As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)

[Antes de ler este estudo, leia “O que eu faço com Romanos 6?” e “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (1)”]

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. (Romanos 7.14-25)

Como podemos reagir ao pecado que tenazmente nos assedia? Qual o segredo para obtermos uma experiência de completa vitória sobre o pecado? O segredo está nas duas exclamações que Paulo faz em Romanos 7:

“MISERÁVEL HOMEM QUE SOU!”

Todo cristão precisa descobrir o quão imunda, inútil, imprestável e miserável é a nossa carne. É triste que a maioria de nós não consiga entender que “carnalidade” não é apenas cometer pecados grosseiros, mas é também qualquer tentativa de vencer o pecado na sua própria força. Sim, lutar contra o pecado confiando em seus esforços humanos é uma grave demonstração de carnalidade!

São poucos os crentes que compreendem esta verdade: não existe NADA de bom em nós mesmos, nada que agrade a Deus. Todas as nossas melhores obras e esforços são diante dele como trapos de imundícia! E são menos ainda os crentes que de fato vivenciam esta realidade no seu dia-a-dia. Sim, porque não basta saber que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum”; é preciso que tal realidade produza em nós uma total desistência, uma completa resignação quanto ao fato de que não podemos vencer o pecado com base num esforço próprio.

Não há qualquer esperança de vitória enquanto confiamos na nossa carne! Nossos esforços, nossos métodos, nossas estratégias, nossos jejuns, nossas orações, nossa aparente piedade – nada disso pode ser a base da nossa confiança! Nenhum cristão pode experimentar uma vitória definitiva e completa sobre o pecado enquanto não aprender a dizer: “Miserável homem que sou!” Precisamos desprezar a nossa carne antes de podermos guerrear contra ela.

Alguns comentaristas sugerem que Romanos 7 relate algum tipo de crise pela qual o apóstolo Paulo estava passando. Apesar de esta ser uma questão difícil, não me parece plausível que Paulo estivesse falando de alguma experiência meramente pessoal. Os capítulos 6 e 8 da carta aos Romanos relatam dois dos mais gloriosos fundamentos da vida cristã: a nossa posição de vitória em Cristo e a nossa experiência de vitória sendo guiados pelo Espírito. O capítulo 7 mais parece ser um hiato, uma passagem crítica que deve ser essencial para todo crente que queira experimentar a vitória sobre o pecado através de uma vida guiada e controlada pelo Espírito Santo.

O que isto significa? Que não podemos vencer o pecado sem antes desistirmos de nós mesmos. Não podemos experimentar o gozo da plena libertação que Cristo conquistou para nós se primeiro não abandonarmos qualquer tentativa de auto-libertação. Você dirá: “mas eu não confio em mim mesmo! Eu sei que tudo é graça!” Todavia conhecer as doutrinas da graça não é o mesmo que experimentá-las e viver por elas. São muitos os que crêem que, tendo sido salvos pela graça, agora devem empreender um largo esforço para perseverarem em sua carreira. Não! Não pode restar qualquer tipo de expectativa de que eu seja capaz de alguma coisa. Uma tal esperança irá me levar a confiar na carne e, fatalmente, o resultado será aquele de que falamos no estudo anterior: frustração, inconstância e desespero.

Que possamos nos unir a Paulo e gritar, com plena convicção: Miserável homem que sou! Que esta seja uma experiência diária de mortificação do nosso ego.

“GRAÇAS A DEUS POR JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR”

Mas e daí? Basta que um crente desista de lutar contra o pecado com base no seu próprio esforço, e então ele estará livre do seu domínio? Já vimos no primeiro estudo que não. Desistir de lutar contra o pecado é diferente de desistir de vencer o pecado. A primeira desistência revela que aprendemos a não confiar na carne; a segunda revela que, na verdade, nos rendemos aos desejos dessa mesma carne.

Não é suficiente que eu remova as minhas esperanças de vitória com base num esforço próprio; é preciso que eu transfira essas esperanças para alguém que possa satisfazê-las plenamente. E em quem eu encontro tal conforto? Certamente que em Jesus Cristo, nosso Senhor!

