Mudando de terreno – Parte 1

Temos sido maravilhosamente abençoados por Deus nestes últimos dias, por Ele estar abrindo os nossos olhos para que possamos enxergar algumas realidades fundamentais de Sua Palavra. É bem verdade que ainda “vemos os homens como árvores”, como aquele cego que Jesus curou em duas etapas. Ainda não vemos muitas coisas com a clareza que deveríamos, mas temos uma certeza: Deus está nos fazendo passar por um processo curativo tremendo! E, nesse processo, temos sido estimulados a crescer e amadurecer em Cristo.

Prontos para mais essa? Então vamos lá.

A Bíblia usa muitas expressões e figuras de linguagem para descrever a profunda mudança que um indivíduo passa quando recebe Jesus Cristo em sua vida. Além disso, nós, cristãos, também temos nossas próprias expressões e figuras de linguagem para apresentar esta realidade.

Todavia, acredito que existe um problema na compreensão que a maioria dos crentes tem a respeito deste tema. A princípio, diria que não se trata de um erro em si, mas de uma superficialidade no entendimento do que realmente significa receber Jesus Cristo. Precisamos entender quão extensa, profunda e elevada é a mudança de vida que experimentamos quando este milagre da conversão é genuinamente operado em nós. Uma compreensão fraca sobre este tema irá gerar crentes fracos em convicções e atitudes, ao passo que uma compreensão plena desta matéria certamente irá gerar crentes na plenitude do Espírito Santo.

A CONVERSÃO É UMA MUDANÇA “RADICAL”

Ouvi muitas vezes cristãos devotos afirmando que a conversão é “apenas o primeiro passo”. Acredito que eu mesmo tenha dito isso, e receio que até já tenha escrito alguma coisa desse tipo aqui no blog.

Essa afirmação, em certo sentido, é verdadeira. A conversão não encerra a caminhada cristã; apenas a inicia. A conversão não é o auge da vida cristã. Todavia a conversão, embora não seja o fim nem o auge, é o momento mais importante da vida cristã quando entendemos que é aquele momento derradeiro que torna possível todos os outos momentos da caminhada. Em outras palavras, a conversão é o passo primordial, porque dele dependem todos os outros passos, e nenhum dos outros passos pode ser dado antes da conversão ou fora da conversão.

A palavra conversão, entretanto, tem tido o seu significado mais puro desgastado pelo uso superficial e estranho que muitos têm feito dela. Por isso é que precisamos obter luz das Escrituras para entender de uma forma mais precisa e profunda o que é a conversão e o que ela representa para um convertido.

“Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” (Gálatas 1.3-4)

“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados…” (Colossenses 2.6)

Quanta luz recebemos diante destes dois textos! Eles nos ensinam com grande profundidade o verdadeiro significado da conversão. Precisamos observar a íntima ligação entre duas palavras presentes nestas passagens: desarraigar e radicados. Vejamos que linda verdade nos mostram as Escrituras:

Desarraigar significa arrancar pela raiz.

Radicar significa fazer criar raízes.

Ora, a conversão não é outra coisa senão um milagre, através do qual Deus arranca as nossas raízes de um terreno e nos planta em um terreno totalmente novo. Não é adequado dizer que “a conversão é apenas o primeiro passo” por diversos fatores:

Em primeiro lugar, a conversão não é um passo no sentido de um produto do esforço humano, mas um milagre, no sentido de uma operação divina sobrenatural.

Em segundo, a conversão não é pequena em extensão; a conversão tem um alcance gigantesco como o de um foguete lançado em direção à lua, em contraste com a pequena pegada deixada pelo astronauta ao dar seu primeiro passo no solo lunar.

Em terceiro, a conversão não é um “primeiro passo”, como se já estivéssemos parados no caminho certo e, então começamos a andar, um passo após o outro, sendo que a conversão não é nada além de “mais um” desses muitos passos. De forma alguma!

Precisamos desesperadamente entender que estávamos no terreno errado, andando em nossos próprios caminhos, alheios à vontade e à vida de Deus. Então, Deus nos arrancou pelas nossas raízes, desfazendo toda e qualquer ligação que anteriormente tínhamos com aquele terreno da perdição, e nos plantou em um novo terreno, o terreno da ressurreição, no qual estamos firmes através de raízes profundas, crescendo e sendo irrigados para dar muito fruto para Deus.

Quer dizer: a conversão é uma mudança profunda, tanto se considerada negativamente como positivamente. Negativamente, Deus nos desarraigou do nosso antigo terreno, aquele terreno maldito, espinhoso, infrutífero, seco e sem vida que é o mundo. Estávamos lá, plantados, bastante enraizados, numa vidinha parada e aparentemente confortável, quando Deus impiedosamente nos arrancou, puxou as nossas raízes com tal força que nem uma radícula ficou lá para contar história! Sim, a palavra “desarraigar” inclui uma certa violência, pois Deus não poderia nos puxar levemente, sob o risco de que restasse alguma ligação com o velho terreno, e então ainda seríamos contaminados pelas impurezas, pragas e sequidão presentes naquela terra. Era necessário um processo doloroso de total desprendimento do velho terreno e remoção da velha terra, para que Deus pudesse nos livrar da sua podridão e corrupção. Esse é o aspecto negativo da conversão.

Positivamente, pela conversão Deus nos radicou em Cristo, isto é: Deus não nos tirou do terreno do mundo para nos deixar sem firmeza, sem alimento e sem vida. Muito pelo contrário! Ao processo doloroso de desarraigar segue o triunfante processo de sermos plantados em um novo terreno, o terreno de Cristo e da Ressurreição. Nossas raízes, agora limpas e livres de tudo o que era podre e corruptível, podem ser adequadamente fixadas num terreno fértil, saudável e rico em nutrientes. O terreno de Cristo é o único terreno possível para darmos os frutos que Deus espera de nós, porque só o terreno de Cristo possui as condições adequadas para uma raiz firme, um crescimento saudável e uma frutificação abundante.

Por isso que iniciamos este tópico com o título A conversão é uma mudança “radical”. A palavra “radical” quer dizer “que se refere à raiz”. A conversão é uma mudança do local em que as nossas raízes estão fixadas e, portanto, é uma mudança de fundamento (aquilo que nos mantém de pé) e de alimento (aquilo que nos mantém vivos).

Precisamos entender isto! A conversão não é uma simples decisão que tomamos e que pode, a depender da nossa insistência, resultar ou não em uma vida diferente. A conversão é, duplamente, Deus nos removendo de um terreno de derrota, perdição e morte – e arrancando toda a nossa ligação com ele – e, instantaneamente, nos inserindo em um novo terreno, de abundância, ressurreição e Vida – ao qual permanecemos ligados uma vez por todas, crescendo e dando os frutos que Deus nos preparou para dar.

Jajá continuamos esta reflexão!
Em Cristo, em quem estamos firmados,
Vinícius Pimentel

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