Alimento sólido: O Evangelho das crianças

Por BRENNAN MANNING

O evangelho de Mateus nos fala que as crianças têm um direito especial no amor de Deus:

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” Chamando uma criança, colocou-a no meio dele, disse: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. (Mateus 18.1-4)

Não há dúvida de que é necessário aprender a ser como uma criança para entrar no reino. Mas para se captar todo o vigor da expressão “como crianças”, nós precisamos perceber que a atitude judaica para com as crianças no tempo de Cristo era drasticamente diferente daquela que existe hoje. Temos a tendência a idealizar a infância, vê-la como a idade feliz da inocência, despreocupação e fé simples. Na comunidade judaica dos tempos do Novo Testamento, a criança era considerada sem nenhuma importância, não merecendo nenhuma atenção ou favor. A criança era considerada com desprezo.

Para o discípulo de Jesus, ser como uma criança significa aceitar a si mesmo como pouco apreciado, sem importância. Esta compreensão de nós mesmos muda não somente o modo como vemos nosso valor, mas também o modo como vemos a graça salvadora de Deus. Se a criança judia recebesse dez centavos de mesada do pai no fim da semana, ela não os consideraria pagamento por varrer a casa, lavar a louça e assar o pão. Era um presente completamente imerecido, um gesto de absoluta generosidade de seu pai.

Jesus deu a esses pequeninos desprezados o privilégio de seu reino e os apresentou como modelos para os discípulos. Eles deviam aceitar o dom do reino da mesma maneira que uma criança aceita a mesada. Se as crianças eram privilegiadas, não era porque tinham merecido tal privilégio, mas simplesmente porque Deus se agradava delas. A misericórdia do Senhor fluiu para elas total e completamente em razão da graça imerecida e da preferência divina.

Outro texto importante destaca o privilégio das crianças. O hino de louvor diz: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado” (Lc10.21).

A bênção de Deus recai sobre as crianças porque são criaturas desprezadas, não por causa de suas boas qualidades. Elas podem estar cientes de sua pouca importância, mas este não é o motivo pelo qual as revelações lhes são dadas. Jesus expressamente atribui a bênção que elas recebem à boa vontade do Pai, à eudokia divina. Os dons não são dados pela mais leve qualidade ou virtude pessoal. Eles são pura generosidade.

(Texto extraído do livro “Convite à loucura”, de Brennan Manning, publicado pela editora Mundo Cristão.
Recomendo este livro à todos!)

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