Cristo, a essência do puro e perfeito Cristianismo

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2.19,20)

Muitos têm entendido erroneamente o verdadeiro significado de ser cristão. Uns acham que ser cristão é ir à igreja nos dias de culto. Outros acham que é experimentar alguns dons espirituais e manifestações de curas e milagres. Há aqueles que pensam que ser um bom cristão é orar e ler a Bíblia com regularidade. Outros ainda, um pouco mais esclarecidos, dizem que ser cristão é amar como Jesus, ser manso como Jesus ou ser humilde como Jesus.

Mas a realidade é que tudo isso não é o verdadeiro cristianismo, senão uma sombra incompleta e imperfeita dele. E qual é o verdadeiro cristianismo? Ora, Cristianismo é Cristo e a nossa identificação com Ele. Cristianismo não é ler um pouco a Bíblia, orar com certa freqüência, experimentar um ou outro dom espiritual, nem mesmo atingir algumas características da personalidade e do caráter de Jesus. Não, isso é religião. Cristianismo se resume numa só palavra, CRISTO, e se torna real em nossas vidas pela nossa experiência de paulatina, gradual e completa conformação a Cristo, Sua obra, Sua palavra e Sua imagem.

“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”

A maioria de nós entende esse texto como uma exortação de Paulo para que sejamos semelhantes a Jesus, como se o apóstolo estivesse a dizer: “logo, já não sou eu quem deve viver, mas Cristo deve viver em mim”. Porém o contexto e o próprio versículo dizem exatamente o contrário: Cristo não irá viver em nós quando nos tornarmos parecidos com Ele. Cristo já vive em nós, e é só por isso que podemos nos tornar semelhantes a Ele. O cristianismo não é um esforço do homem para alcançar o padrão divino. Aqueles que pensam desta forma se iludem e incorrem numa tolice tão grande quanto seria achar que podem beber toda a água do oceano com um canudinho. Não, Cristianismo não é o homem se esforçando para subir uma íngreme escada na direção de Deus. Cristianismo é Cristo. É Deus entregando Cristo por mim. É Deus entregando Cristo para mim. É Cristo decidindo habitar dentro de mim.

É claro que, se Cristo vive em mim, mudanças profundas acontecerão. Porque Cristo vive em mim, eu vou aos cultos junto com a igreja, oro, leio a Bíblia, recebo os dons do Espírito e meu caráter passa por nótorias transformações. Mas esse não deve ser o nosso foco, e nem poderia. O foco é Cristo. O centro de nossas vidas não pode ser aquilo que fazemos para Cristo, mas sim aquilo que Cristo faz por nós, em nós e através de nós.

E o que Cristo faz? Cristo renuncia à sua glória divina, assume um corpo humano, aceita entregar sua vida vida e morrer pelos meus pecados. Depois, Cristo, o tesouro mais precioso de toda a eternidade, aceita entrar na minha vida e fazer morada dentro de um vaso de barro tão frágil, desprezível e inútil como eu. Por fim, Cristo trabalha arduamente, dia e noite, por meio do Espírito Santo, a fim de fazer com que essa sua habitação interior no meu espírito se torne visível e percebida por todos os homens, e a Sua glória possa resplandecer em mim.

Temos enfatizado muito a responsabilidade humana na santificação e isso tem se tornado um problema no nosso meio. O fardo que temos lançado sobre o crente é o mesmo que o colocarmos diante de um trem de cem vagões carregados de brita, e então dizermos: “Puxe este trem!” Ora, a mensagem do Evangelho não é esta. O Evangelho de Cristo verdadeiramente nos coloca diante de um trem de cem vagões, mas também nos apresenta uma potente locomotiva capaz de nos fazer puxar o trem. Cristo é a locomotiva. Cristo é o motor que nos impulsiona à santidade. Cristo é a força que torna possível a hercúlea tarefa de sermos santos como Deus o é.

Resumindo o que temos dito até aqui, Cristianismo é Cristo – mas não simplesmente. Cristo é desde o princípio, Ele sempre existiu. Porém o Cristianismo só existe quando Cristo passa a viver em mim, isto é, a partir da minha identificação com Ele, Cristo Jesus, o eterno Filho de Deus.

