, porém isso não tem resultado em efetivo crescimento e amadurecimento da igreja porque estes soldados estão, como eu gosto de dizer, “à paisana”, isto é, ainda não colocaram suas fardas do Exército de Deus para que possam partir para a guerra.

Se queremos ser uma geração marcada por avivamento e milagres, se queremos verdadeira intimidade com Deus, precisamos deixar tudo para seguir o seu chamado! E se você que está lendo este estudo sabe que Deus tem algo para sua vida, eu gostaria de dar um conselho: não queira outra coisa para a sua vida senão que o Senhor possa te usar para fazer cumprir o Seu maravilhoso plano redentivo para humanidade, pois não há nenhum lugar mais prazeroso de se estar do que debaixo da autoridade divina. Mas é preciso renunciar para se atender ao chamado do Senhor. Se queremos ser a tal geração sem nada, precisamos começar a viver aquela dolorosa canção do Toque no Altar: Abro mão dos meus sonhos, abro mão dos meus planos, abro mão da minha vida por Ti… Abro mão dos prazeres e das minhas vontades, abro mão das riquezas por TI!

SEM VIDA PRÓPRIA

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2.19-20)

Dependência é não mais saber viver sem Deus. Essa é a decorrência quase natural dos tópicos anteriores: uma vez que perdemos nossa herança, nossas vontades, nossos projetos e sonhos, ficamos mesmo sem nossas próprias vidas. Uma geração sem nada é uma geração de jovens verdadeiramente crucificados, que perderam tudo o que tinham por amor ao seu Senhor. Só poderemos ser a geração de levitas quando estivermos definitivamente mortos, tanto para nossos delitos e pecados quanto para nossos sonhos e projetos pessoais.

Uma geração sem nada é um povo que desaprendeu a viver sem Jesus. Quando Cristo vive em mim, ocorre uma inversão da ordem natural das coisas: viver para nós mesmos é a morte, negar-nos a nós mesmos é a própria vida do Senhor Jesus em nós. Como quando o apóstolo Pedro dirigiu-se ao Mestre: “Senhor, para quem iremos? Pois só tu tens as palavras de vida eterna”. Quando somos dependentes de Deus nesse nível que está sendo proposto, somos incapazes de sair da presença do Senhor. Somos incapazes de voltar para o mundo, pois este não nos cabe mais!

É evidente que esta não é a realidade observável em nossas igrejas hoje, especialmente entre os jovens. Estamos vivendo um triste momento de crise de identidade na Igreja, um momento em que torna-se cada vez mais difícil distinguir o que é sagrado e o que é profano. Estamos vendo o mundo entrar na igreja, e os crentes não parecem saber se querem Cristo ou se preferem continuar em seus pecados. Esse quadro de inconstância e indecisão da aparente “Igreja de Cristo” é inaceitável, e só pode ser mudado quando entendermos que fomos chamados para perder ao invés de ganhar, para sofrer ao invés de ter prazer, e para morrer ao invés de viver.

Uma jovem incrédula certa vez disse algo acerca dos evangélicos: “Para mim, um cristão ou é alguém que vive em Cristo, ou é um impostor”. Se queremos carregar o título de Cristãos, a morte é o único caminho possível, para que Cristo possa viver em nós.

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mateus 16.24-25)

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