Qual é a unidade que agrada a Deus? (Parte 1)

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. (Efésios 4.1-6)

UM CHAMADO À UNIDADE DA IGREJA

1. Não restam dúvidas de que a Bíblia contém um chamado à unidade que é dirigido a todos os cristãos. A fé cristã é uma fé universal (“católica”), porque Jesus Cristo, na cruz, removeu todas as barreiras de separação que outrora existiram. Judeus e gentios, homens e mulheres, ricos e pobres, cultos e iletrados: todos que são alcançados pela graça de Deus agora são UM em Cristo Jesus.

2. Isto significa que só existe UMA Igreja, que é a Igreja de Jesus Cristo, a comunhão universal dos seus redimidos. Ainda que os cristãos se reúnam debaixo de várias denominações (e embora eu não seja simpático a esta triste realidade), reconhecemos de fato que existe algo que nos une e que é muito maior que as nossas diferenças: Jesus Cristo, nosso Senhor, o Filho de Deus encarnado, cujo sangue nos purifica de todo pecado.

3. A Bíblia, no texto que ora analisamos, é enfática em nos exortar a que preservemos a unidade. Para tanto, a Palavra de Deus diz que devemos exercitar algumas virtudes cristãs: a humildade, a mansidão, a longanimidade e o amor.

4. As Escrituras nos dizem ainda que devemos nos “esforçar diligentemente”, revelando-nos que não será sem lutas que a unidade do Corpo de Cristo será preservada. Com isto, quer dizer a Escritura que a unidade só pode ser preservada onde permanece a Cruz; e, onde a Cruz permanece, não há espaço para o ego. A unidade da Igreja só pode existir quando os homens renunciam ao seu amor-próprio e à estima elevada que têm de si mesmos, para então reconhecerem nos outros algo de muito mais valor do que aquilo que eles próprios possuem.

5. A falta de amor altruísta e o excesso de amor-próprio são, portanto, a verdadeira causa de tanta desunião no meio do povo de Deus. Onde se manifesta o fruto do Espírito, que é sobretudo o amor, as obras da carne não podem subsistir. E não é sem razão que oito das dezesseis obras da carne de Gálatas 5 estão relacionadas à quebra da unidade: inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas. A falta de unidade na Igreja é consequência da extrema carnalidade em que vivem os cristãos.

6. A perplexidade de Paulo diante da carnalidade dos crentes em Corinto permanece em nossos dias como uma advertência severa: “Acaso, Cristo está dividido?” Para Paulo, era impossível imaginar que o seu Senhor, aquele sobre quem a profecia afirmava que “nenhum dos seus ossos será quebrado”, possuísse um Corpo retalhado. E ele não estaria menos assombrado caso servisse entre nós nos dias de hoje.

7. Esforço diligente. Esta é a atitude exigida dos cristãos para a preservação da unidade, atitude que precisa ser precedida de humildade, mansidão, longanimidade e amor. Sem estas quatro virtudes, o esforço será inútil. Porém, com a manifestação do fruto do Espírito, é possível a cada crente renunciar a si mesmo em favor dos seus irmãos e da unidade da Igreja. Que o Senhor leve cada um de nós a este esforço diligente.

Em Cristo,
Vinícius

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados,


4.2 com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,


4.3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;


4.4 há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação;


4.5 há um só Senhor, uma só fé, um só batismo;


4.6 um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.
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4 respostas em “Qual é a unidade que agrada a Deus? (Parte 1)

  1. Pingback: Efésios – A Carta Que Descreve a Verdadeira Igreja – Oídes José do Carmo « Mateus 22:14

  2. Não compreendi porque a fé é universal e católica. ?? Jesus Cristo tinha religião? Onde está escrito na Bíbilia?

    Pensei que tivessemos que ser um para assim que o mundo crer que Deus enviou a Jesus Cristo.

    Assim, como seremos um se hoje as pessoas que creem que Jesus Cristo é Filho de Deus se dividem por causa da hipocresia chamada religião?

    • Cathiany,

      1. A palavra “católica” significa “universal”. Eu não sou um católico apostólico romano, e sim um cristão (protestante, reformado, evangélico). O que eu quis dizer foi que a fé cristã é uma fé universal porque ela não está fechada a certos grupos sociais, étnicos ou culturais, entende? A mensagem cristã é a mesma que alcança judeus, gregos, brasileiros, japoneses, homens, mulheres, pobres, ricos, doutores e analfabetos. Você concorda com isso?

      2. Jesus Cristo tinha, sim, religião. Ele seguiu firmemente a religião do Antigo Testamento. A Escritura diz que Ele guardou toda a Lei, sendo obediente até a morte, e que por causa da Sua obediência, nós somos justificados diante de Deus.

      3. Eu compreendo que a maioria dos evangélicos de nossos dias não gosta da palavra “religião”; o problema é que a própria Bíblia usa a palavra religião para se referir à fé Cristã: veja Tiago 1.27! O ponto é que existe “verdadeira religião” e “falsa religião”: a falsa religião é, como você mesma disse, hipócrita, mas a verdadeira religião é aquela que procede de um coração regenerado pelo Espírito Santo e, por causa desse novo coração, o homem de Deus põe em prática os mandamentos de Deus. Isto é a verdadeira religião: a obediência que procede de um coração cheio do amor de Deus, que nos foi dado pelo Espírito mediante a fé em Cristo Jesus.

      Não sei se consegui ser claro, mas espero que o Senhor lhe dê sabedoria em todas as coisas.

      Em Cristo, nosso único Salvador,
      Vinícius

    • Ah, se você quiser entender melhor o que penso, recomendo a leitura dos outros artigos dessa série “Qual é a unidade que agrada a Deus?”, pois, nela, eu discuto a pretensa “unidade” entre católicos e evangélicos. Espero que você seja edificada!

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