E o que é identificar-se com Cristo? Em primeiro lugar, é saber que Deus o declarou idêntico a Cristo, conferindo-lhe a Sua índole ou natureza. Em segundo lugar, é considerar a si mesmo de acordo com esta verdade, isto é, é aceitar está verdade pela fé e entender que ela se aplica especificamente à sua vida. Em terceiro lugar, identificar-se com Cristo é tornar-se idêntico a Ele por meio de uma experiência pessoal de relacionamento com Ele, experiência esta que traz crescimento espiritual e, então, nos confere o caráter do próprio Cristo.

Ora, se eu digo que o verdadeiro cristianismo não é adquirir aspectos do caráter de Cristo, mas agora digo que o verdadeiro cristianismo nos conduz ao caráter de Cristo, estaria me contradizendo? Não, porque existem pelo menos duas diferenças essenciais entre uma coisa e outra, entre o “cristianismo” religioso e o cristianismo genuíno.

A primeira delas é que o verdadeiro cristianismo não confia nos seus próprios esforços para alcançar o caráter de Cristo, como se fosse possível imitá-lo na força do nosso braço. Não, o verdadeiro cristianismo entende que tudo depende de ver Cristo, conhecer Cristo e ter comunhão com Cristo. O velho ditado “Diga-me com quem andas e te direi quem és” é também verdadeiro com respeito a Cristo: se andamos com Ele, seremos semelhantes a Ele. Sendo assim, a nossa preocupação não deveria ser com regras de conduta e leis morais que nos dêem a aparência de Cristo. Pelo contrário, o que precisamos é ansiar por conhecer Cristo mais a cada dia, desenvolvendo com Ele um relacionamento profundo de amor e intimidade. Só quando estivermos imersos em um amor intenso e prazeroso por Cristo é que poderemos desfrutar do Seu verdadeiro caráter. (ver 2Coríntios 3.4-5; 1João 4.10)

A segunda diferença entre a personalidade “transformada” do religioso e a do verdadeiro cristão diz respeito à intensidade com que o caráter de Cristo assume o controle de nossas vidas. Para o religioso, ser cristão é ter as qualidades de Cristo, e por isso ele enfatiza aspectos individuais e particulares dessas qualidades. Para esse tipo de crente, ser santo é não matar, não roubar, não se prostituir, não mentir etc. Toda a ênfase do religioso está nas ações, e geralmente ele obedece às prescrições morais que lhe são impostas por medo das punições que porventura pode receber.

O verdadeiro cristão, por sua vez, não está tão interessado nas qualidades de Cristo quanto está preocupado com a natureza de Cristo. A ênfase do cristianismo genuíno não é evitar este ou aquele pecado, e sim alcançar em sua vida pessoal uma experiência de verdadeira manifestação da natureza e da índole de Cristo. O religioso quer fazer o que Cristo faz ou manda fazer. O Cristão quer ser o que Cristo é. Isto é muito mais profundo, pois deixa de ser uma questão de ação para ser uma questão de motivação. O verdadeiro cristianismo não se importa mais com as qualidades de Cristo do que com a mente de Cristo.

Sabe por quê? Porque o Cristão não obedece a Cristo por medo do inferno ou da punição. O cristão genuíno obedece por amor. Sua disposição para viver o Evangelho procede da sua experiência doce e carinhosa com o Salvador, e por isso ela é muito mais profunda e estável.

Em Cristo Jesus, nossa essência,
Vinícius Pimentel

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Uma resposta em “Cristo, a essência do puro e perfeito Cristianismo

  1. Cristo, a essência do puro e verdadeiro cristianismo, é um texto que com certeza incomoda muita gente, pois vai de encontro com a mensagem que normalmente é transmitida no meio evangélico. Quero te motivar a que continues firme e fiel à mensagem que cristo tem te desafiado a anunciar, não se cale jamais, pois o Senhor tem contado com você para muito mais.

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