As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)

[Antes de ler este estudo, leia “O que eu faço com Romanos 6?”]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Já vimos que Romanos 6 nos mostra as verdades de fé, a posição vitoriosa de um homem justificado do pecado. Mas existe uma questão a resolver: se Deus nos diz que já morremos para o pecado, que fomos feitos servos da justiça e que o pecado não terá domínio sobre nós, por que então vemos tantos cristãos escravizados pelo pecado em suas vidas? Se Deus nos libertou e nos deu uma posição de completa e definitiva vitória sobre o pecado, por que a maioria dos cristãos não experimenta essa realidade de fé que nos é revalada na Escritura? Haja Deus falhado?

Certamente que não! Seja Deus verdadeiro e todo homem, mentiroso! Deus não falha em Sua Palavra e Ele não falhou no que diz em Romanos 6. Ora, se cremos que Deus pode fazer aquilo que Ele diz que irá fazer, como não creremos que Deus pode ter feito aquilo que Ele disse que já fez?

Perguntamos de novo: por que razão muitos cristãos não experimentam vitória sobre o pecado, apesar de terem efetivamente sido salvos e colocados numa posição vitoriosa em Cristo?

A resposta para todas essas indagações está em Romanos 7. Se Romanos 6 nos relata a posição de vitória do cristão, Romanos 7 é a triste descoberta de que, apesar de tal posição, permanece em nós uma terrível força que nos impulsiona para fazer o mal. Esta força é a carne. E é ela o grande empecilho para que o cristão desfrute e goze das alegrias de uma vida que vence o pecado.

QUEM MORREU?

O problema não está em que Deus não tenha providenciado, em Cristo, tudo o que precisamos para a nossa caminhada cristã em vitória. Ele o fez. O problema é com a nossa postura, com a forma como reagimos às investidas do pecado em nosso dia a dia.

Precisamos compreender que Romanos 6 não diz que o pecado morreu para nós, mas que nós morremos para o pecado. O pecado continua existindo, seduzindo e tentando aqueles que Cristo já alcançou. O pecado continua tão pecaminoso quanto antes! Tão sutil, ardiloso e feroz como sempre foi. A nossa esperança de vitória não está em que o pecado deixe de nos afrontar, mas em que nós possamos ser interiormente libertos do seu domínio.

Entretanto, ao tentarmos vencer o pecado interiormente, encontramos em nós mesmos aquela força maligna que nos impulsiona não para longe do pecado, mas para perto dele! Essa é a triste descoberta do apóstolo Paulo: que, embora Cristo tenha efetivamente nos incluído em sua morte e nos livrado do domínio escravizador do pecado, permanece em nós uma força colossal que tenta nos tornar, outra vez, seus escravos.

Essa descoberta é um fato da experiência de todo cristão. Mas como reagimos a ela? Como lidamos com o fato de que a nossa carne continua desejando o pecado?

AS DUAS REAÇÕES DO CRENTE CARNAL

Infelizmente, a maioria dos cristãos não assume uma postura correta diante das tentações. Eles fazem exatamente o que a carne espera que eles façam!

Muitos simplesmente desistem de obter vitória sobre o pecado. Quando vêem o pecado diante de si, sentem-se atraídos por ele. Então, percebendo a força daquela atração, tais cristãos afrouxam e se deixam levar pelas tentações. “Não adianta lutar, o pecado é  mais forte do que eu”, é esta a conclusão a que chegam. Entram num estado de passividade, entregam-se às suas próprias paixões e desejos, e começam a conviver com aquilo que muitos têm chamado “pecados de estimação”. Acostumam-se com aquela derrota, e se tornam cristãos derrotados.

Oh, mas não foi para isto que Cristo nos libertou! Ele não nos livrou para voltarmos, outra vez, ao domínio do pecado! O Espírito pergunta: “Como viverão ainda no pecado aqueles que já morreram para ele?” Que possamos compreender que Cristo nos libertou para sermos, verdadeiramente, livres!

Há ainda um outro grupo de crentes que reage de forma diferente. Quando a tentação se apresenta diante desses cristãos, eles cingem os lombos, entram em “posição de combate” e pensam: vamos à luta! Todavia, esta postura também é carnal. Estes crentes fazem bem em lutar contra o pecado, mas fazem muito mal em usar a arma errada! Eles confiam na força do seu próprio braço; eles contam com seus próprios esforços para viver a vida cristã e obter vitória.

As consequências dessa segunda atitude contra o pecado são frustração e inconstância. O crente que luta contra o pecado como se este fosse um inimigo ainda por vencer descobrirá da pior forma possível que é totalmente incapaz de fazer o que agrada a Deus. Ele conseguirá obter algumas vitórias parciais sobre o pecado; conseguirá fugir de algumas tentações e esboçará algum sucesso. Mas está, inevitavelmente, fadado ao fracasso, porque não percebeu ainda que o querer o bem está nele; não, porém, o efetuá-lo.

Você conhece crentes assim? Talvez você seja um deles. Eles são muito sinceros na sua devoção e no seu desejo de agradar a Deus. Todavia eles são carnais. Eles confiam em seus próprios esforços para viver a vida cristã. É por isso que tais cristãos são marcados por frustração e inconstância. Um dia estão muito bem, porque obtiveram algum sucesso sobre determinados pecados. No dia seguinte, contudo, aqueles mesmos pecados retornam e os vencem. E, então, eles se frustram e já não sabem o que fazer.

Watchman Nee certa vez escreveu: “Aqueles de nós que são derrotados gastam os seus dias em derrota e vitória, vitória e derrota, pecando e arrependendo-se e arrependendo-se e pecando: é uma vida que continuamente anda em círculos, que só termina ao cairmos em profundo desespero. Portanto, se lograrmos controlar o pecado, simplesmente o suprimiremos por um período de tempo; ou se falharmos em suprimi-lo consideraremos que o pecado é inevitável, e cairemos em desespero.” (A Vida Que Vence)

Ora, mas não foi para isso que Cristo nos salvou! Não fomos chamados para obter vitórias parciais sobre o pecado, mas para sermos completamente livres de seu domínio, andando continuamente em triunfo com Cristo!

Como podemos, então, reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência vitoriosa sobre o pecado? O segredo está em descobrir as duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7.

[continua…]

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

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Uma resposta em “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)

  1. amo ler tudo sobre o que é relatada na biblia , mas qdo ainda é esmiossado para eu aproveitar bem , e passar para outros, , o espirito santo é demais , ..

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