Um Substituto; duas substituições

“Se nós, quando inimigos, fomos reconciliados co Deus mediante a morte de Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida” (Rm 5.10).

Deus deixa muito claro em Sua Palavra que, para toda necessidade humana, Ele tem apenas uma resposta: Seu Filho Jesus Cristo. Em todas as Suas atitudes para conosco, Ele opera tirando-nos do caminho e colocando Cristo em nosso lugar. O Filho de Deus morreu em nosso lugar para nosso perdão; vive em nosso lugar para nossa libertação. Portanto, podemos falar de duas substituições: um substituto na cruz, que garante nosso perdão, e um substituto interior que garante nossa vitória. Será de grande ajuda para nós e nos livrará de muita confusão, se conservarmos constantemente este fato diante de nós: que Deus responderá todas as nossas dúvidas de uma só maneira, ou seja, mostrando-nos mais do Seu Filho.

Watchman Nee

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Cristãos são como pão partido

“Todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (Hc. 3:18)

Quando o menino galileu trouxe os pães para Jesus, o que Este fez com eles? Ele os partiu. Deus sempre partirá aquilo que Lhe for oferecido. Ele parte aquilo que recebe; em seguida, abençoa-o e usa-o para suprir as necessidades dos homens. Não é essa a sua experiência? Você se dá ao Senhor e, de repente, tudo começa a pioroar tanto que você é tentado a duvidar dos Seus caminhos. Persistir nesta atitude é, na verdade, ser quebrado, mas com que propósito? Você foi muito longe para ser usado pelo mundo, mas não foi suficientemente longe para Deus. Esta é a tragédia de muitos cristãos. Nosso desejo é que Ele nos use? Então, continuemos, dia após dia, a entregar nossa vida a Ele, sem criticar Seus métodos, mas aceitando o modo como Ele nos trata, com louvor e expectativa.

Watchman Nee

Entremos no descanso de Deus

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado!” (João 19:30).

A fé cristã não começa com um grande: “FAÇA”, mas com um grande “ESTÁ CONSUMADO”. Naturalmente, nossa razão protesta contra essa verdade. Se não nos movermos, como poderemos alcançar o alvo? O que conseguiremos sem esforço? Como realizaremos algo se não trabalharmos para isso? Contudo, a fé cristã é algo maravilhoso! Ele começa com descanso. Se, no início, tentamos fazer algo, nada conseguimos; se tentamos conseguir algo, perdemos tudo. “Está consumado”, disse Jesus. Paulo inicia sua carta aos Efésios com a afirmação de que Deus nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiôes celestiais em Cristo. Portanto, somos convidados, desde o início, a descansar e nos alegrar com o que Deus já fez, sem tentar realizá-lo por nós mesmos.

Watchman Nee

“Desventurado homem que sou!”, por Augustus Toplady

“Ao fazer uma retrospectiva deste ano, desejo confessar que minha infidelidade tem sido excessivamente grande, e meus pecados, ainda maiores. Todavia, as misericórdias de Deus têm sido maiores do que ambos. Minhas falhas, meus pecados, minha incredulidade e minha falta de amor me afundariam no mais profundo do inferno, se Jesus não fosse minha justiça e meu Redentor.”

Augustus Toplady

“Desventurado homem que sou!”, por Charles Spurgeon

Existem alguns crentes professos que falam sobre si mesmos em termos de admiração. Todavia, em meu íntimo, detesto mais e mais esses discursos, a cada dia que eu vivo. Aqueles que falam dessa maneira arrogante devem possuir uma natureza muito diferente da minha. Enquanto eles estão congratulando a si mesmos, tenho de me prostrar aos pés da cruz de Cristo e admirar-me de que estou salvo, pois sei que fui salvo. Tenho de admirar-me de não crer mais profundamente em Cristo e de que sou privilegiado por crer nEle. Tenho de admirar-me de não amá-Lo mais profundamente, mas igualmente devo admirar-me até de que O amo de alguma maneira. Devo admirar-me de não possuir mais santidade e admirar- me, igualmente, de que eu tenho algum desejo de ser santo, levando em conta quão corrompida, degenerada e depravada natureza eu ainda encontro em minha alma, apesar de tudo o que a graça de Deus tem feito em mim. Se Deus permitisse que as fontes do grande abismo da depravação se rompessem nos melhores homens que vivem neste mundo, eles se tornariam demônios tão maus como o próprio diabo. Não me importo com o que dizem esses vangloriosos a respeito de suas próprias perfeições. Estou certo de que eles não conhecem a si mesmos; se conhecessem, não falariam como freqüentemente o fazem. Mesmo no crente que está mais próximo do céu existe combustível suficiente para acender outro inferno, se Deus tãosomente permitisse que uma chama caísse sobre ele. Alguns crentes parecem que nunca descobrem isto. Eu quase desejo que eles nunca o descubram, pois esta é uma descoberta dolorosa para qualquer um fazer; mas ela tem o efeito benéfico de fazer que paremos de confiar em nós mesmos e de nos levar a nos gloriarmos somente no Senhor.