Ora, se eu não posso vencer o pecado, certamente há alguém que pode, e já venceu! Aquele que foi tentado em todas as coisas, como nós também somos, todavia sem pecado; Aquele que veio ao mundo sem pecado e saiu dele sem pecado – é neste que colocamos a nossa confiança! Se, por um lado, eu descubro em Romanos 7 que não posso derrotar a carne usando a própria carne, lá eu também descubro que posso obter esta vitória confiando em Jesus Cristo, nosso Senhor.

A base para tal confiança são justamente as verdades gloriosas de Romanos 6, as quais também podemos encontrar em todo o Novo Testamento. Muito mais do que um sacrifício substitutivo, a obra de Jesus foi também um sacrifício representativo ou inclusivo. Se é verdade que Jesus morreu por nós como aquele que sofreu a ira de Deus por causa dos nossos pecados, também é verdade que nós morremos com Jesus para nos livrarmos do domínio do pecado em nossas vidas. Sendo assim, fomos incluídos em sua cruz e sua morte para sermos livres do pecado. Mas também fomos incluídos em sua ressurreição para desfrutarmos de uma nova vida – ou melhor, para desfrutarmos da Sua vida, a vida eterna, a vida do próprio Deus Eterno. E, para além de tudo isso, fomos incluídos em sua ascensão gloriosa, pois Deus “nos fez assentar em lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2.6).

Oh, que verdades gloriosas! Deus nos incluiu em Cristo para que possamos desfrutar da sua completa vitória. Se não estamos em plena união com Ele, estamos derrotados. Mas a verdade é que já fomos unidos a Ele: estamos mortos com Ele, ressuscitados com Ele, e assentados com Ele em lugares celestiais. Se damos graças a Ele por tudo o que Ele conquistou para nós, obtemos completa vitória em nossa experiência de vida.

DUAS EXPERIÊNCIAS BEM DISTINTAS

Você compreende a diferença entre o crente carnal e o crente espiritual, nessa questão da luta contra o pecado? O crente carnal luta com todas as suas forças para resistir ao pecado, obtém algumas vitórias parciais sobre ele, mas será inevitavelmente derrotado, mais cedo ou mais tarde. O resultado é frustração e inconstância – uma vida cheia de altos e baixos, até que este crente finalmente chegará ao desespero e desistirá de vencer o pecado.

O crente espiritual, por sua vez, é aquele que passa pela difícil caminhada de Romanos 7. E, nessa caminhada, ele descobre que sua carne não presta nem mesmo para boas obras, e então desiste de lutar contra o pecado em seus próprios esforços. Todavia, ao invés de assumir uma postura de passividade e indiferença, o crente espiritual descobre que Cristo Jesus já conquistou toda a vitória e a tornou disponível para nós! Ele, então, se apodera dessa vitória e passa a reinar com Cristo sobre a terra. Como ele se apodera? Dando graças a Deus por Jesus Cristo. Sim, o louvor é a chave para obtermos esta graça.

Embora seja verdade que todo crente possa dizer que está assentado em lugares celestiais em Cristo, nem todos os filhos de Deus podem dizer que reinam com Cristo sobre a terra (Ap 5.10) e nem todos podem dar graças a Deus porque, em Cristo, sempre andam em triunfo (2Co 2.14). Você pode, com base na sua experiência diária, fazer essas duas afirmações? Você pode afirmar que tem obtido, em Cristo, completa vitória sobre o pecado? O segredo está em desistir de si mesmo, e dar graças a Cristo, confiando que é em Sua obra perfeita que reside a nossa experiência de triunfo.

Que nossa vida diária possa ser conduzida por essas duas afirmações: “Miserável homem que sou” e “Graças a Deus por Jesus Cristo”, a fim de que alcancemos completa vitória em meio às tentações.

Em Cristo,
Vinícius Pimentel

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2 respostas em “As duas exclamações de uma vida que vence o pecado (2)

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  2. Prezado Vinícius,
    seu texto está bastante conectado ao livro de Romanos como um todo, que já inicia (cap. 1) justamente afirmando que os perdidos, “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus e Deus os entregou as suas próprias paixões” ou seja: um sinal da perdição é a falta de doxologia, a falta da correta gloficação do Senhor.

    Fielmente até o fim,
    Claudio.

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