Charles H. Spurgeon

Saber ler (e ler bem) é muito importante para o cristão!

Uma Razão Constrangedora para o Treinamento Rigoroso da Mente

John Piper

Recentemente, enquanto lia e meditava sobre a carta aos Hebreus, ocorreu-me, vigorosamente, que uma razão básica e constrangedora para a educação — o treinamento rigoroso da mente — é que uma pessoa pode ler a Bíblia com entendimento.

Esta afirmativa parece óbvia demais para ser útil ou compelidora, mas isto é porque vemos a preciosidade da leitura como algo garantido. Erramos em não apreciar o tipo de pensamento que uma passagem bíblica complexa exige.

A carta aos Hebreus, por exemplo, é um argumento intelectualmente desafiador, fundamentado em textos do Antigo Testamento. As questões que o autor aborda estão ligadas a observações bíblicas que percebemos tão-somente por uma leitura rigorosa, e não por uma leitura rápida e superficial. Entender as interpretações do Antigo Testamento no texto de Hebreus exige esforço mental e meditação árdua. O mesmo poderia ser dito sobre os extensivos argumentos de Romanos, Gálatas e outros livros da Bíblia.

Este é um argumento convincente para darmos aos nossos filhos um treinamento disciplinado e inflexível a respeito de como pensar os pensamentos de um autor, em determinado texto — especialmente, um texto da Bíblia. Temos de aprender o alfabeto, o vocabulário, a gramática, a sintaxe, os rudimentos da lógica e a maneira como o significado é transmitido por meio da conexão de sentenças e parágrafos.

A razão por que os crentes sempre têm estabelecido escolas onde implantam igrejas é que somos um povo dado à leitura de um livro. É verdade que o livro não terá seus efeitos apropriados sem a oração e o Espírito Santo. A Bíblia não é um livro-texto a ser debatido. É uma fonte que satisfaz a sede espiritual e a fome da alma. É uma revelação de Deus, um poder vivificante, uma espada de dois gumes. Nada disso, porém, muda o fato de que, sem a disciplina da leitura, a Bíblia é tão incapaz como o papel. Talvez alguém tenha de ler a Bíblia para você, mas, o fato é que sem a sua leitura, o seu poder e significado permanecem trancados.

Não é notável que muitas vezes Jesus esclareceu grandes assuntos com uma referência à leitura? Por exemplo, quanto ao assunto do sábado, Ele disse: “Não lestes o que fez Davi…? (Mt 12.3) No que concerne ao divórcio e ao novo casamento, Jesus disse: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher…?” (Mt 19.4) Sobre a verdadeira adoração e louvor, Ele disse: “Nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21.16) Quanto à ressurreição, Jesus disse: “Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular?” (Mt 21.42) Ao intérprete da Lei que provou a Jesus inquirindo-O sobre a vida eterna, Ele disse: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lc 10.26)

O apóstolo Paulo também deu à leitura um importante lugar na vida da igreja. Por exemplo, ele disse aos crentes de Corinto: “Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo” (2 Co 1.13). À igreja de Éfeso, ele disse: “Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo” (Ef 3.4). À igreja de Colossos, Paulo disse: “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós” (Cl 4.16). Ler as cartas do apóstolo Paulo era tão importante, que ele o ordenou com uma imprecação: “Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos” (1 Ts 5.27).

A habilidade de ler não é intuitiva. Tem de ser ensinada. E aprender a ler com entendimento é uma tarefa vitalícia. As implicações para os crentes são imensas. A educação da mente na rigorosa disciplina de leitura meditativa é um dos primeiros objetivos da educação. A igreja de Jesus fica debilitada, quando seu povo é seduzido a pensar que é humilde, ou democrático, ou relevante oferecer uma educação prática que não envolve o treinamento rigoroso da mente, para que esta pense com dedicação e interprete o significado de textos difíceis. O assunto de ganhar a vida não é tão importante quanto o de a próxima geração ter acesso direto ao significado da Palavra de Deus.

Precisamos de uma educação que dê o mais elevado valor (depois de o dar ao próprio Deus) ao conhecimento do significado do Livro de Deus e ao desenvolvimento das habilidades que nos trarão as suas riquezas por toda a vida. Seria melhor morrer por falta de alimento do que não assimilar o significado da carta aos Romanos. Senhor, não permita que falhemos para com a próxima geração!

Fonte: Editora Fiel